====== 8 A consciência revolucionária: Os Ideólogos ====== //GUSDORF, Georges. Les sciences humaines et la pensée occidentale. 14 volumes. Paris: Payot, 1966–1988. Tomo VIII: La conscience révolutionnaire: Les Idéologues (1978)// * Introdução: O mistério da geração perdida * Os ideólogos relegados às lixeiras da história * O século XVIII dos especialistas franceses termina em 1778 * Vencidos pela história, os ideólogos são desconhecidos tanto pelos reacionários quanto pelos revolucionários do século seguinte * A Revolução e o Império como travessia de um deserto cultural * Sainte-Beuve: não se escreve O espírito das leis sob o Diretório * O subtenente Werther não teria cometido suicídio * A mobilização em massa * Alexandre Dumas: a espada ou a pena * Réquiem para os poetas * Os ideólogos seriam uma quantidade insignificante porque lhes foi negado o direito de existir * A conspiração do silêncio * Victor Cousin como árbitro das elegâncias filosóficas * Picavet: Os ideólogos (1891), uma obra de justiça * Os ideólogos como vítimas de pressupostos políticos e religiosos * Os ideólogos como inspiradores do liberalismo e do radicalismo * Mal compreendidos e desconhecidos, os ideólogos tornam-se ilegíveis porque suas obras são inacessíveis ou inéditas * Um escândalo bibliográfico: ausência de edições dos textos e de estudos críticos, salvo exceções * A proscrição após a morte * Pensadores engajados e representantes de uma nova consciência científica, os ideólogos foram obscurecidos pelo romantismo triunfante * O reconhecimento da dívida por Sainte-Beuve * A ideologia, filosofia aplicada ao conhecimento, dificilmente se enquadra na divisão do trabalho universitário * A bibliografia dos ideólogos dispersa pelos diversos domínios do conhecimento * A amplitude interdisciplinar dos ideólogos desafia os hábitos intelectuais dos atuais produtores de um saber fragmentado * Cabanis: o futuro da ciência * História do pensamento e história das instituições * A Ideologia nas estruturas constitucionais da Revolução Francesa * Teoria e prática: o Instituto Nacional e o dirigismo cultural * Os ideólogos frequentemente encontram-se do lado errado, mas em defesa de uma causa justa * É a história que toma um rumo desfavorável * O fracasso dos ideólogos corresponde ao fracasso da República da qual eram os conselheiros culturais * Os ideólogos procuraram levar a exigência enciclopédica à sua plena realização * A homenagem de Taine: «A ideologia é nossa filosofia clássica» * A atualidade persistente do empreendimento ideológico * Primeira parte * Seção I: A busca do sentido * Introdução * Os ideólogos como pensadores da Revolução, antes e durante seu desenvolvimento * Reforma do entendimento e reforma social * A confraria da boa senhora de Auteuil e a tarefa de submeter o mundo à razão * Historiografia da Revolução: leitura dos acontecimentos e leitura segundo a inteligibilidade * Os acontecimentos não passam de um rascunho * A Revolução segundo a ordem das razões * As interpretações do economicismo marxista * O ouro do Brasil, os salários e os preços como «causas» da Revolução, ou Cristóvão Colombo * Encadeamentos ilusórios * Portalis: política e ética * Por que não uma interpretação mística? * Saint-Martin: a Revolução como Revelação * A Revolução como código da existência humana e sistema de pensamento * Capítulo I. Revolução: a palavra e a ideia * A Revolução Francesa como mensagem axiológica original * A história da palavra: das revoluções circulares da astronomia pré-galileana à flecha do progresso indefinido * A contradição interna do sentido moderno em relação à etimologia * As oscilações do significado no século XVIII: Voltaire e Rousseau * A iminência de grandes transformações para melhor: fisiocratas, iluminados e filantropos * Os sonhos esclarecidos de regeneração política e social * O círculo da repetição e a tangente do progresso * A Revolução de 1789 impõe a ideia de uma inteligibilidade da ruptura * Revolução, período e golpe de Estado * A intenção revolucionária visa transformar o mundo e transformar o homem * O espaço mental de 1789 * A Guerra de Independência Americana não constitui uma revolução, mas a ruptura de um vínculo de dependência colonial * A intervenção francesa não possui caráter ideológico * Os americanos não aderiram à Revolução Francesa * A categoria «revolução» foi aplicada retrospectivamente a acontecimentos anteriores * Friedrich Schlegel: a Revolução Francesa como protótipo (Urbild) das revoluções * A Revolução ultrapassa a ordem política e alcança os domínios social e cultural * A Revolução como ruptura: em 1789, o país real impõe-se como país legal * A nova ordem mental precedeu a nova ordem política * Tocqueville: o progresso inevitável da democracia * O Antigo Regime preparou a Revolução por meio da centralização e da racionalização administrativa * Turgot como última oportunidade da monarquia * As ideias de Sieyès em 1788 e as baionetas de 1789 * Renan: o ano sagrado de 1789 * O messianismo revolucionário de Michelet * A Revolução como categoria antropológica e período axial da história segundo os pensadores do século XIX * O ano de 1830 reabilita 1789 * Volney e a Revolução prometeica * A doutrina da perfectibilidade e o conteúdo ideológico da nova era * Condorcet: revolucionário e contrarrevolucionário * A Revolução como ato de fé * Capítulo II. Por que a Revolução na França? * Revolução Francesa ou Revolução Atlântica? * A insurreição americana, tempestade em um barril de melaço, não possui pretensão transatlântica * A Revolução Francesa é universal, exemplar e irreversível * Uma experiência de pensamento decisiva realizada em poucas semanas * A opinião europeia reconheceu seu significado * A Revolução eclode em um país onde os abusos são menos flagrantes do que em outros lugares * A Inglaterra liberal consegue evitar a Revolução * O absolutismo francês torna necessária a Revolução * A oposição parlamentar não é progressista * A recusa das reformas precipita a Revolução * A monarquia francesa é uma das poucas da Europa que não são esclarecidas * Os filósofos franceses trabalham para a exportação * A maioria dos soberanos europeus tomou energicamente o partido das reformas * Luís XVI não é suficientemente esclarecido nem suficientemente déspota * A experiência de Turgot (1774-1776) * A Vida do senhor Turgot, de Condorcet (1786), enuncia os princípios de 1789 * Um programa de monarquia constitucional * O artigo Fundações da Enciclopédia: vontade privada e interesse público * Direitos feudais e privilégios * Um programa de reformas sem revolução * A Revolução sanciona o fracasso do cameralismo à francesa * Capítulo III. O Antigo Regime e o novo * Pascal como teórico do Antigo Regime: razão e autoridade * A antiguidade das leis como fundamento de sua verdade * O ano de 1789: da usurpação à razão * O aparecimento da expressão «Antigo Regime» consagra sua desqualificação * «Um magma de coisas seculares» * O novo regime define uma transformação irreversível * O conflito entre duas legitimidades * A Revolução não é uma utopia * O novo regime realiza uma axiomatização racional do domínio humano * O Antigo Regime como modo de ser e relação com o mundo * Transformar a vida * Guizot: é preciso combater sempre o Antigo Regime * O Antigo Regime transforma-se nos bons tempos de outrora * A doutrina do Antigo Regime é posterior ao seu desaparecimento * Joseph de Maistre e a «antiga constituição francesa» como ficção reativa e reacionária * Burke: reabilitação da tradição e autoridade da prescrição * As ilusões da razão e a sabedoria dos preconceitos * O julgamento do Iluminismo: direito histórico contra direito natural, instinto contra razão * Rumo ao debate romântico * Antigo Regime ou Contrarrevolução * O novo regime de 1789 inicialmente percebido como uma «esplêndida aurora» e um «fato da razão» * Capítulo IV. A nova ordem jurídica * O novo regime reproduz fielmente o modelo do direito natural adotado pelo Iluminismo * O cosmopolitismo estoico e a teocracia pontifícia * A ampliação renascentista dos horizontes do mundo provoca o retorno do direito natural * A cristandade não corresponde à humanidade * Da respublica christiana à respublica humana * A escola de Salamanca * A Reforma e a formação do direito natural e do direito das gentes * O dictamen rationis dessacralizado * Os constituintes transformam a lei natural em lei positiva * Teoria e prática na Inglaterra e na França * A Revolução Francesa representa a transformação do outro mundo neste mundo mediante deliberação racional * O papel dos filósofos do século XVIII * Direito natural e físico-teologia * Ordem natural e ordem humana * Soberania racional, contrato social e jus publicum europaeum * O papel dos juristas na Revolução * O testamento de Condorcet como esboço do espaço jurídico revolucionário * Totalitarismo racional * O possível e o real * «Nossa história não é nosso código» * Capítulo V. O espaço, o tempo * A cidade geométrica do século XVIII, a revolução arquitetônica e a arquitetura da Revolução * Uma constituição é uma cidade ideal * O urbanismo de Descartes entre a reforma e a Revolução * A Constituição de 1791 faz tábula rasa do Antigo Regime e das aquisições da história * O anti-historicismo de Volney * A Alsácia e os príncipes alemães * A negação do passado * O tempo revolucionário como tempo fragmentado e aberto a todos os acontecimentos * Chateaubriand como observador errante da Revolução e da juventude do mundo * A aceleração dos ritmos temporais * O curso do mundo muda de leito * A superabundância de sentido * O Grande Tempo revolucionário: supressão e renovação do tempo * O calendário revolucionário consagra a República como nova origem * A Revolução como novo messias em Proudhon * A cronologia da perfectibilidade indefinida * Capítulo VI. O homem * A Revolução realiza a substituição das elites * A antropologia revolucionária * Exaltação, sensibilidade e novos rituais e protocolos da vida social * O beijo de Lamourette * A personalidade do revolucionário: descompressão e compensação * Rumo a uma nova aristocracia * A revanche dos humilhados e ofendidos * Marat * Os membros da Convenção e a defesa das vantagens adquiridas * A Revolução como segunda oportunidade que precisa ser aproveitada * A primazia da vontade * O juramento revolucionário: a liberdade ou a morte * Camille Desmoulins e Madame Roland * A desvalorização da vida * A morte revolucionária: cadafalsos e suicídios * A Revolução como sistema educativo e estilo de vida * As formas convencionais: linguagem, vestuário, costumes, geografia, toponímia, mitos e imagens * O «vandalismo» revolucionário * Os novos emblemas como símbolos expressivos da Revolução * O conformismo pode servir de máscara aos contrarrevolucionários * O revolucionário autêntico como exceção destinada ao fracasso * Capítulo VII. A festa revolucionária * O relatório de Robespierre sobre as festas nacionais e a Festa do Ser Supremo (8 de junho de 1794) * As festas em Lyon * A festa tradicional como transfiguração do mundo e retorno à origem * Grande Tempo e Grande Espaço * Festa e civilização * A tecnologia revolucionária da festa como instrumento de governo * A mobilização da unanimidade e a encenação da mitologia republicana * Massa, comunidade e comunhão * A Revolução como festa espontânea * As jornadas revolucionárias e a Festa da Federação * Diderot e a festa cívica * Rousseau como teórico da festa democrática nos cantões suíços * A religião civil segundo o Contrato social e as concepções de Robespierre e Saint-Just * A festa como expressão da teocracia revolucionária e presença real do consenso social * A nacionalização das festas no âmbito da instrução pública * Condorcet: a festa como espetáculo político total * A festa teocrática de Robespierre e a sacralização da existência coletiva * O sistema de festas proposto por Sieyès e o programa de Robespierre * Programa máximo e programa mínimo * Festas regulares e festas excepcionais * O enfraquecimento da energia festiva durante a Convenção Termidoriana, quando se elabora uma doutrina das festas nacionais * O domingo recupera a primazia sobre o décadi * A religião civil sob a forma da Teofilantropia e seu fracasso durante o Diretório * As razões do fracasso da festa revolucionária * Seção II: Princípios da Revolução * Os revolucionários franceses transformam em ação as ideias iluministas * A encarnação da utopia na experiência * Capítulo I. Unificação, «adunação» * A exigência unificadora contra a multiplicidade irracional * A obra de José II * Unificação e absolutismo: o despotismo da razão * Unificação política, geografia e geometria * O nível de bolha e o feixe de lictor * A homogeneização administrativa da Assembleia Constituinte a Napoleão * O pensamento de Sieyès * A França dividida em quadrados: a embriaguez geométrica * O crime contrarrevolucionário da diferença na República una e indivisível * A padronização das medidas * O fracasso da cronometria republicana * A racionalização da língua e o jacobinismo linguístico * A cruzada de Grégoire pelo «aniquilamento dos dialetos» * O racional nem sempre é razoável * Burke contra o despotismo matemático dos tiranos de Paris * Um vandalismo da razão * Capítulo II. Constituição * A constituição como primeira tarefa das assembleias revolucionárias * O exemplo americano * A antiga França, embora desprovida de constituição explícita, não era um deserto jurídico * O caso do Império como espaço jurídico * A constituição como norma de racionalidade oposta ao empirismo tradicional * Soberania nacional e contrato coletivo * A formalização da ordem política * Leis fundamentais do reino ou norma do direito natural * A Revolução como advento da lei * Sieyès: a nação constituinte e a transferência dos poderes do rei para a nação * A ordem política transforma-se em um universo do discurso racional * A transformação da condição humana * Os limites do direito constitucional * Nenhuma constituição é imutável * A ameaça do juridicismo e a reforma da constituição * A incompatibilidade entre revolução e constituição * O problema da localização da autoridade entre monarquia, regime de assembleia e ditadura dos conselhos * A Revolução ou a ausência de segurança jurídica * A perplexidade de Robespierre no dia 9 de Termidor * Burke e a alienação jurídica dos franceses em oposição ao empirismo tradicional do regime britânico * A lógica contra o bom senso * Joseph de Maistre: o homem não possui o poder de criar uma constituição * Os direitos dos povos nunca são escritos * O governo dos homens não é um problema técnico, mas um mistério providencial * Capítulo III. Direitos do homem * Os direitos do homem como primeiros princípios metafísicos da ciência social, dotados de alcance cosmopolita * O frontispício religioso do novo contrato social * Os precedentes * O Pacto do Mayflower (1620) * A Declaração de Independência (1776) * Condorcet: a América como futuro da Europa * Mitos e realidades americanas * O documento de Jefferson como peça de acusação contra a Coroa inglesa * O caráter intemporal da Declaração francesa * A Declaração como síntese da nova lei destinada a toda a humanidade * As influências americanas sobre a Declaração francesa * O papel de Jefferson * Os revolucionários franceses instituem o Novo Mundo no interior do antigo * Capítulo IV. Igualdade * A prioridade da igualdade de direitos como princípio do direito natural * O ponto de vista de Voltaire e o socialismo igualitário de Morelly * A ideia de igualdade nos Estados Gerais * Volney, Sieyès e as reivindicações do Terceiro Estado * A questão dos privilégios e a substituição das elites, de Sieyès a Saint-Simon * Igualdade não significa igualitarismo * Cidadãos ativos e cidadãos passivos segundo as constituições revolucionárias * A lógica da igualdade exige o sufrágio universal: Condorcet * A democracia política ainda não constitui a verdadeira igualdade * Psicanálise do igualitarismo girondino * Os montanheses não ousam levar a democracia social às últimas consequências * O mito da igualdade plenamente exercida * A Conspiração dos Iguais * Laharpe: o igualitarismo é a negação da igualdade * Igualdade civil: os casos dos protestantes e dos judeus * As iniciativas do abade Grégoire * Os problemas do tráfico de africanos escravizados e da escravidão * A condição feminina: Olympe de Gouges * A Revolução não modificou a condição jurídica da mulher * Capítulo V. Liberdade * A Declaração dos Direitos do Homem como carta das liberdades civis * A prática revolucionária contradiz a teoria * A liberdade ou a morte * A tomada da Bastilha como símbolo abusivo * Das liberdades concretas do Antigo Regime à liberdade abstrata da Revolução * As análises de Condorcet e Tocqueville * A «liberdade querida» dos revolucionários é adiada para o futuro * Priestley e Lavoisier * Burke: a liberdade do louco ou do salteador * Nenhuma liberdade para os inimigos da liberdade: Saint-Just * As ambiguidades das liberdades * Liberdade formal e direitos do homem * O liberalismo econômico coloca em prática uma pseudoliberdade * Boas intenções e más realizações * Democracia ou demagogia * Os revolucionários votam a liberdade do mundo * Os franceses acabarão aderindo a Bonaparte * O liberalismo de Benjamin Constant * Capítulo VI. Propriedade * A propriedade inviolável e sagrada, inclusive para os montanheses * O diálogo entre Condorcet e Robespierre * Reminiscências de Rousseau * A ideologia comunista no século XVIII: Mably e Morelly * A Convenção não pretende alarmar os proprietários, motivo pelo qual é censurada pelos marxistas * A redistribuição dos bens dos contrarrevolucionários e os decretos de Ventoso não questionam o direito de propriedade * O protesto de Babeuf * Os proprietários são considerados mais cidadãos do que os demais * A Revolução não é proletária * Volney: somente o proprietário de terras é um homem completo * Daunou e Roederer * A justificação da herança como produto do trabalho * Propriedade fundiária e propriedade industrial segundo Benjamin Constant * A tradição do liberalismo * A crítica de Sismondi * Capítulo VII. Felicidade * A felicidade não constitui uma ideia nova * Não se trata de um eudemonismo libertino * Saint-Just como puritano da Revolução * Não é a felicidade de Persépolis * A eliminação da miséria * A frugalidade revolucionária à maneira de Esparta * Volney: a felicidade e os direitos da sensibilidade * Saint-Lambert: uma lógica da felicidade moderada * A política como sociologia da felicidade * A maior felicidade do maior número e as origens do utilitarismo: John Gay e Hutcheson * A economia política como ciência da felicidade geral * A compensação geral dos prazeres e dos sofrimentos * Capítulo VIII. Terror * O governo revolucionário não pratica a filantropia que professa * A injustiça artesanal do Antigo Regime e a injustiça industrial da Revolução * A Revolução poderia ter ocorrido sem o Terror? * O Terror começa em 14 de julho * O poder nas ruas * O Grande Medo e a Libertação de 1944 * A Revolução entre a ordem antiga e a nova * Quinet: a contradição entre os objetivos e os meios da Revolução * O Terror como fracasso da razão * Os ideólogos não foram terroristas * Julie Talma, Garat e as almas puras * O círculo vicioso da violência pura * O Terror como mediador entre Iluminismo e romantismo * O transbordamento do irracional * Os dirigentes são dirigidos * Os possessos da Revolução * O aniquilamento de Lyon * O triunfo da morte * O maniqueísmo revolucionário dos novos inquisidores * Condorcet e a pena de morte * O governo revolucionário e o Grande Terror * Robespierre e o despotismo da liberdade * Danton: o canhão da verdade * A demagogia da morte e a temporada no inferno * A psicologia do terrorista e a era da suspeita * Uma revolução dentro da Revolução * Como deter a Revolução? * O medo de Robespierre marcou o começo de Bonaparte * Segunda parte: A escola ideológica francesa * Seção I: Os ideólogos na Revolução * Capítulo I. De 14 de julho a 9 de Termidor * Os ideólogos como última geração do Iluminismo no contexto da Revolução, quando o pensamento recomeça do zero * Pensadores responsáveis diante dos perigos da história, no espaço mental de 1789 * Dos enciclopedistas ao grupo de Auteuil * Transformar a vida * Da Revolução triunfante de 1789-1792 ao Consulado e ao Império * Ensaio de estatística do entusiasmo revolucionário * Os ideólogos como jansenistas da Revolução democrática, hostis à demagogia passional * O homem de 1789 segundo Sainte-Beuve: Volney, Sieyès e Mirabeau * Rumo ao radicalismo da Terceira República * É preciso mudar de partido para permanecer fiel às próprias opiniões * Um complexo de fracasso? * Os intelectuais e o poder * Os ideólogos não são oradores, raramente são escritores e não pertencem aos círculos mundanos * O advento da província pedagógica * A República dos professores * Os sobreviventes dos «filósofos» recusaram a Revolução: Raynal e Morellet * Os ideólogos antijacobinos como emigrados no interior do próprio país * Robespierre denuncia os ideólogos e exalta Rousseau contra os enciclopedistas * Os ideólogos condenam o fanatismo e o entusiasmo sectário * Os homens da recusa e do silêncio: Condorcet, Garat e Daunou como juízes de Robespierre * Termidor inaugura o período de refluxo revolucionário * Capítulo II. Os ideólogos e a revolução cultural * A idade de ouro da Ideologia * A Ideologia salva a honra da República * A criação de uma infraestrutura cultural sobre as ruínas do Antigo Regime * A Década Filosófica como órgão oficioso da escola ideológica e instituição cultural * O Instituto Nacional e a classe de Ciências Morais e Políticas como principais centros da Ideologia * A organização da instrução pública * As Escolas Centrais, a Escola Normal do Ano III e seu fracasso * As escolas especiais * O Conservatório de Artes e Ofícios * O Museu de História Natural * A nacionalização da educação e da cultura * Capítulo III. Os ideólogos diante de Napoleão Bonaparte * Do Diretório ao Consulado * Os golpes de Estado substituem o Terror * A obsessão pela ordem * Os ideólogos apoiam o pronunciamento de 18 de Brumário * O general Bonaparte como ideólogo in partibus, novo Washington ou déspota esclarecido * O desencanto: a Concordata de 1801 * A ruptura * Bonaparte confere à palavra «ideólogo» um sentido pejorativo * A depuração do Tribunato e a reforma do Instituto * A supressão da classe de Ciências Morais * A travessia do deserto * A polícia de Fouché * Adeptos do regime ou mortos-vivos: o tempo do desprezo * A ambiguidade da atitude napoleônica * As vantagens materiais * O caso de Volney * O imperador sonhava com uma política cultural * Napoleão e Goethe * O Império não se torna liberal e os ideólogos aderem a Luís XVIII, rei constitucional * Tracy e Volney * Os antigos combatentes da Revolução integram-se à esquerda liberal da Restauração * Guizot restabelece a Academia de Ciências Morais e Políticas (1833) * Seção II: A epistemologia dos ideólogos * Capítulo I. Coerência da Ideologia: materialismo, ateísmo? * A solidariedade entre os ideólogos: Tracy, Cabanis e Lavoisier * Um empreendimento coletivo * Divergências e contradições internas * Refutação de determinadas críticas * Os ideólogos, Condillac e Cousin * A Ideologia como consciência da revolução democrática, reunida pela unidade de um projeto político e epistemológico * A acusação de materialismo e ateísmo * Cabanis: o cérebro e o pensamento * O agnosticismo de Cabanis não constitui um dogmatismo * Positivismo científico e rejeição das hipóteses * O vitalismo newtoniano de Barthez e a escola de Montpellier * A interdependência do físico e do moral como fenomenismo da realidade humana * A especificidade da vida * A ciência do homem é uma ciência humana * Monismo vitalista * Causas segundas e causas primeiras * A recusa da especulação metafísica * A Carta a Fauriel sobre as causas finais * Uma análise conjectural da afirmação religiosa * A religião de Cabanis * A escola ideológica compreende ateus e espiritualistas * O anticlericalismo dos ideólogos não se confunde com o ateísmo * Cabanis, Tracy e Volney apresentam apreciações divergentes sobre a mitologia * Capítulo II. Da metafísica à Ideologia * O centro de gravidade da Ideologia é uma epistemologia sensualista na tradição de Locke e Condillac * Lacretelle, o mais velho: a metafísica na Enciclopédia metódica (1786) * Da ontologia à teoria do conhecimento * Tracy como crítico de Kant * Turgot: a lei dos três estados * O positivismo experimental: Locke e d'Alembert * Uma epistemologia genética * Condorcet: da metafísica à filosofia geral como metodologia geral * Cabanis: a ciência dos métodos * As perplexidades de Condillac * Metafísica, análise do entendimento segundo Garat, análise das sensações e das ideias * Ideologia segundo Tracy * Ideólogo, termo possivelmente introduzido por Bonaparte * Ideologista e antropologia segundo Cabanis * Ideologia fisiológica e racional: Cabanis e Tracy * A Ideologia racional de Tracy engloba a gramática geral e a lógica * A Ideologia como ciência de síntese e teoria das teorias * Um intelectualismo panlógico fundado na análise das funções intelectuais * Rumo à axiomatização do universo do discurso * O programa de Tracy * Capítulo III. Análise * O campo de aplicação da Ideologia estende-se à cultura em seu conjunto * A análise como método universal e denominador comum da escola ideológica * A química de Lavoisier como linguagem bem construída * A análise química * Da percepção racional à construção do saber * A análise definida por Pinel e aplicada à medicina * Cabanis: análise descritiva, análise por decomposição e recomposição, análise histórica e análise dedutiva * A análise como caminho privilegiado da pedagogia e panaceia intelectual de toda uma época * Lamarck, Daunou e Volney: da biologia às ciências históricas e sociais * A Escola Normal do Ano III como universidade analítica e templo da análise * O fracasso do monismo analítico e do totalitarismo interdisciplinar * Capítulo IV. Ciência do homem * A. Antropologia * De uma teoria unitária do conhecimento à unidade do saber * A ciência do homem como novo conteúdo da filosofia a partir de David Hume * Hume como vítima da fascinação newtoniana * «Antropologia» na Alemanha e «ciência do homem» na França * Barthez e Diderot * O simplismo geométrico de Helvétius * A relação entre o físico e o moral na escola ideológica * A ciência do homem segundo Marat e Pierre Roussel * O aparecimento da palavra «antropologia» no vocabulário francês * Chavannes (1788), Cabanis (1805), François Péron (1800) e Moreau de la Sarthe (1801) * Antropologia física e antropologia moral como programa abrangente * B. Ciências morais e políticas, ciência social * O atraso epistemológico do domínio humano * Condorcet: pelo desenvolvimento das ciências políticas * A ciência humana segundo a Enciclopédia metódica * Do trivium das artes liberais à ciência do homem dos ideólogos * A ciência econômica de Quesnay e a política segundo Dupont de Nemours * A economia política na Inglaterra e a ciência política na Alemanha * Tecnologia e ciências econômicas na Universidade de Estrasburgo em 1792 * Condorcet: «ciências morais» e «ciências sociais» * Projeto epistemológico e intenção revolucionária * A conversão social da reflexão metafísica * A ciência do homem como programa interdisciplinar e pedra angular da civilização * A moral como ciência do homem ou ciência dos costumes * Por uma pedagogia do gênero humano * As ciências morais e políticas no Instituto Nacional * C. Matemática social * Condorcet procura superar a precariedade epistemológica das ciências humanas e conferir-lhes a solidez das ciências físicas * Turgot: a objetividade na economia política * Da Linguagem dos cálculos, de Condillac, à matemática social de Condorcet * A intervenção do cálculo das probabilidades * Tracy em busca de uma teoria geral dos signos e de uma álgebra do discurso * A língua universal segundo Condorcet e a escrita universal * As reservas de Garat * Tracy: a lógica possui autoridade sobre as matemáticas, e não o contrário * O empirismo experimental rejeita os pressupostos matemáticos a priori * A persistência do sonho de uma síntese unitária de toda inteligibilidade * D'Alembert e Laplace: passagem da análise ideológica à análise matemática * Condorcet: d'Alembert negligenciou o cálculo das probabilidades, que fornece às ciências sociais sua inteligibilidade específica * A tradição do conhecimento probabilístico, de Petty a Buffon e Kant * A matemática social de Condorcet como lógica do incerto * As múltiplas aplicações da matemática social à existência individual e coletiva * Problemas populacionais, psicologia dos motivos de credibilidade, teoria dos valores e dos preços * A matemática social na história do futuro * As reservas de Cabanis: matemática e medicina * O protesto de Laharpe * Tracy: a descrição matemática permanece aproximativa * O método estatístico segundo Laplace, continuador prudente de Condorcet * Auguste Comte exclui as matemáticas dos domínios da vida e do humano * A contestação de Quételet * A estatística como instrumento de governo que auxilia o progresso da humanidade do passado ao futuro * Seção III. Domínios * Capítulo I. O homem na natureza: Lamarck * Lamarck, o desconhecido * O Museu de História Natural e a história natural durante a Revolução * Da história natural à ciência natural * O neologismo «biologia» como expressão de uma nova compreensão da vida * Lamarck no Museu: os insetos e os vermes * Lamarck e a epistemologia dos ideólogos * Uma filosofia da zoologia * Da coleção à explicação dos fatos * Um pensamento cosmológico * A ordenação dos invertebrados como reabilitação epistemológica * A gênese cronológica da escala dos seres * Do mínimo vital ao máximo vital * O grau zero da animalização * A genealogia dos seres vivos, do elementar ao mais complexo * O transformismo de Lamarck segundo um movimento lento e progressivo * As circunstâncias exteriores e a espontaneidade da vida * A adaptação como desafio e resposta * Vitalismo antifinalista * Das moléculas animadas aos animais superiores * Órgão e função * A espécie humana submetida às leis gerais do transformismo * A gênese da humanidade * Um mutacionismo integral * A hidrogeologia e a meteorologia de Lamarck * Intuições prematuras * Rumo à ecologia * Lamarck como filósofo da natureza (Naturphilosoph) e visionário * O transformismo de Cabanis * Perfectibilidade e paleontologia * O debate transformista por volta de 1800 * O gênio e a solidão de Lamarck * Capítulo II. A antropologia médica: Cabanis, Bichat, Pinel * A ascensão social da medicina no século XVIII * A Revolução acelera esse movimento * Tracy e os médicos * Pinel introduzirá a medicina na filosofia * Cabanis como mestre da antropologia médica * O monismo da personalidade * O papel social do médico * A aplicação da análise à arte de curar * Por uma nova linguagem médica: a nosologia fundada na semiologia * Uma fenomenologia do olhar clínico * As Relações entre o físico e o moral do homem * A crítica de Cabanis a Condillac: a unidade originária dos sentidos * Um novo Tratado das sensações * Sensações e impressões: o sentido interno * A unidade sem fronteiras entre o físico e o moral * A Ideologia como parte da zoologia segundo Tracy * O homem e o meio * A teoria dos climas e o papel do ambiente físico e social * O aperfeiçoamento da espécie humana * A reforma dos hospitais e a patologia social * Os montanheses pretendem suprimir os hospitais * O médico como agente da moral * Pinel e a instituição do hospital psiquiátrico * A alienação mental como novo domínio epistemológico para a filantropia revolucionária * Uma nova compreensão do louco produz uma nova arquitetura dos asilos e uma renovação do tratamento * A desdramatização da doença mental na Europa * Pinel como fundador da escola psiquiátrica francesa * Os Anais médico-psicológicos como herança de Pinel * Bichat e a especificidade do domínio vital * As Pesquisas sobre a vida e a morte * A vida como sobredeterminação da ordem física * As duas vidas: vida orgânica e vida animal * A fisiologia como combinação dos tecidos * A influência de Bichat * Capítulo III. A antropologia cultural * A metodologia e a problemática dos ideólogos favorecem o desenvolvimento das ciências humanas * Da natureza à cultura * A nacionalização da pesquisa * A. Geografia * O estudo da inserção concreta do homem no meio físico e moral * O homem como agente geográfico * O espaço físico transforma-se em espaço mental * Da ciência dos lugares à ciência do homem * O financiamento da pesquisa e a política dos Estados * Os progressos científicos e técnicos * As expedições como academias flutuantes: Bougainville e Cook * A geografia militante como síntese interdisciplinar * As Instruções para os viajantes, de Lineu a Niebuhr e Ramond * A obra geográfica dos ideólogos * A reforma da linguagem geográfica * O ensino da geografia: Buache e Mentelle * A ligação com a antropologia e a geografia humana * A geografia como olho da história * Volney como viajante no Egito, na Síria e nos Estados Unidos * Um observador antirromanesco: clima, população e costumes * O método analítico * As Questões de estatística * B. Etnografia, antropologia * O neologismo «etnografia», da Alemanha à França * Povos naturais (Naturvölker), segundo Herder * Natureza e cultura em Rousseau na perspectiva da história da humanidade * Por um novo estudo das sociedades arcaicas * O selvagem como o outro e o mesmo * Por uma desmistificação * A Sociedade dos Observadores do Homem (1799): Louis François Jauffret * A metodologia da ciência do homem e o empirismo experimental * A expedição do capitão Baudin e sua preparação científica * Degérando: Considerações sobre os diversos métodos a seguir na observação dos povos selvagens como modelo de instruções etnográficas * As Observações sobre a antropologia, de François Péron * Rousseau como obstáculo epistemológico * Volney e os peles-vermelhas * O museu de etnografia * Da filogênese à ontogênese: o selvagem de Aveyron * Pinel e Itard * C. História * A história é admitida entre as disciplinas dos programas pedagógicos, mas como história filosófica dos povos segundo Condorcet * A história vinculada às ciências morais e políticas como disciplina auxiliar * As Lições de história, de Volney * A crítica da mito-história antiga ensinada nos colégios * A história perpetua o quadro das loucuras humanas * «Nossa história não é nosso código» * Preservar as crianças da contaminação histórica * O conhecimento histórico pode alcançar a dignidade racional e a utilidade social * O método de análise aplicado à história * Volney como Bossuet da República * O Curso de estudos históricos, de Daunou, antigo diretor dos arquivos do Império * Um representante tardio da Ideologia no Colégio de França, em luta contra a onda romântica * A oposição à história centrada nos acontecimentos * Ciência dos fatos e prática dos valores * As instituições sociais e a importância da economia * A exigência de rigor metodológico será imposta aos historiadores românticos * O elogio de Daunou por Augustin Thierry * D. Ciência literária * Os ideólogos, juntamente com Madame de Staël, como fundadores do conhecimento literário moderno * A noção de literatura segundo Da literatura (1800) * O abandono da estética intemporal dos clássicos * A literatura no contexto social da cultura * A contextualização histórica da obra literária * A nacionalização das culturas: a literatura passa a ser concebida no plural * A ampliação do horizonte crítico na Alemanha: os historiadores da literatura * O fim do monoteísmo cultural dos franceses * Pluralização e relativização * Ginguené: História literária da Itália * As literaturas em reciprocidade de influências * Uma nova problemática * A literatura europeia forma um conjunto solidário desde a Idade Média * As correntes entrelaçadas da nova compreensão * Simonde de Sismondi: A literatura do sul da Europa * As origens do comparatismo * Os trabalhos de Claude Fauriel e as origens da literatura mundial (Weltliteratur) * Comparatismo literário e comparatismo linguístico * As etimologias da cultura europeia * Augustin Thierry e Fauriel * E. Ciência econômica * O pensamento econômico de Condillac * O grau zero da vida econômica * O trabalho e a dialética das necessidades * Comércio e governo no liberalismo de Condillac * O fracasso do liberalismo econômico revolucionário * A crítica de Roederer * A economia política na Escola Normal do Ano III * A economia transforma-se em ciência do homem no contexto da expansão industrial * O pensamento econômico do ideólogo Jean-Baptiste Say * Economia política e consciência cívica * O trabalho e o capital acrescentam-se à natureza * A análise dos fatos econômicos e a retificação da linguagem * Na economia, o espírito de sutileza deve prevalecer sobre o espírito geométrico e a formalização matemática * A economia como fisiologia social * O futuro do maquinismo e a recusa das evidências desfavoráveis * A objeção de consciência de Sismondi * O radicalismo socialista sucede ao liberalismo * A antropologia econômica de Tracy situa-se aquém dessa ruptura * Propriedade e personalidade * A teoria do valor-trabalho * A dialética genética da produção * Individualismo político e democracia liberal * Conclusão * Apesar do injusto esquecimento, os pensadores da Revolução tiveram discípulos ilustres no século XIX: Michelet, Stendhal, Sainte-Beuve e Balzac * Não existe ruptura real entre a Ideologia e o ecletismo * A tradição da República liberal * As filiações internacionais da Ideologia * Tracy e os Estados Unidos: Jefferson * Ideólogos in partibus: Alexander von Humboldt e Georg Forster * Jeremy Bentham e os radicais da Inglaterra e da Escócia * James Mill e John Stuart Mill * As influências ideológicas sobre Karl Marx e na Itália * O esquecimento dos ideólogos seria apenas consequência de uma perseguição injusta? * No debate romântico, os ideólogos representam os homens do passado * O grupo de Coppet, aberto aos valores estéticos, prepara os caminhos da nova sensibilidade * Os ideólogos não realizaram a revolução não galileana * Os últimos espíritos esclarecidos e o triunfo das almas sensíveis {{tag>Gusdorf ciência história revolução ideólogos}}