O tema do amor como paixão manifesta sua proximidade com o Ereignis, motivo central da reflexão de Martin
Heidegger a partir do final dos anos 1930, na medida em que o amor, enquanto paixão da facticidade, pode lançar luz sobre esse conceito, entendido por
Heidegger a partir de eigen como “apropriação”, situado sobre o fundo da dialética entre Eigentlichkeit e Uneigentlichkeit em Sein und Zeit, mas designando uma apropriação na qual não se trata de fazer passar algo do estranho ao próprio nem de conduzi-lo da sombra à luz, e sim de colocá-lo na Lichtung como expropriação e ocultamento, pois “Das Ereignis ist ihm Selbst Enteignis, in welches Wort die fruh-griechische lethe im Sinne des Verbergens ereignishaft aufgenommen ist”, isto é, “O Ereignis é em si mesmo expropriação, palavra na qual é retomado de modo apropriador o grego primitivo lethe, no sentido de ocultamento”, de tal modo que o pensamento do Ereignis “não é um desaparecimento do esquecimento do ser, mas um ‘instalar-se’ nele e um ‘manter-se’ nele. Despertar do esquecimento do ser nesse mesmo esquecimento é um des-despertar no Ereignis”, e que “die Verbergung sich Nicht verbirgt, ihr gilt vielmehr das Aufmerken des Denkens”, ou seja, “o ocultamento já não se esconde, para ele vai antes toda a atenção do pensamento”