zizek:ich-fichte-sujeito-hegel
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Next revision | Previous revision | ||
| zizek:ich-fichte-sujeito-hegel [28/01/2026 09:39] – created mccastro | zizek:ich-fichte-sujeito-hegel [17/02/2026 18:34] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== 1. DO EU DE FICHTE AO SUJEITO DE HEGEL ====== | ||
| + | MML | ||
| + | |||
| + | * A resposta retroativa de Fichte como caso paradigmático | ||
| + | * O caso mais interessante de uma resposta retroativa é a filosofia tardia de Fichte | ||
| + | * Ele responde (implicitamente ou explicitamente) a seus críticos, principalmente Schelling | ||
| + | * Esta resposta é mais audível na mudança do Eu auto-posto para o Ser divino assubjetivo como fundamento último de toda realidade | ||
| + | |||
| + | * A descrição sucinta da mudança fundamental na doutrina de Fichte | ||
| + | * No período de Jena (1794–1799), | ||
| + | * Após 1800, o Eu fornece a forma (Ichform, " | ||
| + | * O fundamento já não é identificado com o Eu enquanto Eu absoluto, mas com algo absoluto anterior e originalmente independente do Eu (Seyn, " | ||
| + | * Em contraste, o Eu enquanto forma-Eu é o modo básico para a aparição do absoluto, que não aparece a si mesmo e como tal | ||
| + | |||
| + | * A precisão necessária na leitura desta mudança | ||
| + | * Não se trata simplesmente de Fichte " | ||
| + | * Se alguma coisa, é só agora (após Jena) que Fichte compreendeu corretamente a característica básica do Eu | ||
| + | * O Eu é "como tal" uma cisão do Absoluto, a " | ||
| + | * Em outras palavras, a noção do Eu como fundamento absoluto de todo ser " | ||
| + | |||
| + | * A limitação de Fichte: a questão crucial da aparição | ||
| + | * Fichte não é capaz de formular claramente este insight; sua limitação é discernível na resposta errada que dá à questão crucial | ||
| + | * A pergunta: a quem o Absoluto aparece na forma-Eu? A resposta de Fichte: à aparência (subjetiva), | ||
| + | * O que ele não consegue afirmar é que, ao aparecer ao sujeito, o Absoluto também aparece a si mesmo | ||
| + | * Ou seja, que a reflexão subjetiva do Absoluto é a autorreflexão do Absoluto | ||
| + | |||
| + | * O texto-chave: | ||
| + | * Nas versões iniciais, a estratégia de Fichte é o procedimento idealista-subjetivo padrão de denunciar criticamente a noção " | ||
| + | * Deve-se dissipar esta ilusão necessária da realidade objetiva independente implantando sua gênese subjetiva | ||
| + | * Aqui, o único Absoluto é a atividade de auto-posição espontânea do Eu absoluto: o Eu absoluto designa a coincidência de ser e agir | ||
| + | * O passo atrás de 1812: a desmistificação da absolutição do próprio Eu | ||
| + | * Em 1812, Fichte dá um passo atrás: "já não é a absolutição das coisas que é desvelada como uma ilusão inevitável, | ||
| + | * A auto-posição do Eu é em si uma aparência ilusória, uma " | ||
| + | * A reação de Madame de Stael ao Eu absoluto auto-posto de Fichte já apontava para este paradoxo (o Barão de Münchhausen) | ||
| + | |||
| + | * A dupla mediação necessária na aparição do Absoluto | ||
| + | * O Absoluto aparece, como a vida nos ensina; aparecer como Absoluto significa que deve trazer à luz seu próprio oposto, um não-Absoluto | ||
| + | * Este não-Absoluto é a aparência do Absoluto; a aparência é também aquela à qual o Absoluto aparece | ||
| + | * Assim, o Absoluto só pode aparecer à aparência se, ao mesmo tempo, seu oposto, a aparência, também aparecer à aparência | ||
| + | * Não há aparecimento do Absoluto sem um aparecer da aparência a si mesma, ou seja, sem reflexividade da aparência | ||
| + | * A inscrição do corte entre aparência e Ser no próprio domínio do aparecer | ||
| + | * Se, no aparecer do Absoluto, o Absoluto aparece como Absoluto, isso significa que deve aparecer como absoluto em contraste com outras meras aparências | ||
| + | * Deve haver um corte no domínio das aparências, | ||
| + | * A fenda entre aparência e verdadeiro Ser deve inscrever-se no próprio domínio do aparecer | ||
| + | |||
| + | * O perigo da mera " | ||
| + | * O que esta reflexividade do aparecer significa é que o Absoluto também se expõe ao perigo de meramente " | ||
| + | * A aparição do Absoluto transforma-se na aparência (enganadora, | ||
| + | * A ilusão, neste nível, não é mais tomar a aparência pelo ser, mas tomar o ser pela aparência | ||
| + | * O único " | ||
| + | * O erro que Fichte não vê: tomar o ser por imagens | ||
| + | * Quando Fichte escreve que "todo erro sem exceção consiste em tomar imagens por ser", ele perde o erro oposto | ||
| + | * O erro de tomar o ser por imagens, ou seja, de tomar como mera imagem do ser verdadeiro o que é efetivamente o próprio ser verdadeiro | ||
| + | * Neste nível, deve-se aceitar a conclusão teológica derridiana: " | ||
| + | |||
| + | * A segunda metade da dupla mediação: a aparição da própria aparência | ||
| + | * Se o Absoluto deve aparecer, o próprio aparecer deve aparecer a si mesmo como aparecer | ||
| + | * Fichte concebe este auto-aparecer da aparência como autorreflexão subjetiva | ||
| + | * Ele está certo em endossar uma abordagem crítica em duas etapas (primeiro do objeto à sua constituição subjetiva, depois a implantação meta-crítica da gênese do miragem abissal da auto-posição do sujeito) | ||
| + | * O erro de Fichte sobre a natureza do Absoluto que fundamenta a subjetividade | ||
| + | * O Absoluto do Fichte tardio é um em-si transcendente imóvel, externo ao movimento de reflexão | ||
| + | * O que Fichte não consegue pensar é a " | ||
| + | * Ele perde como, precisamente, | ||
| + | * Esta dinâmica imanente não faz do Absoluto mesmo um sujeito, mas inscreve a subjetivação em seu próprio núcleo | ||
| + | |||
| + | * A identidade especulativa dos dois polos extremos | ||
| + | * O que Fichte não conseguiu apreender é a identidade especulativa do Ser absoluto puro e da aparência que aparece a si mesma | ||
| + | * A reflexividade da auto-posição do Eu é, literalmente, | ||
| + | * Aí reside a ironia objetiva do desenvolvimento de Fichte: o filósofo da auto-posição subjetiva acaba reduzindo a subjetividade a uma mera aparência de um em-si absoluto imóvel | ||
| + | * A reprovação hegeliana adequada a Fichte | ||
| + | * A reprovação hegeliana adequada a Fichte não é que ele seja muito " | ||
| + | * A mudança de seu pensamento para o Absoluto assubjetivo não é uma reação ao seu subjetivismo excessivo anterior, mas uma reação à sua incapacidade de formular o núcleo da subjetividade | ||
| + | |||
| + | * A verdadeira novidade de Hegel diante da tríade pós-kantiana | ||
| + | * A verdadeira novidade de Hegel pode ser vista em relação à designação padrão do desenvolvimento pós-kantiano como formando a tríade do idealismo " | ||
| + | * A designação da // | ||
| + | * Todo o ponto de sua filosofia da identidade é que o idealismo subjetivo e o objetivo são duas abordagens do Terceiro, o Absoluto além da dualidade de espírito e natureza | ||
| + | * O ponto hegeliano: não há necessidade de um terceiro elemento além de sujeito e objeto-substância | ||
| + | * Neste sentido, é sem sentido chamar a filosofia de Hegel de " | ||
| + | * Seu ponto é precisamente que não há necessidade de um terceiro elemento, o meio ou fundamento, além de sujeito e objeto-substância | ||
| + | * Começamos com a objetividade, | ||
| + | * Quando, na dialética hegeliana, temos um par de opostos, sua unidade não é um terceiro, um meio subjacente, mas um dos dois | ||
| + | * Um gênero é sua própria espécie, ou um gênero, em última instância, tem apenas uma espécie, razão pela qual a diferença específica coincide com a diferença entre gênero e espécie | ||
| + | |||
| + | * As três posições globais: metafísica, | ||
| + | * Na primeira, a realidade é simplesmente percebida como existindo lá fora, e a tarefa da filosofia é analisar sua estrutura básica | ||
| + | * Na segunda, o filósofo investiga as condições subjetivas de possibilidade da realidade objetiva, sua gênese transcendental | ||
| + | * Na terceira, a subjetividade é reinscrita na realidade, mas não simplesmente reduzida a uma parte da realidade objetiva | ||
| + | * A transposição do corte de volta na realidade como seu próprio esvaziamento | ||
| + | * Embora a constituição subjetiva da realidade, o corte que separa o sujeito do em-si, seja plenamente admitida, este mesmo corte é transposto de volta na realidade como seu auto-esvaziamento kenótico | ||
| + | * A aparência não é reduzida à realidade; o próprio processo de aparecer é concebido do ponto de vista da realidade | ||
| + | * A questão não é "Como, se for o caso, podemos passar da aparência à realidade?", | ||
| + | |||
| + | * A reflexão hegeliana como oposta à abordagem transcendental | ||
| + | * A reflexão hegeliana é o oposto da abordagem transcendental que regride reflexivamente do objeto para suas condições subjetivas de possibilidade | ||
| + | * Mesmo a filosofia após a " | ||
| + | * Aqui, "o significado cai no significante", | ||
| + | * A torção reflexiva adicional da reflexão dialética | ||
| + | * O que a reflexão dialética acrescenta a isto é outra torção reflexiva, que fundamenta o próprio lugar subjetivo-transcendental da enunciação no " | ||
| + | * Aqui, "o significante cai no significado", | ||
| + | * O exemplo da explicação falhada de um termo | ||
| + | * Quando tentamos explicar o significado de um termo X, engajamo-nos em propor uma vasta série de sinônimos, paráfrases, | ||
| + | * Através do próprio fracasso de nosso esforço, circunscrevemos um lugar vazio, o lugar da palavra certa, precisamente a palavra que estamos tentando explicar | ||
| + | * Em algum ponto, após nossas paráfrases falharem, tudo o que podemos fazer é concluir: "Em suma, é X!" | ||
| + | * Se, através de nossa paráfrase fracassada, circunscrevemos com sucesso o lugar do termo a ser explicado, esta conclusão pode gerar um efeito de insight | ||
| + | |||
| + | * A definição formal de sujeito como falha da representação significante | ||
| + | * Um sujeito tenta articular-se em uma cadeia significante, | ||
| + | * O sujeito é a falha de sua representação significante; | ||
| + | * O exemplo da carta de amor como prova através da falha | ||
| + | * O próprio fracasso do escritor em formular sua declaração de forma clara e eficiente, suas oscilações, | ||
| + | * Aqui, o próprio fracasso em entregar a mensagem adequadamente é o sinal de sua autenticidade | ||
| + | * Se a mensagem é entregue de forma suave, suspeita-se que seja parte de uma abordagem bem planejada, ou que o escritor ame a si mesmo, a beleza de sua escrita, mais do que seu objeto de amor | ||
| + | |||
| + | * A reversão dialética como deslocamento do predicado para a posição de sujeito | ||
| + | * A reversão dialética é, em sua forma mais radical, a mudança do predicado para a posição de sujeito | ||
| + | * Exemplo: da afirmação de que "a essência da mulher é dispersa, elusiva, deslocada", | ||
| + | * Este é o deslocamento dialético no qual o próprio predicado se transforma em sujeito | ||
| + | * O sujeito como predicado subjetivizado | ||
| + | * O sujeito "como tal" é um predicado subjetivizado; | ||
| + | * O caso supremo deste deslocamento constitutivo da dimensão da subjetividade é o da suposição | ||
| + | |||
| + | * A estrutura da suposição e os quatro elementos do discurso | ||
| + | * Lacan desenvolveu primeiro a noção do analista como o " | ||
| + | * Ele logo percebe que está lidando com uma estrutura mais geral de suposição na qual uma figura do Outro não só é suposta saber, mas também pode acreditar, gozar, chorar e rir, ou até não saber por nós | ||
| + | * Esta estrutura de pressuposição é limitada e constrangida pelos quatro elementos do discurso (S1, S2, *a//, $) | ||
| + | * O sujeito ($) como a própria estrutura de suposição | ||
| + | * S1 – sujeito suposto acreditar; S2 – sujeito suposto saber; //a// – sujeito suposto gozar | ||
| + | * E quanto a $? Teríamos um " | ||
| + | * O sujeito nunca é diretamente " | ||
| + | * É meramente um vazio cintilante " | ||
| + | * A passagem hegeliana do sujeito ao predicado na própria noção de sujeito | ||
| + | * Do sujeito suposto a... para o próprio sujeito como uma suposição | ||
| + | * O sujeito é o X ausente que tem que ser suposto para dar conta desta torção reflexiva, desta distorção | ||
| + | * O sujeito é inacessível a si mesmo como Coisa, em sua identidade noumenal, e, como tal, é para sempre assombrado por si mesmo como objeto | ||
| + | * Não só os outros são uma suposição para mim, eu mesmo não sou menos uma suposição para mim mesmo: algo a ser presumido, nunca acessado diretamente | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
