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| + | ====== Gusdorf ====== | ||
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| + | **Georges Gusdorf (1912–2000)** | ||
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| + | Filósofo, historiador das ideias, epistemólogo e professor emérito da Universidade de Estrasburgo, | ||
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| + | **1. Obras Monográficas e Tratados Teóricos Fundamentais (Edições Originais)** | ||
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| + | * GUSDORF, Georges. La découverte de soi. Paris: Presses Universitaires de France, 1948. | ||
| + | * Foco: Tese principal de doutoramento; | ||
| + | * GUSDORF, Georges. L' | ||
| + | * Foco: Tese complementar de doutoramento; | ||
| + | * GUSDORF, Georges. La parole. Paris: Presses Universitaires de France, 1952 (Coleção Initiation Philosophique). | ||
| + | * Foco: Filosofia da linguagem e ontologia do diálogo. Gusdorf recusa a redução positivista e estrutural da linguagem a mero código instrumental neutro de transmissão de dados empíricos. A palavra viva (la parole) é definida como a expressão originária da presença humana no mundo e o órgão essencial do encontro intersubjetivo: | ||
| + | * GUSDORF, Georges. Mythe et métaphysique: | ||
| + | * Foco: Teoria do conhecimento, | ||
| + | * GUSDORF, Georges. Traité de métaphysique. Paris: Armand Colin, 1956. | ||
| + | * Foco: Tratado de refundação ontológica e metafísica da existência; | ||
| + | * GUSDORF, Georges. Mémoire et personne. 2 volumes. Paris: Presses Universitaires de France, 1960. | ||
| + | * Foco: Psicologia filosófica, | ||
| + | * GUSDORF, Georges. Introduction aux sciences humaines: Essai critique sur leurs origines et leur développement. Paris: Les Belles Lettres, 1960 (Reeditado por Éditions Ophrys, 1974). | ||
| + | * Foco: Epistemologia geral e crítica metodológica; | ||
| + | * GUSDORF, Georges. Les sciences humaines et la pensée occidentale. 14 volumes. Paris: Payot, 1966–1988. | ||
| + | * Foco: Tratado monumental e ápice da história das ideias no século XX. Projeto enciclopédico de fôlego desmedido que traça a genealogia das ciências humanas desde a eclosão da modernidade, | ||
| + | * Tomo I: De l' | ||
| + | * Tomo II: Les origines des sciences humaines (1967) | ||
| + | * Tomo III: La révolution galiléenne (2 volumes, 1969) | ||
| + | * Tomo IV: Les principes de la pensée au siècle des Lumières (1971) | ||
| + | * Tomo V: Dieu, la nature, l' | ||
| + | * Tomo VI: L' | ||
| + | * Tomo VII: Naissance de la conscience romantique au siècle des Lumières (1976) | ||
| + | * Tomo VIII: La conscience révolutionnaire: | ||
| + | * Tomo IX: Fondements du savoir romantique (1982) | ||
| + | * Tomo X: Du néant à Dieu dans le savoir romantique (1983) | ||
| + | * Tomo XI: L' | ||
| + | * Tomo XII: Le savoir romantique de la nature (1985) | ||
| + | * Tomo XIII: Les origines de l' | ||
| + | * Relevância: | ||
| + | * GUSDORF, Georges. Lignes de vie. 2 volumes (Vol. 1: Les écritures du moi; Vol. 2: Auto-bio-graphie). Paris: Odile Jacob, 1991. | ||
| + | * Foco: Teoria literária, antropologia da escrita e hermenêutica do sujeito. Síntese final de suas pesquisas sobre as escritas íntimas (diários, memórias e confissões), | ||
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| + | **2. O Ensaio Clássico sobre a Autobiografia e Textos Críticos Fundamentais** | ||
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| + | * GUSDORF, Georges. Conditions et limites de l' | ||
| + | * Foco: Artigo matricial e texto fundador dos estudos teóricos contemporâneos sobre o gênero autobiográfico no mundo. Gusdorf demonstra que a autobiografia não é um gênero literário universal, mas uma invenção histórica e cultural estritamente ocidental, condicionada pela emergência do cristianismo e pela afirmação moderna da singularidade insubstituível da pessoa. O ato autobiográfico é analisado não como uma transcrição factual ingênua de acontecimentos exteriores, mas como uma recriação de sentido: a busca de um homem que se volta para o seu passado para nele decifrar o mistério de sua identidade. | ||
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| + | **3. Contexto Institucional, | ||
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| + | * O Cativeiro de Munster e Lübeck (1940–1945): | ||
| + | * Durante cinco anos no cativeiro alemão, Gusdorf participou ativamente da " | ||
| + | * O Magistério na Universidade de Estrasburgo (1952–1977): | ||
| + | * Em Estrasburgo, | ||
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| + | **4. Recepção Acadêmica e Eixos de Circulação** | ||
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| + | * A Influência Teórica sobre a Crítica Literária e a História Cultural: | ||
| + | * O impacto de Gusdorf é incontornável nos estudos sobre literatura confessional, | ||
| + | * Circulação no Espaço Lusófono: | ||
| + | * As suas obras foram amplamente introduzidas no Brasil e em Portugal, especialmente nas décadas de 1960 a 1980, com traduções referenciais de A Palavra (Editora Vozes e Livraria Martins Fontes), Mito e Metafísica (Editora Convívio), A Descoberta de Si, Introdução às Ciências Humanas e Tratado de Metafísica. Suas teses continuam a alimentar investigações em departamentos de Filosofia, Teoria Literária, Educação, História e Psicologia nas universidades brasileiras (como USP, UFRJ, PUC-SP, UFMG, UERJ) e portuguesas (Universidade de Coimbra e Universidade de Lisboa). | ||
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| + | **5. Eixos Metodológicos e Arquitetura Teórica** | ||
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| + | * A Antropologia Filosófica da Pessoa e a Crítica ao Racionalismo Abstrato: A intuição arquitetônica central de Georges Gusdorf assenta-se na defesa intransigente da Pessoa humana como um mistério vivo e inacabado. Contra o intelectualismo desumanizado de Descartes e contra o idealismo especulativo que absorve o indivíduo no Absoluto impessoal, Gusdorf assevera que a vida humana não é dedutível de princípios geométricos lógicos puros. O homem é um ser encarnado, aberto ao sofrimento, à esperança e à transcendência. Conhecer a si mesmo não é uma operação puramente intelectual de um sujeito isolado no gabinete, mas uma experiência dramática de engajamento no mundo e na convivência com os outros. | ||
| + | * O Tratado de Metafísica e a Realidade Humana como Abertura ao Ser: No Traité de métaphysique, | ||
| + | * A Epistemologia das Ciências Humanas e o Combate ao Reducionismo: | ||
| + | * A Palavra Viva contra a Dissolução Estruturalista da Linguagem: Na filosofia da linguagem de Gusdorf, a palavra (la parole) distingue-se radicalmente da língua (la langue) entendida como simples sistema fechado de signos. Enquanto as ciências humanas estruturalistas pretendiam dissolver o sujeito falante nas estruturas inconscientes da linguagem, Gusdorf resgata a palavra como um ato originário e existencial. É a palavra viva que funda o diálogo e estabelece a comunhão entre consciências. Quando o homem renuncia à autenticidade da palavra em benefício da tagarelice cotidiana ou do jargão técnico tecnocrático, | ||
| + | * A Hermenêutica Autobiográfica e o Significado Existencial da Memória: Nos estudos de Gusdorf, a escrita autobiográfica adquire um estatuto ontológico supremo. O autor que redige a história de sua vida não realiza um inventário frio e neutro de fatos empíricos objetivos: ele cumpre um ato de criação retrospectiva. A memória opera uma ascese de unificação espiritual, conferindo uma forma e um sentido ao que parecia dispersão arbitrária e contingente no curso dos dias. A autobiografia é, no sentido mais profundo, a teodiceia pessoal do autor: a narrativa pela qual o si reconcilia-se com a sua finitude, decifra o destino de sua singularidade e oferece a sua existência como testemunho inteligível perante a história e a eternidade. | ||
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