O método histórico mostra-se insuficiente para resolver a complexidade dos textos sagrados, pois, como demonstra E. C. Hoskyns sobre o Evangelho de S. João, existe uma barreira intransponível que impede a separação entre a história e a interpretação espiritual, sendo o Espírito que confere realidade às ações observáveis.
O estudo do vocabulário do Apocalipse e do Evangelho de S. João evidencia uma estrutura simbólica numerológica, onde a frequência de palavras como psuke (vida), mencionada dez vezes, corresponde à simbólica global do denário ou da Tetractys pitagórica (10 = 1+2+3+4), além de apresentar agrupamentos parciais significativos no texto.
As pesquisas de François Quiévreux e E. Laubscher demonstram estatisticamente que tais arranjos numéricos e a complexidade do encadeamento das palavras não podem ser atribuídos ao acaso, comparando a obra sagrada a um mecanismo de relógio de precisão extraordinária ou a uma partitura musical onde a estrutura matemática subjaz à inspiração sem ser fruto de cálculo consciente.
A transcendência da revelação, tal como formulada no versículo LXXXI do Corão, reafirma que a palavra do mensageiro não é fruto de possessão ou demônio, mas uma visão do horizonte brilhante e uma edificação para aqueles que buscam o caminho, confirmando a existência de um modo de pensamento que transcende a lógica puramente racionalista moderna.
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*PS: ALLEAU, René. A ciência dos símbolos: contribuição ao estudo dos princípios e dos métodos da simbólica geral. Isabel Braga. Lisboa: Edições 70, 1982.*