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| schubert:simbolica-natureza-schubert [30/01/2026 06:14] – created mccastro | schubert:simbolica-natureza-schubert [30/01/2026 06:14] (current) – mccastro |
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| * A natureza, enquanto fonte originária das imagens oníricas, poéticas e proféticas, constitui-se em linguagem simbólica hieroglífica, cujos caracteres são os próprios seres e formas sensíveis, revelando-se, portanto, como um sonho encarnado ou um discurso divino pronunciado por um sonâmbulo que age por necessidade interna e instinto cego, de modo que seus produtos diversos, análogos às imagens oníricas, só adquirem pleno significado quando interpretados enquanto signos de uma realidade espiritual superior, superando a visão teleológica vulgar que a reduz a um ciclo estéril de devoração mútua sem propósito transcendente, pois a precisão matemática que rege a quantidade de seres vivos e a economia do todo desmente a ideia de uma natureza organizada apenas para a subsistência material do homem sensível, apontando, antes, para sua função como revelação destinada à educação do homem espiritual. | * A natureza, enquanto fonte originária das imagens oníricas, poéticas e proféticas, constitui-se em linguagem simbólica hieroglífica, cujos caracteres são os próprios seres e formas sensíveis, revelando-se, portanto, como um sonho encarnado ou um discurso divino pronunciado por um sonâmbulo que age por necessidade interna e instinto cego, de modo que seus produtos diversos, análogos às imagens oníricas, só adquirem pleno significado quando interpretados enquanto signos de uma realidade espiritual superior, superando a visão teleológica vulgar que a reduz a um ciclo estéril de devoração mútua sem propósito transcendente, pois a precisão matemática que rege a quantidade de seres vivos e a economia do todo desmente a ideia de uma natureza organizada apenas para a subsistência material do homem sensível, apontando, antes, para sua função como revelação destinada à educação do homem espiritual. |
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| * A teleologia superior, que não se satisfaz com a mera explicação pela oposição necessária de contrários, encontra seu fundamento na concepção da natureza como linguagem espiritual, evidenciada pela constância transcultural de significados simbólicos atribuídos a certos animais e plantas, como o *alkuón* (martim-pescador) universalmente visto como domador de tempestades, o que sugere uma intuição coletiva de um léxico simbólico inerente ao cosmos, ainda que o *langage des fleurs* aplicado arbitrariamente raramente atinja essa profundidade, exceto quando, como no caso do *Colchicum autumnale* (açafrão-do-prado) associado à imortalidade, a interpretação parece decifrar verdadeiramente o hieróglifo vivo, aproximando-se da compreensão mais penetrante que vê na natureza uma revelação contínua. | * A teleologia superior, que não se satisfaz com a mera explicação pela oposição necessária de contrários, encontra seu fundamento na concepção da natureza como linguagem espiritual, evidenciada pela constância transcultural de significados simbólicos atribuídos a certos animais e plantas, como o //alkuón// (martim-pescador) universalmente visto como domador de tempestades, o que sugere uma intuição coletiva de um léxico simbólico inerente ao cosmos, ainda que o //langage des fleurs// aplicado arbitrariamente raramente atinja essa profundidade, exceto quando, como no caso do //Colchicum autumnale// (açafrão-do-prado) associado à imortalidade, a interpretação parece decifrar verdadeiramente o hieróglifo vivo, aproximando-se da compreensão mais penetrante que vê na natureza uma revelação contínua. |
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| * No pensamento antigo, Dionísio, representante da multiplicidade vital manifesta na diversidade dos elementos naturais, é o *theòs ek theoû* (deus nascido de deus), o Verbo emanado que, como soberano eterno e primeiro dos profetas, revela-se através do cosmos, de sorte que a natureza circundante em sua variedade aparece como um *Lógos*, uma revelação divina cujas letras vivas são seres e forças atuantes, sendo, pois, o original da linguagem metafórica utilizada pela divindade em todas as revelações escritas e também a língua natural da alma em estados oníricos ou de inspiração poética, estabelecendo uma concordância profunda entre o princípio criador que se manifesta no macrocosmo e a mesma atividade que, em nosso estado atual inferior, gera o mundo das imagens oníricas. | * No pensamento antigo, Dionísio, representante da multiplicidade vital manifesta na diversidade dos elementos naturais, é o //theòs ek theoû// (deus nascido de deus), o Verbo emanado que, como soberano eterno e primeiro dos profetas, revela-se através do cosmos, de sorte que a natureza circundante em sua variedade aparece como um //Lógos//, uma revelação divina cujas letras vivas são seres e forças atuantes, sendo, pois, o original da linguagem metafórica utilizada pela divindade em todas as revelações escritas e também a língua natural da alma em estados oníricos ou de inspiração poética, estabelecendo uma concordância profunda entre o princípio criador que se manifesta no macrocosmo e a mesma atividade que, em nosso estado atual inferior, gera o mundo das imagens oníricas. |
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| * O mesmo espírito irônico, a estranha associação de ideias e a capacidade divinatória presentes na linguagem do sonho encontram-se reproduzidos de modo notável no original desse mundo, a própria natureza, a qual parece zombar de nossa condição ao misturar de maneira peculiar prazer e lamento, alegria e tristeza, tal como na música de Ceilão onde menuetes alegres são cantados em tom profundamente lamentoso, exemplificando que o tempo do amor e da alegria, como no canto ardente do rouxinol, frequentemente se veste com o modo menor da lamentação, enquanto o efêmero insecto celebra sua união no próprio dia de sua morte, demonstrando que morte e matrimônio, geração e dissolução, são noções tão próximas na associação de ideias naturais quanto no sonho, aparecendo por vezes como sinônimos intercambiáveis neste linguagem, pois *Phósphoros* (Lúcifer) é ao mesmo tempo estrela da manhã e da tarde, archote do matrimônio e da morte, numa roda perpétua onde a ascensão de uma parte para nova procriação corresponde à descida de outra. | * O mesmo espírito irônico, a estranha associação de ideias e a capacidade divinatória presentes na linguagem do sonho encontram-se reproduzidos de modo notável no original desse mundo, a própria natureza, a qual parece zombar de nossa condição ao misturar de maneira peculiar prazer e lamento, alegria e tristeza, tal como na música de Ceilão onde menuetes alegres são cantados em tom profundamente lamentoso, exemplificando que o tempo do amor e da alegria, como no canto ardente do rouxinol, frequentemente se veste com o modo menor da lamentação, enquanto o efêmero insecto celebra sua união no próprio dia de sua morte, demonstrando que morte e matrimônio, geração e dissolução, são noções tão próximas na associação de ideias naturais quanto no sonho, aparecendo por vezes como sinônimos intercambiáveis neste linguagem, pois //Phósphoros// (Lúcifer) é ao mesmo tempo estrela da manhã e da tarde, archote do matrimônio e da morte, numa roda perpétua onde a ascensão de uma parte para nova procriação corresponde à descida de outra. |
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| * Este humor natural também costuma unir intimamente, no mundo sensível, amor e ódio de modos variados, a ponto de, em certos animais, ser indistinguível qual princípio os gerou, pois a festa do amor inicia-se com combates sangrentos entre machos, e uma terrível aversão e uma simpatia frenética emanam da mesma fonte, sendo que, em casos extremos como o da fêmea de inseto que destrói o macho após o acasalamento, a atração sexual revela-se como ódio medonho sob máscara de amor, ou vice-versa, ilustrando a ironia fundamental que reúne os extremos mais distantes na taxonomia natural, onde o símio exuberante aproxima-se do homem moderado, o elefante sábio do porco impuro, e o morcego, mamífero descontente que imita a ave, da ratozearia terrena. | * Este humor natural também costuma unir intimamente, no mundo sensível, amor e ódio de modos variados, a ponto de, em certos animais, ser indistinguível qual princípio os gerou, pois a festa do amor inicia-se com combates sangrentos entre machos, e uma terrível aversão e uma simpatia frenética emanam da mesma fonte, sendo que, em casos extremos como o da fêmea de inseto que destrói o macho após o acasalamento, a atração sexual revela-se como ódio medonho sob máscara de amor, ou vice-versa, ilustrando a ironia fundamental que reúne os extremos mais distantes na taxonomia natural, onde o símio exuberante aproxima-se do homem moderado, o elefante sábio do porco impuro, e o morcego, mamífero descontente que imita a ave, da ratozearia terrena. |
| * O universo dos insetos torna-se, de outra maneira ainda, símbolo do mundo espiritual superior, pois se, por um lado, nele se encontram provas de estupidez, necessidades grosseiras e cólera incontrolável, por outro lado, oferece imagens favoráveis e rejubilantes que testemunham um aspecto totalmente diverso das coisas, pois nestes seres variegados, libertos das servidões vulgares após a morte da larva imperfeita, que ascendem à claridade de um céu nunca visto, percebemos os sinais favoráveis do futuro longínquo e feliz de nossa espécie, parecendo, para esta região de coexistência pacífica e inocente, terminada a longa luta e desaparecido o princípio inimigo, fechando-se o grande Livro da primeira Revelação de Deus com uma reconfortante palavra de paz, apresentando-se, portanto, a natureza como uma apocalipse de formas e imagens vivas organizada em três capítulos principais, cada um composto de várias partes menores. | * O universo dos insetos torna-se, de outra maneira ainda, símbolo do mundo espiritual superior, pois se, por um lado, nele se encontram provas de estupidez, necessidades grosseiras e cólera incontrolável, por outro lado, oferece imagens favoráveis e rejubilantes que testemunham um aspecto totalmente diverso das coisas, pois nestes seres variegados, libertos das servidões vulgares após a morte da larva imperfeita, que ascendem à claridade de um céu nunca visto, percebemos os sinais favoráveis do futuro longínquo e feliz de nossa espécie, parecendo, para esta região de coexistência pacífica e inocente, terminada a longa luta e desaparecido o princípio inimigo, fechando-se o grande Livro da primeira Revelação de Deus com uma reconfortante palavra de paz, apresentando-se, portanto, a natureza como uma apocalipse de formas e imagens vivas organizada em três capítulos principais, cada um composto de várias partes menores. |
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| * Sendo a mais antiga Revelação conhecida de Deus ao homem, a natureza é o *Lógos* do qual emanaram as revelações subsequentes, todas partilhando o mesmo conteúdo, sendo ela a mesma língua que a região superior do mundo espiritual falou desde o princípio e ainda fala, e embora o homem tenha perdido o hábito de falar esta língua divina, conserva todavia um raio de sua inteligência originária, de modo que o espírito deste grande Livro da Natureza, cujos caracteres são seres vivos, ainda atua poderosamente sobre ele e o concerne, mesmo que raramente tenha consciência disso, reservando-se para outra ocasião um desenvolvimento mais vasto que, através do estudo da história interna da natureza, poderá elucidar enigmas transmitidos pela mais alta Antiguidade, como a ideia de um deus encarnado. | * Sendo a mais antiga Revelação conhecida de Deus ao homem, a natureza é o //Lógos// do qual emanaram as revelações subsequentes, todas partilhando o mesmo conteúdo, sendo ela a mesma língua que a região superior do mundo espiritual falou desde o princípio e ainda fala, e embora o homem tenha perdido o hábito de falar esta língua divina, conserva todavia um raio de sua inteligência originária, de modo que o espírito deste grande Livro da Natureza, cujos caracteres são seres vivos, ainda atua poderosamente sobre ele e o concerne, mesmo que raramente tenha consciência disso, reservando-se para outra ocasião um desenvolvimento mais vasto que, através do estudo da história interna da natureza, poderá elucidar enigmas transmitidos pela mais alta Antiguidade, como a ideia de um deus encarnado. |
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| * A ideia de um *theòs sarkōtheís* (deus tornado carne) que sofre as limitações humanas e uma morte cruel não foi alheia à Antiguidade, pois, como última encarnação e irradiação extrema do Ser eterno, este deus nascido de deus, conhecido no sistema religioso egípcio, bem como Shiva Dionichi na tradição hindu ou Zagreu nos mistérios órficos, deve submeter-se ao destino terreno e à morte, aparecendo também como salvador, juiz dos mortos, libertador das amarras mortais e guia no retorno às origens divinas, sendo particularmente Dionísio, o deus dos mistérios, aquele que reconduz as almas ao céu e à perfeição, tendo inclusive descido ao Hades para libertar a alma de sua mãe, num mito significativo que conjuga imagens dos sistemas órfico e báquico, ressurgindo sempre como benfeitor e pedagogo eterno após sofrer o destino mais terrível. | * A ideia de um //theòs sarkōtheís// (deus tornado carne) que sofre as limitações humanas e uma morte cruel não foi alheia à Antiguidade, pois, como última encarnação e irradiação extrema do Ser eterno, este deus nascido de deus, conhecido no sistema religioso egípcio, bem como Shiva Dionichi na tradição hindu ou Zagreu nos mistérios órficos, deve submeter-se ao destino terreno e à morte, aparecendo também como salvador, juiz dos mortos, libertador das amarras mortais e guia no retorno às origens divinas, sendo particularmente Dionísio, o deus dos mistérios, aquele que reconduz as almas ao céu e à perfeição, tendo inclusive descido ao Hades para libertar a alma de sua mãe, num mito significativo que conjuga imagens dos sistemas órfico e báquico, ressurgindo sempre como benfeitor e pedagogo eterno após sofrer o destino mais terrível. |
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| * O caminho para a redenção e santificação das almas, segundo os ensinamentos dos mistérios, passava por purificações, entre as quais uma particularmente insólita realizava-se através do sangue, pois o deus dos mistérios frequentemente aparecia sob a imagem do touro e morria, como no mito persa, sob os traços do touro cósmico Abudad, sendo que nos taurobolos o sangue do touro sacrificado era derramado sobre o corpo do penitente para sua purificação psíquica, prática que, juntamente com a ingestão da carne crua do animal sacrificado em alusão à morte de Dionísio-Zagreu, desnaturada posteriormente em cruéis sacrifícios humanos, constitui prova de que a época primitiva, por seu espírito profético, pressentiu acontecimentos que só se cumpriram em épocas subsequentes, sendo esta antiga revelação transmitida uma vez mais através do Verbo tornado carne, do Deus tornado natureza. | * O caminho para a redenção e santificação das almas, segundo os ensinamentos dos mistérios, passava por purificações, entre as quais uma particularmente insólita realizava-se através do sangue, pois o deus dos mistérios frequentemente aparecia sob a imagem do touro e morria, como no mito persa, sob os traços do touro cósmico Abudad, sendo que nos taurobolos o sangue do touro sacrificado era derramado sobre o corpo do penitente para sua purificação psíquica, prática que, juntamente com a ingestão da carne crua do animal sacrificado em alusão à morte de Dionísio-Zagreu, desnaturada posteriormente em cruéis sacrifícios humanos, constitui prova de que a época primitiva, por seu espírito profético, pressentiu acontecimentos que só se cumpriram em épocas subsequentes, sendo esta antiga revelação transmitida uma vez mais através do Verbo tornado carne, do Deus tornado natureza. |
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| * A natureza, como Verbo revelado aos sentidos, concordava originalmente com o Verbo depositado no homem primitivo, que compreendia a linguagem que seu espírito falava e era, ele próprio, essa Palavra, mas após a grande confusão das línguas, perdemos a capacidade de compreender o sentido profundo desta linguagem natural, necessitando da Revelação escrita dada através de palavras, a qual, no entanto, possui o mesmo conteúdo da revelação natural, pois ambas falam apenas d'Ele, ontem e hoje, imutável e eterno, sendo o mundo dos insetos, como parte mais recente da criação, particularmente profético deste futuro, conforme atestado pela antiguidade que venerava a abelha como ser real e sagrado, cheio de espírito divino e profético, símbolo da abundância, sabedoria, inocência e justiça, e a associava intimamente aos mistérios, pois Dionísio era nutrido por abelhas, considerado seu rei e pai, e as sacerdotisas de Ceres eram chamadas *mélissai* (abelhas), sendo a própria rainha das abelhas símbolo de um rei divino e sacerdote. | * A natureza, como Verbo revelado aos sentidos, concordava originalmente com o Verbo depositado no homem primitivo, que compreendia a linguagem que seu espírito falava e era, ele próprio, essa Palavra, mas após a grande confusão das línguas, perdemos a capacidade de compreender o sentido profundo desta linguagem natural, necessitando da Revelação escrita dada através de palavras, a qual, no entanto, possui o mesmo conteúdo da revelação natural, pois ambas falam apenas d'Ele, ontem e hoje, imutável e eterno, sendo o mundo dos insetos, como parte mais recente da criação, particularmente profético deste futuro, conforme atestado pela antiguidade que venerava a abelha como ser real e sagrado, cheio de espírito divino e profético, símbolo da abundância, sabedoria, inocência e justiça, e a associava intimamente aos mistérios, pois Dionísio era nutrido por abelhas, considerado seu rei e pai, e as sacerdotisas de Ceres eram chamadas //mélissai// (abelhas), sendo a própria rainha das abelhas símbolo de um rei divino e sacerdote. |
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| * Esta simbologia apícola conecta-se profundamente com a figura de Melquisedeque e com o deus da doutrina secreta, Zagreu, cujo corpo distribuído e consumido encontra eco na rainha que dá nome aos iniciados, considerados fragmentos do deus, tornando-se as abelhas da rainha, dispensadoras do alimento, sendo o próprio mel, imagem da morte e do renascimento como atesta o mito de Glauco, símbolo da expiação e purificação da alma, tal como o touro, representante da época anterior à catástrofe e símbolo do princípio estável de luz que renasce com maior diversidade e poder após o combate, ou o asno, também associado à geração no linguagem onírico, completando um conjunto de imagens – borboleta, semente germinando, hera, vinho, farinha, água, fogo – que, profundamente inter-relacionadas, formam uma cadeia onde se manifesta toda a história da região profética superior, situando-nos no coração de um sonho de conteúdo eminentemente profético, pois o Verbo da natureza foi, para a Antiguidade, simultaneamente sonho e interpretação do sonho. | * Esta simbologia apícola conecta-se profundamente com a figura de Melquisedeque e com o deus da doutrina secreta, Zagreu, cujo corpo distribuído e consumido encontra eco na rainha que dá nome aos iniciados, considerados fragmentos do deus, tornando-se as abelhas da rainha, dispensadoras do alimento, sendo o próprio mel, imagem da morte e do renascimento como atesta o mito de Glauco, símbolo da expiação e purificação da alma, tal como o touro, representante da época anterior à catástrofe e símbolo do princípio estável de luz que renasce com maior diversidade e poder após o combate, ou o asno, também associado à geração no linguagem onírico, completando um conjunto de imagens – borboleta, semente germinando, hera, vinho, farinha, água, fogo – que, profundamente inter-relacionadas, formam uma cadeia onde se manifesta toda a história da região profética superior, situando-nos no coração de um sonho de conteúdo eminentemente profético, pois o Verbo da natureza foi, para a Antiguidade, simultaneamente sonho e interpretação do sonho. |
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