simon-frank:start
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Both sides previous revisionPrevious revisionNext revision | Previous revision | ||
| simon-frank:start [29/01/2026 15:04] – mccastro | simon-frank:start [17/02/2026 14:00] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== Simon Frank ====== | ||
| + | ~~NOCACHE~~ | ||
| + | |||
| + | Simon Frank (1877-1950) | ||
| + | |||
| + | Prefácio de //FRANK, Simon. La connaissance et l’être. Paris: Aubier, 1937// | ||
| + | |||
| + | É um traço bastante frequente da história intelectual da Rússia que um renascimento da espiritualidade nela emane dos esforços concertados de um grupo de amigos associados. Do mesmo modo que a música russa foi renovada no século XIX pelos Cinco, um despertar metafísico, | ||
| + | |||
| + | Para mais de um destes filósofos, o idealismo serviu de intermediário entre as doutrinas de que haviam reconhecido a insuficiência e seu pensamento ulterior, ontológico e religioso. É assim que, após um trabalho sobre a moral de Nietzsche, Frank fez aparecer, em 1902, numa coleção publicada pelo grupo filosófico de que se acaba de falar, uma obra sobre Os Problemas do Idealismo: seu fito era franquear a via a este esforço intelectual para ultrapassar o materialismo e o positivismo, | ||
| + | |||
| + | A carreira social de Simon Frank foi uma carreira universitária. De 1907 a 1917, foi docente na Universidade de São Petersburgo e professor na escola de ensino superior feminino da mesma cidade; de 1917 a 1921, professor ordinário e decano da Faculdade de Filosofia (filologia e história) da Universidade de Saratov; enfim, em 1921-1923, tornou-se professor ordinário na Universidade de Moscou; e assegurou, com Berdiaev, a direção, em Moscou também, de uma Academia para a cultura espiritual que era uma associação independente. — Em 1922, por causa de sua oposição ao materialismo, | ||
| + | |||
| + | A obra intelectual de Simon Frank é agora considerável. Antes da obra que traduzimos hoje, publicou, em 1910, Filosofia e Vida. Ao mesmo período que O Conhecimento e o Ser pertence um livro, A Alma do homem, que é apresentado como uma introdução ontológica à psicologia. De Berlim, fez aparecer, seja em russo, seja em alemão, estudos pertencentes a partes muito diferentes da filosofia. Prepara a publicação em alemão de uma obra consagrada a fundar, do ponto de vista da teoria do conhecimento e do da ontologia, a mística especulativa. Se fosse necessário determinar a influência que exerceu sobre o pensamento alemão de nosso tempo, é sem dúvida a filosofia de Nicolai Hartmann que traria o testemunho mais importante. | ||
| + | |||
| + | O historiador da filosofia poderia buscar no pensamento de Simon Frank o prolongamento de filosofias anteriores. Plotino e Nicolau de Cusa são os dois modelos sob o patrocínio dos quais ele coloca, nem que seja por numerosas referências, | ||
| + | |||
| + | O que importa, com efeito, no ato de pensamento, não são os elementos que uma análise pode desvelar em sua expressão, é a harmonia na qual se encontram fundidos e, antes dela, a inspiração da qual ela decorre. Uma obra intelectual não é um total; é um todo e mais que um todo, e a unidade complexa não é alterada quando a matéria muda. É com o mesmo gênio que Michelangelo marcou seus monumentos, seus afrescos e seus poemas. | ||
| + | |||
| + | Assim consideradas, | ||
| + | |||
| + | Também esta obra sobre O Conhecimento e o Ser é preenchida pelo brilho velado de uma Onipotência que não conheceríamos se ela não iluminasse por toda parte as determinações, | ||
| + | |||
| + | Nesta convicção, | ||
| + | |||
| + | Após haver mostrado, no capítulo II, a insuficiência de toda teoria do conhecimento que, ao recusar ao objeto sua transcendência, | ||
| + | |||
| + | Esta análise do conhecer conduz a distinguir, por uma abstração que não deve jamais tornar-se dualismo exclusivo, duas zonas da realidade. A primeira em direito, a mais profunda, é aquela onde reina o Um, a Unidade universalmente originante, que acaba de ser descoberta pela intuição da presença; a outra é a do conhecimento nocional, que recai sobre as determinações. Enquanto o capítulo V e o capítulo VI, tratando respectivamente da natureza do elo lógico e da lei de determinação, | ||
| + | |||
| + | A terceira parte conduz-nos do conhecimento lógico e científico ao conhecimento vivo. Um capítulo consagrado ao estudo da oposição entre o número e o tempo conduz à dualidade cognitiva acima da qual o Um vai ser elevado, como deve sê-lo acima de qualquer outra. — Exprime-se isso mais simplesmente ao mostrar o eu ao encontro do mundo e do devir. O ser do mundo é ideal; é um sistema de verdades eternas: ele desdobra estaticamente o Um. Como tal, é subtraído à influência do tempo: nem se engendra, nem se corrompe. Por aí, comporta alguma semelhança com o Um; não é, todavia, o Um mesmo; não é senão um aspecto, uma expressão dele. Pois, qualquer que seja a imensidão do ser ideal, é um ser fixado. Ora, não somente é preciso bem compreender como pode haver o devir, mas é preciso também reconhecer que o intemporal e o temporal não podem pensar-se senão por sua oposição. Deve, pois, haver e há, em correlação com o que não muda, o que se torna, a corrente vivida de consciência, | ||
| + | |||
| + | Frequentemente demais a filosofia oscilou entre estes dois aspectos do conhecível, | ||
| + | |||
| + | É ela que se reencontra quando, com o pensamento do autor, atinge-se o Um enquanto fonte indivisa do racional e do individual. O capítulo XI advertiu-nos que o Um absoluto é a unidade do extratemporal e do temporal; o que permite dizê-lo transtemporal. Ainda assim o Um absoluto permaneceria exterior e estranho para vós se não pudésseis de modo algum atingi-lo. Não deve ser assim. Se é verdade que ele está em toda parte, se o conhecimento e o real se contaminam um ao outro, se o subjetivismo é definitivamente refutado, deveis poder unir-vos ao Um pela mesma imediação pela qual ele se une a vós. | ||
| + | |||
| + | Este conhecimento real é o conhecimento vivo; é o vivido pensante. Os juízos gerais, o pensamento da necessidade, | ||
| + | |||
| + | Neste retorno, ele não fará senão seguir o exemplo que lhe dá o autor. Oriunda de uma comunhão sincera com a inquietude e o mal-estar de nossa época, esta metafísica liberou o movimento pelo qual o espírito se porta para uma convicção a um só tempo verdadeira, porque é transcendente aos sujeitos, e justa, porque domina a parcialidade dos opostos. Cabe agora aos leitores apreciar-lhe a amplitude e a fecundidade. Não tínhamos senão que lhes apresentar o autor, ajudando, tanto quanto seja possível, a que se simpatize com o espírito e a intenção de sua obra. | ||
| + | |||
| + | ---- | ||
| + | |||
| + | {{indexmenu> | ||
