====== Sagrado ====== //WUNENBURGER, Jean-Jacques. Le sacré. Paris: Presses Universitaires de France (PUF), 1981. (Coleção "Que sais-je?").// * Introdução * I. Abordagens lexicais * Notas **PRIMEIRA PARTE - PRÁTICAS DO SAGRADO** **CAPÍTULO I - FENOMENOLOGIA DO SAGRADO** * I. A experiência do "numinoso" * II. As hierofanias * 1. A potência cósmica * 2. A personagem sagrada * Notas **CAPÍTULO II - SIMBÓLICAS DO SAGRADO** * I. A linguagem simbólica * II. A liberdade hermenêutica * III. O jogo ritual * 1. A dança mascarada * 2. A iniciação * 3. O sacrifício * IV. O espaço-tempo sagrado * 1. O lugar sagrado * 2. O Grande Tempo mítico * Notas **CAPÍTULO III - ANTROPOLOGIA CULTURAL DO SAGRADO** * I. Classe sacerdotal e poder clerical * 1. A administração do sagrado * 2. Poder espiritual e temporal * 3. O direito * II. A regulação simbólica do social * 1. A violência e o sagrado * 2. Produção e "consumação" * Notas **SEGUNDA PARTE - TEORIAS DO SAGRADO** **CAPÍTULO IV - A NATUREZA DO SAGRADO** * I. O sagrado e o profano * II. O interdito e o mistério * 1. A regra e a transgressão * 2. O segredo das profundezas * III. O puro e o impuro * 1. O tabu * 2. A purificação sagrada * Notas **CAPÍTULO V - AS CRÍTICAS DO SAGRADO** * I. A contestação do sagrado * 1. A crítica antirreligiosa * 2. A crítica antropocêntrica * A. O sociologismo * B. O psicologismo * II. A controvérsia da dessacralização * III. A secularização da cultura * 1. Do sagrado ao santo * A. A ruptura do monoteísmo * B. Sincretismo e invariância do sagrado * C. Rumo a uma sociedade pós-cristã? * 2. O desencantamento do mundo * Notas **CAPÍTULO VI - AS METAMORFOSES DO SAGRADO** * I. Ressacralização e modernidade * 1. As religiões políticas * 2. O imaginário social * 3. Ecologia e medicinas alternativas * II. Uma nova sacralidade? * 1. A vocação ética * 2. Para além do religioso, o poético? * Notas **CONCLUSÃO** ---- **Introdução** 1. A noção de sagrado parece inseparável da experiência e da instituição do religioso, isto é, das relações do ser humano com um plano de realidade suprassensível e invisível, o divino, mas sagrado e religião não se confundem, pois certas religiões dispensam a mediação do sagrado e este pode sobreviver ou reviver fora do religioso, embora seu surgimento, evolução, compreensão e avaliação permaneçam interligados, como mostra o percurso do sagrado, central nas explicações sociológicas do início do século XX, de Durkheim ao colégio de sociologia dos anos 1930, depois acompanhando o lento declínio cultural do cristianismo no Ocidente e recolocado em cena pelo recente retorno mundial do religioso no início do século XXI. 2. A modernidade europeia foi marcada por uma dessacralização da cultura tida por irreversível, manifestada no avanço do ateísmo, no declínio ou na privatização das práticas religiosas e no enfraquecimento das instituições religiosas, com a secularização e a laicização relegando o sagrado à esfera íntima ou a práticas residuais, ao passo que a nova religiosidade favorece tanto o ressurgimento espetacular de sacralidades tradicionais, como as concentrações de jovens em torno do papa ou as peregrinações a Meca, quanto uma floração anômica de símbolos e ritos ancestrais ou exóticos difundidos por modas, entretenimentos e mídias, de modo que o termo sagrado reúne sincreticamente fenômenos de religiosidade tradicional e de esoterismo, mistério, fantástico, magia e feitiçaria, situação típica da cultura dita pós-moderna. 3. Essas variações culturais levam a indagar se a sacralidade constitui uma estrutura permanente e transcultural do homem, sujeita apenas a deslocamentos e metamorfoses, ou uma construção social variável a ponto de poder ausentar-se, ser recalcada ou mediatizada em formas irreconhecíveis, dificuldade que exige aceitar a universalidade sugerida pelos isomorfismos da religião comparada sem endossar uma uniformidade tecida de falsas semelhanças e levar em conta as filiações culturais e históricas sem renunciar a uma antropologia geral do sacro e a um horizonte metafísico originário, pois compreender o fenômeno do sagrado em suas dimensões individuais e coletivas, experiências e instituições, deve permitir remontar à fonte do religioso e da cultura por ele inspirada e compreender as metamorfoses mais surpreendentes da época, com seu cruzamento de imaginários e racionalidades, de desmistificação e reencantamento do mundo. {{tag>Wunenburger sagrado}}