| <span class="c1 c13">PR</span><span class="c1 c13">Ó</span><span class="c1 c13">SPERO </span><span class="c1 c13">— </span><span class="c1 c13">Pareceis, caro filho, um tanto inquieto, como quem sente medo. Criai </span><span class="c1 c13">â</span><span class="c1 c13">nimo, senhor; nossos festejos terminaram. Como vos preveni, eram esp</span><span class="c1 c13">í</span><span class="c1 c13">ritos todos esses atores; dissiparam-se no ar, sim, no ar impalp</span><span class="c1 c13">á</span><span class="c1 c13">vel. E tal como o grosseiro substrato desta vista, as torres que se elevam para as nuvens, os pal</span><span class="c1 c13">á</span><span class="c1 c13">cios altivos, as igrejas majestosas, o pr</span><span class="c1 c13">ó</span><span class="c1 c13">prio globo imenso, com tudo o que cont</span><span class="c1 c13">é</span><span class="c1 c13">m, h</span><span class="c1 c13">ã</span><span class="c1 c13">o de sumir-se, como se deu com essa vis</span><span class="c1 c13">ã</span><span class="c1 c13">o t</span><span class="c1 c13">ê</span><span class="c1 c13">nue, sem deixarem vest</span><span class="c1 c13">í</span><span class="c1 c13">gio. Somos feitos da mat</span><span class="c1 c13">é</span><span class="c1 c13">ria dos sonhos; nossa vida pequenina </span><span class="c1 c13">é </span><span class="c1 c13">cercada pelo sono. Reconhe</span><span class="c1 c13">ç</span><span class="c1 c13">o, senhor, que estou irritado. Suportai-me, vos pe</span><span class="c1 c13">ç</span><span class="c1 c13">o; </span><span class="c1 c13">é </span><span class="c1 c13">da fraqueza. Enturva-se-me o c</span><span class="c1 c13">é</span><span class="c1 c13">rebro j</span><span class="c1 c13">á </span><span class="c1 c13">velho. N</span><span class="c1 c13">ã</span><span class="c1 c13">o vos amofineis com minha doen</span><span class="c1 c13">ç</span><span class="c1 c13">a. Caso vos for do agrado, entrai na cela, para a</span><span class="c1 c13">í </span><span class="c1 c13">repousardes. Enquanto isso, darei algumas voltas, porque possa tornar-me calmo.</span> | PRÓSPERO — Pareceis, caro filho, um tanto inquieto, como quem sente medo. Criai ânimo, senhor; nossos festejos terminaram. Como vos preveni, eram espíritos todos esses atores; dissiparam-se no ar, sim, no ar impalpável. E tal como o grosseiro substrato desta vista, as torres que se elevam para as nuvens, os palácios altivos, as igrejas majestosas, o próprio globo imenso, com tudo o que contém, hão de sumir-se, como se deu com essa visão tênue, sem deixarem vestígio. Somos feitos da matéria dos sonhos; nossa vida pequenina é cercada pelo sono. Reconheço, senhor, que estou irritado. Suportai-me, vos peço; é da fraqueza. Enturva-se-me o cérebro já velho. Não vos amofineis com minha doença. Caso vos for do agrado, entrai na cela, para aí repousardes. Enquanto isso, darei algumas voltas, porque possa tornar-me calmo. |