espinosa:etica:afeccao
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| + | ====== Afecção====== | ||
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| + | Se o Corpo humano é afetado de uma maneira que envolve a natureza de um Corpo externo, a Mente humana contemplará esse mesmo corpo externo como existente em ato ou como presente a si até o Corpo ser afetado por uma afecção | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | A ideia de qualquer afecção | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | A ideia de qualquer afecção | ||
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| + | A ideia da ideia de qualquer afecção | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | Escólio: No Escólio da Proposição 17 desta Parte, expliquei de que maneira o erro consiste numa privação de conhecimento; | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | Escólio: Esta afecção | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | I. O Desejo é a própria essência do homem enquanto é concebida determinada a fazer algo por uma dada afecção | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | 5 desta parte) recebe a força para perseverar em seu ser de sua causa; ], por conseguinte, | ||
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| + | Corolário: Um afeto , enquanto referido à Mente, não pode ser coibido nem suprimido a não ser pela ideia de uma afecção | ||
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| + | Não há nenhuma afecção | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | Corolário: Daí segue que não há nenhum afeto de que não possamos formar um conceito claro e distinto. Pois o afeto é a ideia de uma afecção | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | AFECÇÕES | ||
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| + | V. Por modo entendo afecções | ||
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| + | A substância é anterior por natureza a suas afecções . ÉTICA I Deus Prop. I | ||
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| + | Duas ou várias coisas distintas distinguem-se entre si ou pela diversidade dos atributos das substâncias, | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | Corolário: Daí segue que a substância não pode ser produzida por outro. Com efeito, na natureza das coisas nada é dado exceto substâncias e suas afecções , como é patente pelo Ax. 1 e pelas Def. 3 e 5. Ora, não pode ser produzida por uma substância (pela Prop. preced.). Logo, a substância não pode absolutamente ser produzida por outro. C. Q. D. Doutra Maneira: Isto também é demonstrado mais facilmente pelo absurdo do contraditório. Com efeito, se a substância pudesse ser produzida por outro, seu conhecimento deveria depender do conhecimento de sua causa (pelo Ax. 4), e então (pela Def. 3) não seria substância. ÉTICA I Deus Prop. VI | ||
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| + | Corolário II: Segue: IIº que a coisa extensa e a coisa pensante são ou atributos de Deus ou (pelo Ax. 1) afecções | ||
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| + | Corolário: As coisas particulares nada são senão afecções | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | O intelecto, finito em ato ou infinito em ato, deve compreender os atributos de Deus e as afecções | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | Depois que os homens se persuadiram de que tudo que ocorre, ocorre em vista deles próprios, deveram julgar por principal em cada coisa aquilo que lhes é utilissimo, e estimar excelentíssimo tudo aquilo pelo que eram afetados da melhor maneira. Donde terem devido formar, para explicar as naturezas das coisas, estas noções: Bem, Mal, Ordem, Confusão, Quente, Frio, Beleza e Feiura; e porque se reputam livres, disso nasceram estas noções: Louvor, Vitupério, Pecado e Mérito. Explicarei as últimas mais à frente, depois que me tiver ocupado da natureza humana; as primeiras, porém, aqui brevemente. De fato, chamaram Bem a tudo que conduz à boa saúde e ao culto de Deus, e Mal, por outro lado, ao que é contrário a isso. E como esses que não entendem a natureza das coisas nada afirmam sobre elas, mas apenas as imaginam e tomam a imaginação pelo intelecto, por isso creem firmemente, ignorantes que são da natureza das coisas e da sua própria, haver ordem nas coisas. Pois quando elas são de tal maneira dispostas que, ao nos serem representadas pelos sentidos, podemos facilmente imaginá-las e, por conseguinte, | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | Escólio: Vemos, pois, de que maneira pode ocorrer que contemplemos como que presentes coisas que não o são, tal como ocorre frequentemente. E pode ser que isso aconteça por outras causas; para mim, porém, basta ter mostrado aqui uma pela qual eu possa explicar a coisa como se a tivesse mostrado pela causa verdadeira; contudo, não creio desviar-me muito da verdadeira, visto que todos os postulados que assumi dificilmente contêm algo que não se constate pela experiência, | ||
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| + | Escólio: Daqui claramente entendemos o que seja a Memória. Com efeito, não é nada outro que alguma concatenação de ideias que envolvem a natureza das coisas que estão fora do Corpo humano, a qual ocorre na Mente segundo a ordem e a concatenação das afecções | ||
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| + | A Mente humana não conhece o próprio Corpo humano nem sabe que ele existe senão pelas ideias das afecções | ||
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| + | A Mente humana percebe não somente as afecções | ||
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| + | A Mente não conhece a si própria senão enquanto percebe as ideias das afecções | ||
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| + | A Mente humana não percebe nenhum corpo externo como existente em ato senão pelas ideias das afecções | ||
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| + | As ideias das afecções | ||
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| + | Escólio: Da mesma maneira se demonstra que, em si só considerada, | ||
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| + | Corolário: Donde segue que a Mente humana, toda vez que percebe as coisas na ordem comum da natureza, não tem de si própria, nem de seu Corpo, nem dos corpos externos conhecimento adequado, mas apenas confuso e mutilado. Pois a mente não conhece a si própria senão enquanto percebe as ideias das afecções | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | III. Por Afeto entendo as afecções | ||
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| + | Assim, se podemos ser causa adequada de alguma destas afecções , então por Afeto entendo ação; caso contrário, paixão. ÉTICA III Afetos Definições | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | Escólio: Assim vemos como, por natureza, a maioria dos homens está constituída de tal maneira que se comisera dos que estão mal e inveja os que estão bem, e (pela Prop. preced.) com um ódio tanto maior quanto mais amam a coisa que imaginam ser possuída pelo outro. Vemos, ainda, que da mesma propriedade da natureza humana da qual segue que os homens são misericordiosos, | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | Escólio: Todas as ações que seguem dos afetos | ||
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| + | Conforme os pensamentos e as ideias das coisas são ordenados e concatenados na Mente, assim também, à risca, as afecções | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | Enquanto não nos defrontamos com afetos | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | Escólio: Por este poder de corretamente ordenar e concatenar as afecções | ||
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| + | A Mente pode fazer com que todas as afecções | ||
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| + | Demonstração: | ||
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| + | Escólio: Da mesma maneira podemos mostrar que não se dá nenhum afeto que seja diretamente contrário a este Amor e pelo qual ele possa ser destruído, e por isso podemos concluir que este Amor a Deus é o mais constante de todos os afetos | ||
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