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| + | ====== DAÇÃO DO SI MESMO (2014: | ||
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| + | Como vemos a nós mesmos? Toda uma tradição filosófica responde que precisamos questionar “nossa consciência”. Se fizermos isso, explica essa tradição, que pode ser descrita como egológica, descobriremos que essa consciência se torna “consciência de si” quando toma o próprio sujeito como seu objeto e o reconhece como tal. O sujeito da consciência é seu próprio objeto (ego). Por meio de sua consciência, | ||
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| + | É exatamente isso que Heidegger quer contestar. Ele expõe sua própria tese sobre Selbstheit em Ser e Tempo em fórmulas muito densas. Felizmente, nesse ponto, podemos nos referir a um relato mais desenvolvido que ele fez em uma palestra em 1927, publicada sob o título Os Problemas Fundamentais da Fenomenologia (GA24). Nessa palestra, Heidegger assume uma posição sobre o que mais tarde seria chamado, e por sua influência, | ||
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| + | Heidegger exige que essa pergunta “o que é ser si mesmo?” seja colocada de forma fenomenológica. Ele pergunta: Como o si é dado? A noção de ipseidade que estamos prestes a introduzir pertence, portanto, ao que podemos chamar de fenomenologia do si. Uma fenomenologia do si deve começar perguntando: | ||
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| + | Como proceder fenomenologicamente? | ||
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| + | A noção de ipseidade tem como objetivo explicar como cada um de nós se depara com uma escolha: ele será ele mesmo ou não? Aqui, o futuro próximo entra em jogo, porque estamos falando de possibilidades que estão abertas para nós neste momento. Não é “eu sou eu”, mas “vou ser eu”? Em retrospecto, | ||
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| + | O Dasein não é simplesmente, | ||
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| + | Esse texto apresenta a ideia de que o ser humano (o “Dasein” []) tem dois tipos completamente diferentes de identidade, já que o primeiro (Selbigkeit) faz dele o indivíduo que ele é, enquanto o segundo (Selbstheit) o força a escolher entre “ser ele mesmo” ou “não ser ele mesmo”. | ||
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| + | Heidegger primeiro relembra o princípio segundo o qual todo ser possui identidade em si. “Todo ser em geral...” Uma proposição que começa dessa forma pertence à ontologia geral ou formal. Portanto, podemos falar de um conceito formal (“ontológico-formal”) de identidade. Entre as propriedades de qualquer entidade denotada “a” está precisamente a identidade denotada “a = a”. Essa verdade, se é que é uma verdade, aplica-se a tudo, ou seja, a tudo que podemos isolar do resto, separando-o ao registrá-lo com o nome “a”. Portanto, também se aplica a nós: como todo o resto, cada um de nós é idêntico a si mesmo, é o indivíduo que é, não outro. Portanto, possuímos ipseitas escolástica, | ||
