====== a ação (1961) ====== O que eu chamo de Ação e o que quero mostrar ao estudá-la? É um estudo metafísico e moral. No corpo, a ação ressoa por toda parte: conexão e difusão dos reflexos, consciência virtual, especialmente no ato que comunica a vida e resume em uma célula o ser inteiro. Existe, portanto, uma consciência obscura e permanente de todas as partes, condição da personalidade. Sem esse impessoal vagamente percebido, estaríamos vazios. É saindo de nós mesmos e nos apegando a outros objetos que possuiremos melhor. É isso que compreenderemos ao nos apegarmos a Deus; e em relação a todas as partes do nosso corpo, a todos os seres do nosso ser, a todos os outros membros da Igreja, sentiremos que somos os chefes de um povo numeroso. Sinergia no espírito: associação e, sobretudo, razão. A razão tem seu centro em Deus e liga tudo a ele. A paixão também tem seu centro, mas em um objeto pobre, e submete tudo a ele, até mesmo Deus. Ora, não agimos sem razão, sem Deus. Sinergia na vida moral: melhor do que solidariedade, caridade, amor, ato, paixão, contemplação. Na ação está presente ou representada a plenitude do poder, o excesso da vida, a flor do ser. Na operação voluntária, nos sentimos como pessoas distintas e desfrutamos infinitamente: empregamos o infinito a nosso serviço. A liberdade não é apenas a escolha, é o uso ou o abuso de Deus. No sofrimento resignado, sentimos o poder imenso de tudo o que não somos nós: é a ação de Deus sobre nós, a sua alegria na nossa tristeza, a sua vida na nossa morte. Na contemplação pura do Bem soberano, unimos tudo o que somos, esse pouco, capaz, no entanto, de tanto sofrer, ao ato infinito, incessante, imenso de Deus. Deus summus.