groddeck:lewinter-o-isso-e-o-eu
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| + | I. Por causa de si entendo aquilo cuja essência envolve existência, | ||
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| + | III. Por substância entendo aquilo que é em si e é concebido por si, isto é, aquilo cujo conceito não precisa do conceito de outra coisa a partir do qual deva ser formado. | ||
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| + | IV. Por atributo entendo aquilo que o intelecto percebe da substância como constituindo a essência dela. | ||
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| + | V. Por modo entendo afecções da substância, | ||
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| + | VII. É dita livre aquela coisa que existe a partir da só necessidade de sua natureza e determina-se por si só a agir. Porém, necessária, | ||
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| + | Estas definições de Espinosa (Ética, parte 1 ((Trad. Grupo de Estudos Espinosanos)) ) aplicam-se tão perfeitamente às concepções groddeckianas do Isso, do eu e de seus relacionamentos, | ||
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| + | O termo " | ||
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| + | O termo Deus-Natureza – ou seja, o conceito de Isso – é emprestado dos seguintes versos de Goethe: "Was kann der Mensch im Leben mehr gewinnen /als dass sich Gottnatur ihm offenbare/ : Wie sie das Feste lässt zu Geist verrinnen,/ | ||
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| + | Quanto à dialética do Isso, ela se encontra definida em dois outros textos de Goethe, aos quais Groddeck, mesmo após sua descoberta da psicanálise, | ||
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| + | Groddeck o reafirma sem cessar (cf. O Livro do Isso, Do Isso, O Isso e a Psicanálise, | ||
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| + | Os atributos do Isso – como os da substância – são o pensamento e a extensão, dos quais a psique e a physis humanas são as modificações. A relação entre o eu e o Isso é aquela que Espinosa coloca entre o homem e Deus: " | ||
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| + | Para Espinosa, "da necessidade da natureza divina deve seguir em uma infinidade de modos uma infinidade de coisas, quer dizer, tudo o que pode cair em um entendimento infinito" | ||
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| + | Esta existência simultânea da substância em sua infinitude naturante – como ser eterno – e em sua finitude naturada – como aparecer temporal – resolve a aparente contradição das duas afirmações constantes de Groddeck: como que o Isso é por definição não pessoal, imutável, indivisível e atemporal, toda postulação de um Isso pessoal, histórico e " | ||
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| + | A coexistência dos dois termos, o primeiro é intransitivo e o segundo é transitivo, define a natureza da " | ||
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| + | O Isso – como substância – enquanto causa de si é livre, mas não " | ||
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| + | Pensamento e extensão, como os atributos da substância, | ||
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| + | Se o Corpo, a physis humana, fosse simples, a ideia que teria a Alma, a psique humana, o seria igualmente: o homem teria um conhecimento adequado de si. Mas, como vimos, para Groddeck e Espinosa, o Corpo Humano não é simples mas " | ||
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| + | Também resulta desta multiplicidade que o homem pode ser afetado pelo mesmo objeto de várias maneiras, e que vários objetos podem afetá-lo da mesma maneira, finalmente, que os " | ||
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