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| + | ====== PERGUNTA "QUEM SOU?" (2014: | ||
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| + | Comecei perguntando: | ||
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| + | Portanto, tivemos que retornar à proposição fundamental de toda a filosofia do sujeito: ego cogito, ego sum. Heidegger apontou corretamente que essa frase “ego cogito” foi analisada pelos filósofos (especialmente na tradição kantiana) como uma proposição predicativa adequada, com o pronome ego como sujeito e o verbo cogito como predicado. Entretanto, isso nos dá apenas um conceito lógico de sujeito, já que qualquer sentença atributiva será analisada da mesma forma. A pedra quente é tanto o sujeito de seu calor quanto Aquiles é de sua cólera. Essa análise lógica, portanto, não revela a subjetividade de um sujeito consciente de si. | ||
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| + | Heidegger nos convida a derivar nosso conceito de subjetividade a partir de nossa compreensão da pergunta “Quem? | ||
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| + | Portanto, a filosofia existencial nos pede para fazer a pergunta “Quem?” na primeira pessoa. No entanto, acabamos de ver por que essa pergunta sobre o sujeito só se aplicaria a respeito de outro que não fosse si mesmo. O erro inaugural das filosofias clássicas do sujeito foi precisamente equiparar a primeira pessoa à terceira pessoa, torná-la uma variante subjetiva da terceira pessoa e procurar em vão identificar um sujeito, o eu, cujo nome próprio seria o pronome “eu”. | ||
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| + | O que isso significa, senão que a pergunta existencial, | ||
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| + | É possível usar a palavra “quem” para fazer uma pergunta sobre o sujeito que não seja a pergunta do sujeito? O que queremos aprender perguntando “quem? se já não se trata da identidade de alguém? | ||
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| + | [DESCOMBES, Vincent. Le parler de soi. Paris: Gallimard, 2014] | ||
