====== Humano ====== //ROSENZWEIG, Franz. La Estrella de la Redención. Tr. Miguel García-Baró. Salamanca: Sígueme, 1997, p. 72-73// Portanto, também sobre o homem nada sabemos. E esse nada é apenas um princípio, e até mesmo apenas o princípio de um princípio. Também nele surgem e despertam as palavras originais: o Sim que cria, o Não que engendra, o E que configura. E o Sim cria, também neste caso, no Não-nada infinito, o ser verdadeiro, a essência. Qual é o verdadeiro ser do homem? O ser de Deus era ser absolutamente, ser além do conhecimento. O ser do mundo era no saber: era ser consciente, ser universal. Qual é, diante de Deus e do Mundo, a essência do Homem? Goethe nos ensina: “O que distingue os Deuses dos homens? Que diante daqueles passam muitas ondas; a nós, ao contrário, a onda nos eleva, a onda nos engolfa, e afundamos”. E o Eclesiastes nos ensina: “Uma geração se vai e outra vem; mas a Terra permanece eterna”. A fugacidade, o ser passageiro, alheio a Deus e aos deuses e, para o Mundo, a experiência desconcertante de sua própria força que se renova constantemente — isso é, para o homem, a atmosfera perpétua que o rodeia e que ele absorve e expele a cada respiração. O homem é perecível. O ser perecível é sua essência, assim como a essência de Deus é ser imortal e incondicional, e a essência do mundo, ser universal e necessário. O ser de Deus é ser no incondicionado; o ser do mundo, ser no universal; o ser do homem é ser no particular. O saber não está abaixo dele, como está em relação a Deus, nem ao seu redor e nele, como no caso do Mundo, mas está acima dele. O homem não está além da validade universal e da necessidade do saber, mas antes delas. Ele não está onde o saber termina, mas antes de ele começar. E é justamente porque está antes do saber que ele continua existindo depois e lança a todo o saber — por mais que este se tenha gloriado de tê-lo capturado por completo dentro dos limites de sua validade universal e de sua necessidade — seu grito de vitória: “Eu continuo existindo!”. É precisamente sua essência que não se deixa encaixotar; que sempre continua existindo; que, em sua particularidade, nunca se deixa intimidar pelo veredicto do universal; que sua própria particularidade não é para ele, como o Mundo gostaria, um acontecimento, mas o que lhe é próprio e auto-compreensível, sua essência. Sua primeira palavra, seu “Sim” originário, afirma seu próprio ser. No “Não” sem limites de seu nada, essa afirmação fundamenta sua particularidade, o que lhe é próprio, como sua essência. Um singular, portanto, mas não um singular como o singular do mundo, do qual, em um determinado momento, brotam singulares em série interminável, mas um singular no espaço vazio e sem limites; ou seja, um singular que nada sabe sobre outros singulares ao seu lado, que nada sabe, em geral, sobre o que está ao seu lado porque está por toda parte; um singular não como ato, nem como acontecimento, mas como essência perpétua. Esse ser próprio do homem é, portanto, algo distinto da individualidade que ele mesmo assume, enquanto fenômeno singular, dentro do mundo. Não se trata de uma individualidade que se separe de outras individualidades; não é uma parte, ao passo que o indivíduo confessa, justamente ao se agarrar à sua indivisibilidade, que ele próprio é uma parte. Esse ser próprio do homem não é, em si, infinito, mas está no infinito. É singular e, no entanto, é tudo. Ao seu redor, há o silêncio infinito do Não-nada humano. Ele é o som que ressoa nesse silêncio; algo finito e, no entanto, ilimitado. {{tag>Rosenzweig humano}}