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| + | ====== X A TÉCNICA COMO ARTESANATO... (MT:C10) ====== | ||
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| + | ==== Meditação da Técnica ==== | ||
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| + | === A TÉCNICA DO TÉCNICO === | ||
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| + | //ORTEGA Y GASSET, José. [Meditação da Técnica.-> | ||
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| + | X LA TÉCNICA COMO ARTESANÍA. —LA TÉCNICA DEL TÉCNICO// | ||
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| + | <tabbox português> | ||
| + | Passemos ao segundo estádio: a técnica do artesão. É a técnica da velha Grécia, é a técnica da Roma pré-imperial e da Idade Média. Eis aqui em rapidíssima enumeração, | ||
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| + | 1.° O repertório de atos técnicos cresceu enormemente. Não tanto, contudo, — é importante notá-lo — para que o súbito desaparecimento, | ||
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| + | Mas feita esta ressalva e comparando a nova situação técnica que este segundo estádio representa com a primitiva, convém sublinhar o contrário: o enorme crescimento dos atos técnicos . Não poucos destes se fizeram tão complicados que não pode exercê-lo toda e qualquer pessoa. É preciso que certos homens se encarreguem a fundo deles, dediquem a eles sua vida: são os artesãos. Mas isto acarreta que o homem adquira então uma consciência da técnica como algo especial e aparte. Vê a atuação do artesão -— sapateiro, ferreiro, pedreiro, seleiro, etc. — e entende a técnica sob a espécie ou figura dos técnicos que são os artesãos; quero dizer: ainda não sabe que existe técnica, mas já sabe que existem técnicos-homens que possuem um repertório peculiar de atividades que não são, sem mais nem menos, as gerais e naturais em todo homem. A luta tão moderna de Sócrates com as pessoas de seu tempo começa por querer convencê-las de que a técnica não é o técnico, mas uma capacidade sui generis, abstrata, peculiarissima, | ||
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| + | 2.° Tampouco o modo de aquisição das técnicas favorece a clara consciência desta como função genérica e ilimitada. Neste estádio se dá ainda menos que no primitivo — ainda que de pronto se pensaria o contrário — ocasião para que o fato de inventar faça surgir na memória a ideia clara, isolada, isenta, do que é a técnica em verdade. Ao fim e ao cabo, os loucos inventos primitivos, tão fundamentais, | ||
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| + | 3.° Outra razão existe, e decisiva, para que a ideia da técnica não se desprenda e se isole da ideia do homem que a exerce, e é que contudo o inventor somente chegou a produzir instrumentos e não máquinas. Esta distinção é essencial. A primeira máquina propriamente tal, e com isso antecipo o terceiro estádio, é o tear de Robert criado em 1825 . É a primeira máquina, porque é o primeiro instrumento que atua por si mesmo e por si mesmo produz o objeto. Por isso se chamou self-actor, e daí selfatinas [fiação, fiadura] . A técnica deixa de ser o que até então havia sido, manipulação, | ||
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| + | 4.° Mas ainda resta um traço do artesanato que contribui profundamente para impedir a consciência adequada da técnica e, como os traços anteriores, oculta o fato técnico em sua pureza. E é que toda técnica consiste em duas coisas: uma, invenção de um plano de atividade, de um método, procedimento — mechané, diziam os gregos — e outra, execução desse plano. Aquela é em estrito sentido a técnica; esta é somente a operação e o agir. Em suma: existe o técnico e existe o operário que exercem na unidade da faina técnica duas funções bem distintas. Pois bem, o artesão é, ao mesmo tempo e indivisamente, | ||
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| + | Antecipamos alguns de seus caracteres. Denominamos-lhes "a técnica do técnico" | ||
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| + | <tabbox original> | ||
| + | Pasemos al segundo estadio: la técnica del artesano. Es la técnica de la vieja Grecia, es la técnica de la Roma pre-imperial y de la Edad Media. He aquí, en rapidísima enumeración, | ||
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| + | 1.º El repertorio de actos técnicos ha crecido enormemente. No tanto, sin embargo —es importante advertirlo—, | ||
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| + | Pero hecha esta salvedad y comparando la nueva situación técnica que este segundo estadio representa con la primitiva, conviene subrayar lo contrario: el enorme crecimiento de los actos técnicos. No pocos de éstos se han hecho tan complicados que no puede ejercitarlos todo el mundo y cualquiera. Es preciso que ciertos hombres se encarguen a fondo de ellos, dediquen a ellos su vida: son los artesanos. Pero esto acarrea que el hombre adquiera ya una conciencia de la técnica como algo especial y aparte. Ve la actuación del artesano —zapatero, | ||
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| + | 2.º Tampoco el modo de adquisición de las técnicas favorece la clara conciencia de ésta como función genérica e ilimitada. En este estadio se da aún menos que en el primitivo —aunque de pronto pensaría uno lo contrario—, | ||
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| + | 3.º Otra razón hay, y decisiva, para que la idea de la técnica no se desprenda y aísle de la idea del hombre que la ejercita, y es que todavía el inventor sólo ha llegado a producir instrumentos y no máquinas. Esta distinción es esencial. La primera máquina propiamente tal, y con ello anticipo el tercer estadio, es el telar de Robert creado en 1825. Es la primera máquina, porque es el primer instrumento que actúa por sí mismo y por sí mismo produce el objeto. Por eso se llamó self-actor, y de aquí selfatinas. La técnica deja de ser lo que hasta entonces había sido, manipulación, | ||
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| + | 4.º Pero aún queda un rasgo de la artesanía que contribuye profundamente a impedir la conciencia adecuada de la técnica y, como los rasgos anteriores, tapa el hecho técnico en su pureza. Y es que toda técnica consiste en dos cosas: una, invención de un plan de actividad, de un método, procedimiento —mechané, | ||
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| + | Hemos anticipado alguno de sus caracteres. Le hemos denominado «la técnica del técnico». El hombre adquiere la conciencia suficientemente clara de que posee una cierta capacidad por completo distinta de las rígidas, inmutables, que integran su porción natural o animal. Ve que la técnica no es un azar, como en el estado primitivo, ni un cierto tipo dado y limitado de hombre —el artesano—; | ||
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