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denis_de_rougemont:narrativa-tristao

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denis_de_rougemont:narrativa-tristao [13/01/2026 06:06] – created mccastrodenis_de_rougemont:narrativa-tristao [13/01/2026 06:10] (current) mccastro
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     * Tristão morre.     * Tristão morre.
     * Isolda, a Loura, chega, sobe ao castelo, beija o corpo do amante e morre.     * Isolda, a Loura, chega, sobe ao castelo, beija o corpo do amante e morre.
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 +==== Enigmas ====
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 +  * Destruição do encanto e revelação de uma estrutura equívoca
 +    * Resumo frio do poema revela que sua premissa e progressão não são desprovidas de ambiguidade.
 +    * Episódios acessórios omitidos, mas motivos centrais da ação destacados.
 +    * Esses motivos se reduzem a poucas coisas: fidelidade cavaleiresca, cessação do filtro, casamento por nome e beleza.
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 +  * Primeira contradição enigmática: a não imposição do direito do mais forte
 +    * Observação de um editor: Tristão é fisicamente superior a todos, incluindo o rei Marco.
 +    * Nenhuma força externa poderia impedi-lo de raptar Isolda e seguir seu destino.
 +    * Os costumes da época santificam o direito do mais forte, especialmente sobre uma mulher.
 +    * Por que Tristão não exerce esse direito?
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 +  * A espada da castidade na floresta: ato sem motivação explícita
 +    * Amantes já pecaram, não se arrependem, não preveem a surpresa do rei.
 +    * Nenhuma versão oferece razão para colocar a espada nua entre os corpos.
 +    * Ato permanece inexplicado no texto.
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 +  * Devolução de Isolda ao rei mesmo com o filtro ativo
 +    * Nas versões onde o filtro ainda age, por que Tristão a devolve?
 +    * Se é arrependimento sincero, por que prometem se reencontrar no ato da separação?
 +    * Por que Tristão se afasta para novas aventuras se têm encontro marcado na floresta?
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 +  * O julgamento de Deus: proposta temerária e triunfo por blasfêmia
 +    * Por que a rainha culpada propõe um julgamento de Deus, prova que deveria condená-la?
 +    * Triunfa apenas por uma artimanha improvisada in extremis.
 +    * A narrativa sugere que Deus é enganado, pois o milagre ocorre.
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 +  * Consequência lógica ignorada: retorno possível após a inocência comprovada
 +    * Com o julgamento superado, Isolda é considerada inocente, logo Tristão também.
 +    * Nada mais se oporia ao retorno de Tristão à corte, próximo de Isolda.
 +    * Esta possibilidade lógica não é explorada nem comentada.
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 +  * Silêncio dos poetas sobre atos moralmente indefensáveis
 +    * Poetas do século XIII, exigentes com honra e fidelidade, deixam passar sem comentário ações condenáveis.
 +    * Como apresentam Tristão como modelo de cavalaria, mesmo traindo seu rei com ardis cínicos?
 +    * Como apresentam Isolda como dama virtuosa, sendo adúltera e blasfema?
 +    * Por que tratam de criminosos os barões que defendem a honra do rei, se estes não mentiram nem traíram?
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 +  * Questionamento da validade dos próprios motivos alegados
 +    * Se a fidelidade ao soberano exige que Tristão entregue a noiva, por que esses escrúpulos são tardios e pouco sinceros, dado que ele não cessa de tentar retornar a Isolda?
 +    * O filtro que cessa de agir: destinado aos esposos, por que ter duração limitada? Três anos é pouco para a felicidade conjugal.
 +    * O casamento com Isolda das Mãos Brancas: nada obriga Tristão a este casamento nem à castidade que impõe.
 +    * Ele se coloca numa situação sem saída senão a morte.
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