O mandala indo-tibetano, analisado por Giuseppe Tucci, constitui um psicocosmograma cuja construção obedece a ritos minuciosos, desde a seleção e torção dos fios da corda de marcação até à aplicação de pós de arroz coloridos para delinear uma estrutura geométrica complexa de círculos e quadrados concêntricos protegidos por uma barreira de fogo e uma cintura de diamante.
A estrutura do mandala integra um sistema de correspondências quíntuplas que correlaciona cores, elementos, sentidos e direções, associando o branco ao oeste, o amarelo ao norte, o negro ao sul, o vermelho ao leste e o verde ao centro, refletindo a cosmologia das famílias búdicas.
O simbolismo das cores, embora variável entre civilizações, apresenta constantes como a associação do vermelho às potências ativas, ao sol e à soberania (Júpiter Capitolino, porfirogenetas), e do branco à inocência, purificação iniciática e novos nascimentos, sendo a cor dos candidatos, dos espíritos dos mortos e dos dias felizes (*homo albus*).
O azul, cor cósmica e votiva, vincula-se à sabedoria universal e à majestade, enquanto o verde evoca a ambivalência entre a renovação da vida e a putrefação ou falência; historicamente, as cores serviram como distintivos fundamentais de facções políticas e religiosas, desde as quadrigas do circo romano (Brancos, Vermelhos, Azuis, Verdes) até às cruzes das nações nas Cruzadas e às cores de partidos rivais como os Guelfos e Gibelinos ou os Armagnacs e Borguinhões.
As cores da bandeira francesa transcendem a explicação puramente histórica para alcançar um nível emblemático onde o corpo tricolor corresponde à alma da divisa republicana (liberdade, igualdade, fraternidade), enraizando-se em tradições ancestrais da nação.
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*PS: ALLEAU, René. A ciência dos símbolos: contribuição ao estudo dos princípios e dos métodos da simbólica geral. Isabel Braga. Lisboa: Edições 70, 1982.*