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-====== Schopenhauer (MVR2:244-245) – consciência de si ======+====== consciência de si (MVR2:244-245) ======
  
 Não apenas a consciência [Bewußtseyn] das outras coisas, isto é, a percepção  do mundo exterior, mas também a CONSCIÊNCIA DE SI [Selbstbewußtseyn] contém, como antes abordado, uma parte que conhece e uma que é conhecida; do contrário, não seria CONSCIÊNCIA. Pois CONSCIÊNCIA consiste no conhecer : mas a isto pertence uma parte que conhece e uma que é conhecida; eis por que a consciência de si também não poderia existir se nela não se contrapusesse ao que conhece um conhecido diferente deste. Assim como objeto algum pode existir sem sujeito, também sujeito algum pode existir sem objeto, noutros termos, ser algum que conhece sem algo diferente dele que é conhecido. Por isso é impossível uma consciência que fosse absoluta inteligência. A inteligência assemelha-se ao Sol, que não ilumina o espaço se ah não houver um objeto que reflita os seus raios. O que conhece, justamente como tal, não pode ser conhecido: do contrário, seria o CONHECIDO de outro que conhece. Como o CONHECIDO na consciência de si encontramos, todavia, exclusivamente a VONTADE . Pois não apenas o querer e decidir, no sentido estrito do termo, mas também todo esforço, desejo, fuga, esperança, temor, amor, ódio, numa palavra, tudo o que constitui imediatamente o próprio bem-estar e mal-estar, prazer e desprazer, é manifestamente apenas afecção da vontade, é agitação, modificação do querer e não querer, é justamente aquilo que, quando faz efeito na direção do exterior, expõe-se como  ato da vontade propriamente dito.[[Notável é que já AGOSTINHO tenha conhecido isso. De fato, no 14° livro de Civitate Dei (c. 6), ele fala das affectionibus animi [afecções do ânimo], que ele no livro anterior dividira em quatro categorias, cupiditas, timor, laetitia, tristitia [desejo, temor, alegria, tristeza], e diz: voluntas est quippe in omnibus, imo omnes nihil aliud, quam voluntates sunt: nam quid est cupiditas et laetitia, nisi voluntas in eorum consensionem, quae volumus? et quid est metus atque tristitia, nisi voluntas in dissensionem ab bis, quae nolumus? etc. .]] Mas em todo conhecimento, o que é conhecido é o elemento primeiro e essencial, não o que conhece; na medida em que aquele é o προτότυπος [protótipos] e este o ἔχτυρος . Por isso também na consciência de si o que é conhecido, portanto a vontade, tem de ser o primeiro e originário; o que conhece, ao contrário, apenas secundário, o acrescido, o espelho. Eles estão aproximadamente um para o outro como o corpo com luz própria está para o que a reflete; ou ainda, como a corda que vibra está para a caixa de ressonância, e nesse caso o tom resultante seria a consciência. Não apenas a consciência [Bewußtseyn] das outras coisas, isto é, a percepção  do mundo exterior, mas também a CONSCIÊNCIA DE SI [Selbstbewußtseyn] contém, como antes abordado, uma parte que conhece e uma que é conhecida; do contrário, não seria CONSCIÊNCIA. Pois CONSCIÊNCIA consiste no conhecer : mas a isto pertence uma parte que conhece e uma que é conhecida; eis por que a consciência de si também não poderia existir se nela não se contrapusesse ao que conhece um conhecido diferente deste. Assim como objeto algum pode existir sem sujeito, também sujeito algum pode existir sem objeto, noutros termos, ser algum que conhece sem algo diferente dele que é conhecido. Por isso é impossível uma consciência que fosse absoluta inteligência. A inteligência assemelha-se ao Sol, que não ilumina o espaço se ah não houver um objeto que reflita os seus raios. O que conhece, justamente como tal, não pode ser conhecido: do contrário, seria o CONHECIDO de outro que conhece. Como o CONHECIDO na consciência de si encontramos, todavia, exclusivamente a VONTADE . Pois não apenas o querer e decidir, no sentido estrito do termo, mas também todo esforço, desejo, fuga, esperança, temor, amor, ódio, numa palavra, tudo o que constitui imediatamente o próprio bem-estar e mal-estar, prazer e desprazer, é manifestamente apenas afecção da vontade, é agitação, modificação do querer e não querer, é justamente aquilo que, quando faz efeito na direção do exterior, expõe-se como  ato da vontade propriamente dito.[[Notável é que já AGOSTINHO tenha conhecido isso. De fato, no 14° livro de Civitate Dei (c. 6), ele fala das affectionibus animi [afecções do ânimo], que ele no livro anterior dividira em quatro categorias, cupiditas, timor, laetitia, tristitia [desejo, temor, alegria, tristeza], e diz: voluntas est quippe in omnibus, imo omnes nihil aliud, quam voluntates sunt: nam quid est cupiditas et laetitia, nisi voluntas in eorum consensionem, quae volumus? et quid est metus atque tristitia, nisi voluntas in dissensionem ab bis, quae nolumus? etc. .]] Mas em todo conhecimento, o que é conhecido é o elemento primeiro e essencial, não o que conhece; na medida em que aquele é o προτότυπος [protótipos] e este o ἔχτυρος . Por isso também na consciência de si o que é conhecido, portanto a vontade, tem de ser o primeiro e originário; o que conhece, ao contrário, apenas secundário, o acrescido, o espelho. Eles estão aproximadamente um para o outro como o corpo com luz própria está para o que a reflete; ou ainda, como a corda que vibra está para a caixa de ressonância, e nesse caso o tom resultante seria a consciência.
  
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