====== Chastel ====== André Chastel //CHASTEL, André. Fables, formes, figures. Paris: Flammarion, 2000.// Certa vez, alguém perguntou qual seria o melhor manual de iconografia e simbolismo. A resposta é famosa: leia a Bíblia. Se acrescentássemos: leia Homero, Virgílio e Ovídio, teríamos boas chances de chegar às próprias fontes do conhecimento que buscamos compreender. Desde que, é claro, nos interessemos por suas contínuas reviravoltas, e desde que também compreendamos que esses textos canônicos estão repletos — e não poderiam deixar de estar repletos — do que chamamos, com acerto, de “descrições involuntárias” captadas no tecido verbal. “Quando o versículo 13 do Salmo XC diz super aspidem et basiliscum ambulabis et conculcabis leonem et draconem, ele descreve um tipo babilônico de deus ou herói triunfando sobre um animal ou um par de animais, de onde surgirá mais tarde o tipo de São Miguel lutando contra o dragão, das Virtudes dominando o Mal”, etc. (E. Panofsky). Os motivos apresentam-se sempre, desde a origem, em versão dupla, verbal e figurada, pela simples razão de que a poesia bíblica ou antiga é metafórica e que as formas arcaicas são simbólicas.