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| + | ====== SER HUMANO ====== | ||
| + | //IRIGARAY, L. Between East and West: From Singularity to Community. Stephen Pluhacek. New York: Columbia University Press, 2002.// | ||
| + | Ao contrário da planta, o ser humano é um vivente sem raízes fixas. Um ser que caminha, é móvel. Que também se move em espírito. Diferentemente do animal? No espaço e no tempo, o ser humano se desloca. Isso possibilita adquirir alimento material e espiritual, mas também se perder, por vezes com risco da própria existência. O que pode então salvaguardar a existência num vivente parcialmente nômade em corpo e espírito? A respiração. O sopro é fonte e alimento da vida natural e espiritual para o ser humano. Cultivar a vida se reduz a preservar e educar a respiração, | ||
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| + | O ser humano é feito de matéria mas também de sopro. Graças ao domínio da respiração, | ||
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| + | O ocidental sobretudo desconheceu e negligenciou o que me parece dever caracterizar sua espécie: a capacidade de entrar em relação com o outro sem reduzir essa relação à satisfação de instintos ou necessidades. O sujeito ocidental estagnou-se num momento de seu percurso. Tentou identificar-se pela diferenciação da mãe, que assimila à natureza. Muitas estratégias — filosóficas, | ||
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| + | O ensino da natureza foi, em certo sentido, mais sábio. A humanidade é composta de dois humanos diferentes. No cultivo de sua relação encontra-se a chave para o florescimento da espécie. Esse cultivo leva cada um a se individualizar em relação ao que é vivido como indiferenciação primitiva, especialmente por parte do homem. No respeito aos dois, descobre-se também o remédio contra a recaída na indiferenciação grupal, inclusive familiar. Quanto à diferença sexual, onde nasce a atração, ela oferece a base para um comportamento especificamente humano. Em vez de a relação homem-mulher ser determinada pela imediatez do instinto, a transformação do instinto em desejo poderia marcar a passagem à humanidade como tal. A atração entre os sexos torna-se então fonte de energia e criação não apenas natural mas cultural, fruto da vontade e liberdade de dois humanos. | ||
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| + | A capacidade de entrar em relação com um outro (homem ou mulher) diferente de si no respeito à(s) diferença(s) é, para mim, o que permite constituir uma subjetividade propriamente humana. Nem a linguagem como instrumento de apropriação e informação, | ||
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| + | Nesse caminho, pouco avançamos. Ele guarda para nós fontes de energia, palavra e sabedoria que ainda desconhecemos. Representa sem dúvida um lugar a partir do qual retomar e prosseguir o devir humano. Não como ato e segundo a vontade de um só sujeito, mas a partir do horizonte aberto pelo reconhecimento da existência de dois sujeitos diferentes que trabalham na construção de pontes entre si salvaguardando suas singularidades. | ||
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