====== Nascimento da clínica ====== //FOUCAULT, Michel. Naissance de la clinique: Une archéologie du regard médical. Paris: Presses Universitaires de France, 1963.// * Prefácio * Capítulo I. Espaços e classes * Capítulo II. Uma consciência política * Capítulo III. O campo livre * 1. O questionamento das estruturas hospitalares * 2. O direito de exercício profissional e o ensino médico * Capítulo IV. A velhice da clínica * Capítulo V. A lição dos hospitais * 1. As medidas de 14 de Frimário do Ano III * 2. Reformas e discussões nos Anos V e VI * 3. A intervenção de Cabanis e a reorganização do Ano XI * Capítulo VI. Dos signos e dos casos * 1. Os sintomas constituem uma camada primária indissociavelmente significante e significada * 2. É a intervenção de uma consciência que transforma o sintoma em signo * 3. O ser da doença é inteiramente enunciável em sua verdade * Capítulo VII. Ver, saber * Capítulo VIII. Abram alguns cadáveres * Capítulo IX. O invisível visível * 1. Princípio da comunicação tecidual * 2. Princípio da impermeabilidade tecidual * 3. Princípio da penetração em espiral * 4. Princípio da especificidade do modo de ataque aos tecidos * 5. Princípio da alteração da alteração * Capítulo X. A crise das febres * Conclusão * Bibliografia * I. Nosologia * II. Polícia médica e geografia médica * III. Reforma da prática e do ensino * IV. Os métodos * V. Anatomia patológica ---- **Resenha de Frédéric Gros** 1. Naissance de la clinique, de 1963, prolonga as primeiras análises de Foucault e abre ao mesmo tempo novos caminhos. 2. O método recusa as facilidades do comentário, que diz o que o texto não diz explicitamente através do que diz, para tomar os textos no nível de sua organização, buscando por trás do que é dito não uma significação detida de antemão, mas a disposição fundamental que permite dizer isto por não se poder dizer outra coisa e ver isto por não se poder ver outra coisa, pois a historicidade real da medicina reside no deslocamento das estruturas que permitem ver e dizer um domínio de objetos, o espetáculo do mundo nunca é dado sem a gramática que o articula e todo saber, antes de ser verdadeiro ou falso, é uma maneira histórica de recortar e articular uma região do mundo, cuja busca como fundação constitui sua arqueologia. 3. O Raymond Roussel, publicado no mesmo ano, é, através do estudo minucioso da obra de Roussel, uma exaltação poética dessa maneira de fazer girar o que se vê sobre o que se diz, com máquinas discursivas produtoras de imagens, como em Impressions d'Afrique e Locus Solus, e paisagens tagarelas, como em La Vue. 4. Por meio da medicina interroga-se o momento histórico da articulação de um discurso de verdade sobre o homem e da constituição do homem como animal de verdade, em que a positividade humana se forma a partir de uma figura de abismo, uma negatividade transcendental, sendo a morte, como antes a loucura, a iluminação sombria da verdade, e esse momento antropológico ganha nova dimensão ao ler-se também como jogo da finitude radical e experiência irredutível do limite. 5. O saber positivo sobre o homem encontra assim seu perfeito eco no novo lirismo que, de Hölderlin a Bataille, canta o afrontamento não dialético do ser e do limite, de modo que a monótona planura das ciências humanas e a poesia incandescente da transgressão pertencem à mesma experiência moderna. {{tag>Foucault Gros clínica medicina}}