denis_de_rougemont:narrativa-tristao
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| * Tristão morre. | * Tristão morre. | ||
| * Isolda, a Loura, chega, sobe ao castelo, beija o corpo do amante e morre. | * Isolda, a Loura, chega, sobe ao castelo, beija o corpo do amante e morre. | ||
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| + | ==== Enigmas ==== | ||
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| + | * Destruição do encanto e revelação de uma estrutura equívoca | ||
| + | * Resumo frio do poema revela que sua premissa e progressão não são desprovidas de ambiguidade. | ||
| + | * Episódios acessórios omitidos, mas motivos centrais da ação destacados. | ||
| + | * Esses motivos se reduzem a poucas coisas: fidelidade cavaleiresca, | ||
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| + | * Primeira contradição enigmática: | ||
| + | * Observação de um editor: Tristão é fisicamente superior a todos, incluindo o rei Marco. | ||
| + | * Nenhuma força externa poderia impedi-lo de raptar Isolda e seguir seu destino. | ||
| + | * Os costumes da época santificam o direito do mais forte, especialmente sobre uma mulher. | ||
| + | * Por que Tristão não exerce esse direito? | ||
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| + | * A espada da castidade na floresta: ato sem motivação explícita | ||
| + | * Amantes já pecaram, não se arrependem, não preveem a surpresa do rei. | ||
| + | * Nenhuma versão oferece razão para colocar a espada nua entre os corpos. | ||
| + | * Ato permanece inexplicado no texto. | ||
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| + | * Devolução de Isolda ao rei mesmo com o filtro ativo | ||
| + | * Nas versões onde o filtro ainda age, por que Tristão a devolve? | ||
| + | * Se é arrependimento sincero, por que prometem se reencontrar no ato da separação? | ||
| + | * Por que Tristão se afasta para novas aventuras se têm encontro marcado na floresta? | ||
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| + | * O julgamento de Deus: proposta temerária e triunfo por blasfêmia | ||
| + | * Por que a rainha culpada propõe um julgamento de Deus, prova que deveria condená-la? | ||
| + | * Triunfa apenas por uma artimanha improvisada in extremis. | ||
| + | * A narrativa sugere que Deus é enganado, pois o milagre ocorre. | ||
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| + | * Consequência lógica ignorada: retorno possível após a inocência comprovada | ||
| + | * Com o julgamento superado, Isolda é considerada inocente, logo Tristão também. | ||
| + | * Nada mais se oporia ao retorno de Tristão à corte, próximo de Isolda. | ||
| + | * Esta possibilidade lógica não é explorada nem comentada. | ||
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| + | * Silêncio dos poetas sobre atos moralmente indefensáveis | ||
| + | * Poetas do século XIII, exigentes com honra e fidelidade, deixam passar sem comentário ações condenáveis. | ||
| + | * Como apresentam Tristão como modelo de cavalaria, mesmo traindo seu rei com ardis cínicos? | ||
| + | * Como apresentam Isolda como dama virtuosa, sendo adúltera e blasfema? | ||
| + | * Por que tratam de criminosos os barões que defendem a honra do rei, se estes não mentiram nem traíram? | ||
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| + | * Questionamento da validade dos próprios motivos alegados | ||
| + | * Se a fidelidade ao soberano exige que Tristão entregue a noiva, por que esses escrúpulos são tardios e pouco sinceros, dado que ele não cessa de tentar retornar a Isolda? | ||
| + | * O filtro que cessa de agir: destinado aos esposos, por que ter duração limitada? Três anos é pouco para a felicidade conjugal. | ||
| + | * O casamento com Isolda das Mãos Brancas: nada obriga Tristão a este casamento nem à castidade que impõe. | ||
| + | * Ele se coloca numa situação sem saída senão a morte. | ||
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