====== Filosofia da Mitologia Livro II ====== //SCHELLING, Friedrich Wilhelm Joseph von. Philosophie de la mythologie. Tradução: Alain Pernet. Grenoble: J. Millon, 1994.// * Lição sétima * Observações preliminares sobre a filosofia da mitologia * O ponto de partida da análise: a possibilidade de uma alteração do homem * As expressões correspondentes a essa possibilidade na mitologia: as noções de Nêmesis, de Apaté (Mâyâ), o conceito de tentação * Lição oitava * A alteração efetiva do homem = Arqui-Acidente (Fortuna primigênia) * Os vestígios desse evento na mitologia ulterior. A figura de Perséfone * A primeira condição de Perséfone, comparada à estadia no paraíso * A dualidade em Perséfone segundo os filósofos antigos, em particular os Pitagóricos * Descrição dessa transição de Perséfone nos Mistérios * Consequências objetivas da reativação de B pelo homem: estabelecimento do politeísmo sucessivo * Lição nona * Irrupção do processo na consciência humana. Primeiro momento: o princípio posto no homem como unilateral (B) resiste ao seu superamento pelo poder superior (A2) * O conceito dos deuses formais * Lição décima * Transição para o momento seguinte * A natureza desse momento: o princípio (B) se materializa, torna-se periférico e aparece como a base relativamente espiritual do Deus (o que gera o Deus); donde a transição para as divindades femininas * O culto de Urania entre os Persas junta-se ao Sabismo – já ligado à veneração dos elementos – (Heródoto: I, 131) * Mitra, Mylitta, Astarta = a Urania. Etimologia desses nomes * A virada da mitologia com Urania, comparada ao momento correspondente da formação da natureza. O elemento úmido, representante desse momento * Lição décima primeira * A religião persa, como fixada no momento da primeira materialização: onde se explica a relação entre Mitra e Mithra * Dedução da religião de Mithra * Explicação do nome de Mithra * A relação entre Mithra e a doutrina do Zend. O dualismo dessa doutrina; justificação da doutrina de Zardust como produto da noção de Mithra * O problema dos Mithriaca * Os grandes traços da doutrina de Mithra como reação contra o processo mitológico (comparação com o aparecimento do budismo) * Lição décima segunda * O progresso para a polilatria efetiva se deve: * 1) à transição para o culto decisivo da divindade feminina. – Este se manifesta * a) no culto babilônico de Mylitta. Explicação deste último * b) na representação da divindade masculina provida de atributos femininos e inversamente, na troca dos trajes entre o homem e a mulher (= às apresentações miméticas da transição do masculino ao feminino), nas hieródulas etc… * As divindades masculinas-femininas implicam o conceito de relatividade * 2) ao aparecimento contemporâneo da deusa e do segundo Deus; este (= Dionísio), ainda todo nela, lhe é assim incorporado: a religião dos Árabes * Exegese da passagem de Heródoto: III, 8; explicação dos nomes de Urotal e de Alilat * Lição décima terceira * O ponto exato sobre nosso desenvolvimento científico * Dedução e resultado: o aparecimento simétrico de divindades masculinas e femininas, sua situação recíproca * O curso insensível do processo, referido ao //numen// divino que o rege * Comparação prévia entre os graus do processo mitológico e os momentos correspondentes da formação da natureza * O sofrimento gerado pelo trânsito do primeiro Deus * Caracterização mais precisa da situação inicial do segundo Deus, que doravante aparece ser autônomo – embora sempre em estado de negação * Debate sobre a importância da distinção entre as duas épocas do Deus: a época de sua subordinação e de sua negação, a época de seu reconhecimento como Deus. A maneira como este ponto tem, em suma, sido tratado até aqui na mitologia * Por que a primeira operação do segundo Deus é contrariada e desconcertante * Marcha simétrica da evolução mitológica e da história da filosofia grega * Lição décima quarta * Momento de Cronos: a religião dos Fenícios * Cronos = à segunda forma de Urano. Distinção entre o politeísmo relativamente sucessivo e o politeísmo absolutamente sucessivo * Outras discussões sobre a noção de Cronos. Interpretações idênticas dessa noção entre os Antigos * O primeiro passo para uma representação figurativa. Significação desse passo * Legitimação do conceito de fetichismo * O verdadeiro conceito da idolatria * O dilaceramento da consciência nesse momento do processo. Sinais exteriores desse estado * O conceito de deisidemonia * O aparecimento de sacrifícios humanos (de garotos) * Rejeição das explicações insuficientes a esse respeito * Transição para a explicação efetiva: o problema de um filho de Cronos – o Melkharth dos Fenícios * Onde se demonstra que Melkarth é filho de Cronos. A personalidade idêntica entre os Etíopes * A noção de Melkarth * Comparação entre este último e o servo de Deus odiado * Explicação positiva dos sacrifícios de garotos * Lição décima quinta * Episódio do Heracles grego. – Explicação prévia do Heracles egípcio * A relação entre o mito de Heracles e a mitologia grega geral * A significação dos Heraclidas * A fábula grega de Heracles apresentada segundo seus traços particulares como refundição da representação oriental * Retorno à mitologia em seu conjunto * Lição décima sexta * A segunda (e perfeita) materialização (catabole) do princípio real. Ela se encontra anunciada por Vorgiasmo * Representante desse progresso: a Mãe frígia dos deuses: Cibele. Etimologia desse nome * Momento simétrico na formação da natureza (formação da terra) * A pedra caída do céu, ícone de Cibele: da origem dos meteoritos (e das fontes termais) * A significação de Cibele, confirmada por seu modo de aparecimento * Lição décima sétima * Momento da coexistência de duas potências ou de dois deuses na consciência: o Osíris-Tífon dos Egípcios * Construção de Osíris-Tífon (aspecto teriomórfico dos deuses – momento simétrico da formação dos animais na natureza) * Esta construção se encontra atestada pelos enunciados da Antiguidade * O mito do dilaceramento * A relação que aparece entre deuses, uma vez resolvida a contradição Osíris-Tífon: Osíris é – em virtude da identificação entre Tífon superado e Osíris – soberano do mundo infernal (Hades = a Dionísio). Hórus = ao Osíris ressuscitado = a A . A noção de Hórus segundo Plutarco * Hórus criança (= ao Harpócrates grego) * Lição décima oitava * Conclusão do debate sobre as figuras isoladas da mitologia egípcia; a noção de Bubastis * Resultado de toda a mitologia egípcia: o triplo Osíris (= à tensão resolvida das potências). Nascimento do monoteísmo na teologia egípcia * O caráter desse monoteísmo enquanto aparecido na história explica a) o sistema calendário, b) a veneração de Tífon, parcialmente conservada. Os Tifonianos * Análise do sistema da teologia egípcia e de sua Tríade: Amon = ao Deus no recolhimento, Ptah = ao Deus em seu momento de expansão, Khnoum = ao Deus da unidade realizada * A relação entre o nascimento dessa teologia superior e os monumentos egípcios. Discussão sobre estes últimos, sobre sua relação com os períodos da história egípcia; das pirâmides em particular * Lição décima nona * Acordo entre nossa dedução da mitologia e da teologia egípcias, e as ordens egípcias de deuses em Heródoto. A primeira dessas ordens: os oito deuses mais antigos. Discussão particular sobre a relação entre Amon e Pã, depois entre o culto de Pã e o de Ptah * O Hermes egípcio como quarta divindade. Sua noção. Os Livros Herméticos * A octade completada pelas divindades femininas correspondentes. Entre elas, Hathor e Neith * A segunda geração de Heródoto: os doze deuses, apresentados como os deuses da época croniana – esta precedendo o ser especificamente egípcio – * A terceira ordem de deuses: os deuses do momento propriamente egípcio * Explicação do culto egípcio dos animais * Derivação do culto de Ápis * Lição vigésima * Transição para a mitologia indiana. Justificação do lugar que lhe é atribuído * Dedução do momento indiano em sua distinção do momento egípcio: a dissipação das potências como um dos aspectos do ser indiano: p. (435) – apresentado a) na noção de Brahman e de seu desaparecimento fora do culto: p. (441); b) no shivaismo: p. (444); c) no vishnuismo. Recusa da concepção de um Deus único situando-se acima das três //devatas// * Onde se mostra a sucessão exata das três //devatas// (Shiva antes de Vishnu), assim como sua conexão lógica, graças à doutrina das três qualidades (//tri-guna//) * A etimologia da Tríade indiana. A compreensão que dela temos se encontra confortada pelos monumentos artísticos * – Os momentos anteriores do processo mitológico na Índia, representados pelas seitas (//shaktas//, //shaivas//). Sua relação com o sistema das castas * Os deuses materiais da Índia e sua significação * Lição vigésima primeira * Derivação e significação do mito da encarnação. As encarnações de Vishnu * Análise da outra face da mitologia indiana – o misticismo – em consideração da significação do budismo e da tentativa de explicá-lo pelos sistemas indianos: 1) o sistema teosófico dos Vedas (Os Vedas: generalidades; suas partes e sua antiguidade – tendo em vista em particular as concepções de Colebrooke. Resultado: os Vedas não são um livro religioso especificamente indiano) * 2) os sistemas filosóficos da Índia (//Mimamsa//, (Vedanta), //Nyaya//, //Samkhya//) * Lição vigésima segunda * 3) A doutrina da //Bhagavad-Gita//. Sua doutrina do //Yoga//, em relação com a doutrina mística dos Vedas * Sua doutrina das três qualidades * Explicação positiva do budismo como fenômeno anti-mitológico, correspondente à religião de Mithra, portanto como uma doutrina da unidade não abstrata, mas encerrando em si mesma um dualismo – à semelhança da doutrina do Zend * Ausência de relação causal entre o brahmanismo e o budismo * Parentesco originário entre a Índia antiga e a Pérsia antiga * Prova de uma coexistência entre o budismo e o brahmanismo na Índia * Influência recíproca da mitologia indiana sobre o budismo. – A doutrina de //Maya// é também originariamente budista? Relação possível entre a //Mitra triformis// e a //tri-guna//. – A influência evidente do budismo sobre a mitologia indiana * O proselitismo budista. O budismo mongol (lamaico) * Lição vigésima terceira * Transição para a China. Definição do problema particular da explicação do ser chinês * O princípio originário da religião em sua significação – aqui modificada segundo seu único aspecto formal, – mas operando com a mesma exclusividade * Verificação histórica da justeza de nossa dedução, 1) a partir da noção de Império chinês, derivado do momento astral – na sequência de uma catástrofe: p. (527); 2) a partir da absolutidade e da estabilidade do Império chinês tal como se apresenta a) no interior: p. (529); b) no exterior. O Imperador – soberano do mundo, no sentido físico também * Interpretação do símbolo do Império chinês (o Dragão) * O caráter puramente mundano – a-sacerdotal – do Imperador chinês e da China * Lição vigésima quarta * A verdadeira razão da natureza monossilábica da língua chinesa – retorno sobre a língua primordial do gênero humano e a confusão das línguas – * Recusa de derivar o caráter da língua chinesa a partir de um estado de barbárie (Rémusat) * A escrita chinesa consequência da língua, e não o inverso (contra Rémusat) * A antiguidade dos Chineses – remontando à humanidade (absolutamente) ante-histórica * O lugar exato da China na evolução da mitologia * Transição para os sistemas religiosos existentes na China: 1) a doutrina de Confúcio; 2) o sistema de Lao Tsé; 3) o budismo * Lição vigésima quinta * Recapitulação. Nova caracterização do Indiano. A preponderância da alma no Indiano; sua compleição física e a plenitude de alma de sua poesia (//Shakuntala//) * Outros detalhes sobre o espiritualismo do Indiano, comparado ao materialismo do Egípcio * Transição para o momento grego * A trilogia das mitologias egípcia, indiana e grega * O ponto de partida da mitologia helênica em Cronos. Suas afecções (momentos) na consciência grega (Hades, Posêidon, Zeus) * Hades e Poseidon em relação de subordinação (de passado) em relação a Zeus * A exposição dessa relação na //Ilíada// * Liberdade e necessidade na formação da mitologia helênica * Pelasgos e Helenos (Heródoto: II, 52, 53) * Lição vigésima sexta * Caráter da mitologia grega como mitologia universal (como sistema teológico). Homero e Hesíodo: a diferença de sua situação em relação à mitologia grega * Primeira noção da //Teogonia//: o Caos * A noção simétrica à do Caos: o Jano da mitologia itálica antiga (ligação desta última com a mitologia helênica; observações sobre as mitologias germânica antiga e escandinava) * Dedução da noção de Caos e demonstração de que há um conteúdo idêntico na figura (o símbolo) de Jano * Os testemunhos antigos sobre a significação de Jano como unidade originária * O templo de Jano em Roma. Quirino = a Jano (o início da história romana. Niebuhr) * O testemunho de Ovídio * Etimologia de Jano. Derivação de Buttmann * Lição vigésima sétima * O primeiro período da //Teogonia//: 1) momento de Geia sendo para si = ao momento da primeira materialização do princípio originário, = ao momento do Sabismo ainda a-mitológico * 2) momento da primeira fundação do mitológico: os filhos de Geia e de Urano, a) os Titãs, b) os Ciclopes; seu estado de potencialidade * – A genealogia dos filhos da Noite como episódio filosófico da //Teogonia// * – Transição da //Teogonia// à época mitológica. A época de Cronos = ao momento do nascimento da mitologia grega. As divindades femininas correspondentes aos três filhos de Cronos: Héstia, Deméter, Hera. Héstia, Deméter e Perséfone, em sua relação recíproca * A significação do rapto de Perséfone. A fronteira entre exotérico e esotérico na mitologia grega * Fim e conteúdo dos Mistérios * Crítica das representações que se fizeram até aqui de Deméter e de Perséfone * A explicação dos Mistérios por Paulus * Como exotérico e esotérico se condicionam mutuamente na mitologia grega * Lição vigésima oitava * Diferença qualitativa entre o caráter da religião grega e o das religiões anteriores * A origem supostamente pós-homérica dos Mistérios e a significação de Homero * A compleição dos deuses homéricos * O primeiro receio na arte grega de representar deuses antropomórficos (os graus da arte plástica entre os Gregos) * Explicação desse receio, e considerações gerais sobre a arte antiga e a arte moderna * Lição vigésima nona * Relação entre o mundo grego dos deuses em seu conjunto, e Zeus * Em que medida certos deuses da mitologia grega aparecem a princípio como formais, para vir tomar lugar ulteriormente entre os deuses materiais (Ares. Hefesto) * A noção de Atena = à Perséfone restaurada, portanto à //tritogeneia// * Noção de Hermes. O caráter particular de duas divindades: Apolo e Ártemis * Como admitir igualmente autênticas invenções no seio da mitologia grega * Observações gerais sobre a filosofia da mitologia * Reflexão final {{indexmenu>.#1|tsort nsort nocookie}} {{tag>Schelling mitologia}}