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| + | ====== Pascal ====== | ||
| + | Pascal, Blaise (1623-1662) | ||
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| + | Em seu artigo: “As implicações políticas da filosofia da existência de Heidegger” (Les Temps modernes, n.º 2, 1946-1947), K. Löwith conta que, por volta de 1920, em sua “celular”, | ||
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| + | Heidegger, ao que parece, interessou-se um pouco “tardiamente” por Pascal, abordando-o somente depois de Kierkegaard, | ||
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| + | Tal como nas relações que mantém com Husserl, a importância de Scheler para Heidegger situa-se sobretudo ao nível das conversas que teve com ele. O que contou cem vezes mais para Heidegger do que os seus livros foram os contactos diretos e vivos que teve com Husserl e com Scheler. Quando ele cita seus nomes, a referência, | ||
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| + | A leitura de Pascal, as discussões com Scheler, é evidentemente assim que se elabora o § 29 de Ser e tempo, que põe à prova a distinção clássica entre o sensível e o inteligível e que encontrará sua continuação nas disposições (Stimmungen) de que fala O que é a metafísica? | ||
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| + | A recente popularidade de Kierkegaard na Alemanha polarizou a atenção dos primeiros leitores de Ser e tempo nos aspectos kierkegaardianos do livro, o que gerou – como é bem sabido – a lenda do existencialismo heideggeriano. Sem dúvida, esses primeiros leitores, que conheciam muito menos Pascal, não conseguiram perceber o que o livro tem de efetivamente “pascaliano”. Porém, tanto quanto Husserl se sentia atraído por Descartes na década de 1920, Heidegger se sentia correlativa e reativamente interessado por Pascal. E os rumores públicos chegavam a dizer que Heidegger era um filósofo cristão. A influência de Kierkegaard em Ser e tempo é inegável, mas não deve impedir que se veja a significativa componente pascaliana do livro. E mesmo a reputação de irracionalismo que por algum tempo foi atribuída a Heidegger não estava relacionada com ela? | ||
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| + | <tabbox Marías> | ||
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| + | Blaise Pascal nasce em 1623 e morre, antes de completar os quarenta anos, em 1662. Sua vida precoce, atormentada e genial é bem conhecida. Suas descobertas matemáticas, | ||
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| + | Em certa medida — sobretudo na medida em que se opõe a ele —, Pascal é cartesiano; não é possível entender a nenhum pensador do século XVII sem nele incluir uma referência — de qualquer sinal que seja — a Descartes. Mas, por outro lado, Pascal é, rigorosamente, | ||
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| + | Revela-se isto com a máxima clareza em sua visão do homem. Os Pensamentos incidem e reincidem repetidas vezes sobre a realidade humana, e esta aparece neles captada numa imediatez peculiar e estranha. Pascal sublinha cartesianamente a essência pensante do homem, mas ao mesmo tempo sente toda sua constitutiva fragilidade, | ||
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| + | Sobre Pascal: E. Boutroux: Pascal (1900); F. Strowski: Pascal et son temps (1907-1909); | ||
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