A identificação progressiva entre o “demônio aéreo” de Epinomis, de Calcídio e de Pselo e o “herói” ressuscitado pelos antigos cultos populares manifesta-se já na tradição atribuída por Diógenes Laércio a Pitágoras, segundo a qual os heróis habitam no ar e agem sobre os homens inspirando sinais premonitórios de doença e de saúde, apresentando assim todos os traços da demonicidade aérea, identificação reforçada por uma etimologia de provável origem estoica retomada pelos Padres da Igreja a partir de
Agostinho, que no livro X do De civitate Dei, ao refutar a teurgia neoplatônica, define os mártires cristãos como “nostros heroas” e acrescenta que o nome heros teria sido tirado de Hera, significando misticamente que o ar onde os heróis habitam com os demônios estaria sob a potestade de Juno, embora os mártires devessem ser chamados “heróis” não por qualquer associação com demônios, mas porque vencem as potências aéreas