| A especificidade e a autonomia de toda a ciência não surgem por simples providência epistemológica, mas através de laboriosos progressos. A sociologia não foge a esta regra. Ao longo dos séculos, ela conseguiu emergir, progressivamente, de diferentes níveis epistemológicos, de diferentes filosofias e visões do mundo que, na sua origem, não eram nem sociológicos nem científicos. Gaston Bachelard mostrou bem no seu livro La Formation de l’esprit scientifique que toda a ciência que se interroga, se inspira em grandes imagens e se opõe, ao mesmo tempo, a esta tentação poética. É assim que os precursores dos sociólogos se viram durante muito tempo atormentados pelo menos por três metáforas. A primeira tende a comparar o «corpo» social a um organismo vivo. A segunda, a fazer voltar a sociedade às intenções conscientes da ética e da política. A terceira, que adota o símbolo da árvore de Jessé, assimila as sociedades singulares ao destino providencial de uma humanidade que se confunde com o progresso das técnicas. A primeira e a terceira propõem-nos uma imagem de um inconsciente social, mas que se organiza e se desenvolve segundo uma fatalidade biológica ou uma providência técnica; a segunda dá-nos, de uma forma clara, um objeto especificamente humano, mas baseado em decisões individuais. | A especificidade e a autonomia de toda a ciência não surgem por simples providência epistemológica, mas através de laboriosos progressos. A sociologia não foge a esta regra. Ao longo dos séculos, ela conseguiu emergir, progressivamente, de diferentes níveis epistemológicos, de diferentes filosofias e visões do mundo que, na sua origem, não eram nem sociológicos nem científicos. Gaston Bachelard mostrou bem no seu livro La Formation de l’esprit scientifique que toda a ciência que se interroga, se inspira em grandes imagens e se opõe, ao mesmo tempo, a esta tentação poética. É assim que os precursores dos sociólogos se viram durante muito tempo atormentados pelo menos por três metáforas. A primeira tende a comparar o «corpo» social a um organismo vivo. A segunda, a fazer voltar a sociedade às intenções conscientes da ética e da política. A terceira, que adota o símbolo da árvore de Jessé, assimila as sociedades singulares ao destino providencial de uma humanidade que se confunde com o progresso das técnicas. A primeira e a terceira propõem-nos uma imagem de um inconsciente social, mas que se organiza e se desenvolve segundo uma fatalidade biológica ou uma providência técnica; a segunda dá-nos, de uma forma clara, um objeto especificamente humano, mas baseado em decisões individuais. |