descombes:1991:quatro-questoes-sobre-eu-e-si
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| descombes:1991:quatro-questoes-sobre-eu-e-si [17/02/2026 18:34] – created - external edit 127.0.0.1 | descombes:1991:quatro-questoes-sobre-eu-e-si [31/10/2026 20:18] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== Quatro questões sobre " | ||
| + | // | ||
| + | Neste livro, Paul Ricœur redefine os termos de um debate iniciado há cerca de trinta anos. Trata-se da “polêmica do Cogito” (p. 14). Ao mesmo tempo, ele recapitula uma investigação filosófica cujos primeiros resultados haviam sido publicados em 1950. Nesse intervalo, essa pesquisa se emancipou de seu quadro inicial, o de uma fenomenologia da vontade. Hoje, ela se define como uma filosofia prática, entendida no sentido de uma “segunda filosofia” (p. 31). Ou seja: uma filosofia destinada a substituir a meditação de tipo cartesiano e husserliano sobre um dado absolutamente radical que pretendia servir de fundamento para o que Ricœur chamava, em sua tese, de “as estruturas ou as possibilidades fundamentais do homem”. | ||
| + | |||
| + | É-me, evidentemente, | ||
| + | |||
| + | O recurso à análise, no sentido atribuído a esse termo pela filosofia analítica, é o preço a pagar por uma hermenêutica caracterizada pelo status indireto da posição do eu. (p. 28, itálico do autor). | ||
| + | |||
| + | De que análise se trata? O que ela tem a ver com uma posição indireta do eu por parte do sujeito? Em que medida tal hermenêutica se distingue de uma filosofia reflexiva clássica ou de uma fenomenologia descritiva da consciência? | ||
| + | |||
| + | 1) Uma questão de gramática filosófica: | ||
| + | |||
| + | 2) Uma questão de filosofia da ação: Qual é o status das intenções de agir? São, em primeiro lugar, propriedades da ação ou propriedades do agente? | ||
| + | |||
| + | 3) Uma questão de metafísica: | ||
| + | |||
| + | 4) Uma questão de filosofia da mente: O que é, afinal, esse “eu” que aparece na expressão “consciência de si”? | ||
| + | |||
| + | A “polêmica do Cogito” gira em torno dos pronomes pessoais. De um lado, a filosofia do “eu” invoca um sujeito que se recusa a qualquer “objetivação”. Esse sujeito só pode ser mencionado no discurso se decidir se colocar nele por si mesmo, na primeira pessoa. Do lado oposto, simetricamente, | ||
| + | |||
| + | Ora, a filosofia prática, cujo objetivo é detalhar as formas e os fins da ação humana, exige que se esclareça essa questão dos pronomes pessoais. De fato, as duas doutrinas opostas na controvérsia têm outro ponto em comum. Ambas tendem a tornar dificilmente concebível a ação humana como tal. A egologia não é favorável a uma verdadeira filosofia prática, pois inclina-se para o solipsismo. Para o Eu dos filósofos, a vida em sociedade sempre parece ser uma opção facultativa. Quanto à doutrina oposta, aquela que rejeita as pretensões desse Eu filosófico, | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
