schelling:brown-schelling197-201-ages-of-the-world
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| + | ====== DIE WELTALTER: ESTATUTO, GÊNESE E PRESSUPOSTOS EPISTEMOLÓGICOS (BROWN) ====== | ||
| + | //BROWN, Robert F. The later philosophy of Schelling: the influence of Boehme on the works of 1809-1815. Lewisburg [Pa] London: Bucknell university press Associated university presses, 1977.// | ||
| + | Resumos: | ||
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| + | * A investigação culmina na análise de Die Weltalter (1811–1815) como ensaio decisivo do pensamento tardio, no qual se concentra a influência máxima de Jakob Böhme e se consuma a ontologia desenvolvida entre 1809 e 1815. | ||
| + | * Die Weltalter assume função conclusiva ao articular uma doutrina detalhada de Deus, capaz de reunir e integrar os problemas deixados em aberto pelo escrito sobre a liberdade e pelas preleções imediatamente anteriores. | ||
| + | * A análise não projeta retroativamente o esquema de Die Weltalter sobre os textos precedentes, | ||
| + | * Ao mesmo tempo, Die Weltalter constitui a introdução filosófica necessária à filosofia da mitologia e da revelação, | ||
| + | * Sob esse segundo aspecto, o texto não possui caráter definitivo, mas fragmentário, | ||
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| + | * O contexto biográfico e editorial esclarece o caráter provisório e experimental do ensaio. | ||
| + | * Entre 1806 e 1820, a residência fixa em Munique e a ausência de cátedra universitária criam condições para um trabalho filosófico independente, | ||
| + | * A aceitação do cargo em Erlangen, em 1820, marca o início do desenvolvimento sistemático da filosofia positiva, enquanto os anos imediatamente posteriores às preleções são dominados quase exclusivamente pela elaboração de Die Weltalter. | ||
| + | * As controvérsias com Jacobi e Eschenmayer permanecem secundárias diante da centralidade desse projeto. | ||
| + | * As repetidas tentativas de publicação, | ||
| + | * A edição póstuma preparada por Karl Schelling fixa o texto em 1814 ou 1815, enquanto a descoberta posterior de múltiplas versões e provas tipográficas revela a complexa gênese do escrito. | ||
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| + | * A estrutura analítica do estudo organiza-se segundo cinco momentos que acompanham a arquitetura interna do texto. | ||
| + | * Os quatro primeiros momentos seguem os temas centrais do chamado Livro Primeiro: a dualidade fundamental em Deus; a interação dos dois princípios na constituição do ser pré-temporal; | ||
| + | * A análise privilegia o texto de 1815, sem ignorar variações relevantes das versões anteriores. | ||
| + | * O quinto momento amplia o horizonte ao considerar a distinção entre filosofia negativa e positiva, os materiais ausentes do texto tardio e o tratado sobre as divindades de Samotrácia como complemento e abertura à filosofia da religião. | ||
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| + | * A introdução de Die Weltalter fundamenta-se numa articulação tripla do tempo, que determina simultaneamente modos de ser, de conhecer e de dizer. | ||
| + | * O passado corresponde a um saber pleno, suscetível de narração ordenada, por estar completo e realizado. | ||
| + | * O presente exige compreensão investigativa e descrição, | ||
| + | * O futuro só pode ser pressentido e anunciado, permanecendo fora do alcance do saber pleno. | ||
| + | * O ensaio limita-se deliberadamente ao passado, entendido como objeto de ciência rigorosa, e estabelece, com isso, seus pressupostos epistemológicos fundamentais. | ||
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| + | * A ciência é redefinida contra a concepção abstrata de sistema conceitual. | ||
| + | * A ciência deve ser compreendida como representação de uma essência viva em processo de autodesenvolvimento. | ||
| + | * O objeto supremo do saber é a realidade primordial viva, cuja gênese interna constitui o verdadeiro conteúdo científico. | ||
| + | * Não havendo nada exterior ou anterior a essa realidade, seu desenvolvimento é livre e autoimpulsionado, | ||
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| + | * Identificado o objeto da ciência do passado, impõe-se a questão decisiva do modo de apreensão desse objeto. | ||
| + | * A natureza humana manifesta a relação concreta de dois princípios: | ||
| + | * O princípio inferior funciona como meio expressivo do superior, possibilitando sua manifestação. | ||
| + | * A interação interna desses princípios realiza-se como recordação, | ||
| + | * Em ambos os casos, o saber aparece como processo de recuperação e não como posse imediata. | ||
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| + | * A dialética filosófica não constitui um instrumento de descoberta direta da verdade suprema. | ||
| + | * O conhecimento é compreendido como esforço de rememoração consciente, mais aspiração do que realização plena. | ||
| + | * Tudo o que pode ser objetivado deve antes tornar-se interior, de modo que a apreensão interna precede qualquer expressão externa. | ||
| + | * A questão central desloca-se, assim, para a natureza dessa interioridade e sua mediação discursiva. | ||
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| + | * A crítica à confiança contínua na intuição imediata delimita o lugar da visão no conhecimento filosófico. | ||
| + | * A experiência ocasional de unidade simples da realidade é reconhecida, | ||
| + | * Contudo, tal visão permanece descontínua e insuficiente para uma compreensão viva e durável do real. | ||
| + | * O saber humano procede fragmentariamente, | ||
| + | * A visão sem entendimento não alcança o objetivo do conhecimento filosófico. | ||
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| + | * A mediação do entendimento torna-se condição para a consciência do processo ontológico. | ||
| + | * A passagem do simples ao múltiplo pode ser vivida interiormente, | ||
| + | * O entendimento opera como órgão mediador que possibilita expressão verdadeira. | ||
| + | * A filosofia preserva essa distinção e atinge a visão completa apenas de modo indireto e progressivo. | ||
| + | * Com isso, ela se define como caminho disciplinado para a verdade e sua expressão inteligível. | ||
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| + | * Die Weltalter afirma-se, assim, como obra filosófica fundada na unidade redescoberta de pensamento e ser. | ||
| + | * O saber não parte mais de abstrações para descer à natureza, mas do ser inconsciente do eterno, conduzido progressivamente à consciência divina. | ||
| + | * O ensaio permanece intencionalmente limitado ao passado, entendido como presença inconsciente do eterno na humanidade. | ||
| + | * A compreensão do ser pré-temporal de Deus aparece como condição prévia para interpretar a história temporal e antecipar a consumação futura. | ||
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