A polêmica sobre o sentido da polêmica exige autocrítica, mas essa precaução torna-se progressivamente supérflua à medida que os poderes interiores transfiguram todo instrumento exterior e a doutrina da transfiguração passa a ser vivida e encarnada.
Em Guenon, como em todo esoterista, impõe-se distinguir negatividade e positividade, tarefa de longa duração que não comporta execução abrupta.
O ensaio de Paul Sérant, que segue a introdução, é de inspiração muito mais guénoniana do que husserliana, apresentando-se como testemunho de um estado provisório da consciência moderna diante de um esoterismo em pleno movimento.
Sérant opõe sociedades tradicionais e sociedade moderna de modo linear, sem considerar que os vícios e as coerções da sociedade atual são condição necessária de uma tomada de consciência mais alta da própria Tradição.
Guenon mantém a iniciação prisioneira de um formalismo ritualista e o discute formalmente, sem examinar sua substância; Sérant deixa o problema aberto, mas não eleva a contemplação ao paroxismo da meditação, o que impede que o conhecimento comunique seus poderes e que o diálogo com o não-esoterista se estabeleça.
O problema do progresso não reclama juízo de valor que implique escolha entre progresso e Tradição, mas situação dos campos respectivos da técnica e da gnose e demonstração de como se integram mutuamente, cada um insubstituível em sua ordem.