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| + | ====== Debaise ====== | ||
| + | **Didier Debaise (1975–)** | ||
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| + | Filósofo, ensaísta e pesquisador belga, professor de Filosofia Contemporânea na Université Libre de Bruxelles (ULB) e diretor de pesquisa no Fonds de la Recherche Scientifique (F.R.S.-FNRS), | ||
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| + | **1. Obras Monográficas e Tratados Teóricos Fundamentais (Edições Originais)** | ||
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| + | * DEBAISE, Didier. Un empirisme spéculatif: | ||
| + | * Foco: Monografia de exegese sistemática e reconstrução ontológica da obra-prima de Alfred North Whitehead (*Process and Reality*, 1929). Debaise elucida os conceitos nodais da filosofia do organismo (as ocasiões atuais, a preensão, o nexo e o avanço criativo), demonstrando que o empirismo de Whitehead não se reduz ao registro passivo de sensações isoladas, mas constitui um empirismo especulativo que exige a generalização ontológica dos sentimentos e da agência criadora para o interior da própria tessitura dos eventos físicos do cosmos. | ||
| + | * DEBAISE, Didier. Le langage de l' | ||
| + | * Foco: Ontologia do acontecimento e metafísica comparada. O autor estabelece uma confrontação rigorosa entre as filosofias do acontecimento em Gilles Deleuze e Alfred North Whitehead. Debaise investiga a ultrapassagem da substância clássica estável em proveito da gênese processual do singular, examinando como o pensamento pode apreender a emergência da novidade radical no mundo sem recair nas armadilhas da representação estática do sujeito e do objeto. | ||
| + | * DEBAISE, Didier. L' | ||
| + | * Foco: Teoria do valor, proposições especulativas e estética metafísica. Debaise examina o conceito whiteheadiano de "isca para o sentimento" | ||
| + | * DEBAISE, Didier. Nature comme événement: | ||
| + | * Foco: Epistemologia ecológica e cosmologia; ensaio programático de crítica da modernidade. O pensador disseca a falácia da bifurcação da natureza formulada no século XVII, demonstrando que a separação entre uma matéria cega, fria e quantitativa e uma mente humana povoada de significados e sentimentos operou a mutilação ontológica que legitimou a devastação extrativista da biosfera. O livro esboça os alicerces de um pragmatismo especulativo capaz de pensar a natureza como um feixe vivo de eventos interconectados. | ||
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| + | **2. Organização de Obras Coletivas, Dossiês e Edições Críticas** | ||
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| + | * DEBAISE, Didier (Org.). Vie et expérimentation: | ||
| + | * Foco: História do pragmatismo clássico e filosofia da ciência; coletânea que resgata a dimensão vitalista e experimental do pragmatismo americano contra a sua redução vulgar a uma teoria utilitarista e instrumental da verdade. | ||
| + | * DEBAISE, Didier (Org.). Philosophie des possessions. Dijon: Les Presses du Réel, 2011. | ||
| + | * Foco: Ontologia social e antropologia filosófica a partir de Gabriel Tarde. A obra reúne ensaios dedicados à reabilitação das categorias de " | ||
| + | * Colaborações com Isabelle Stengers e Bruno Latour: | ||
| + | * Participação assídua no Groupe d' | ||
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| + | **3. Contexto Institucional e Atuação Universitária** | ||
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| + | * Magistério e Liderança no Departamento de Filosofia da ULB: | ||
| + | * Na Université Libre de Bruxelles, Debaise consolidou um polo internacional de estudos sobre o pragmatismo e a filosofia do processo, orientando teses que articulam o pensamento ecológico, a antropologia contemporânea (em diálogo com Eduardo Viveiros de Castro e Philippe Descola) e a teoria da arte. | ||
| + | * Vínculo com o F.R.S.-FNRS e Intercâmbio Transnacional: | ||
| + | * Como pesquisador qualificado do Fonds de la Recherche Scientifique belga, desenvolveu projetos de cooperação acadêmica com instituições da França, da Alemanha, dos Estados Unidos e do Reino Unido, coordenando redes europeias de investigação sobre o estatuto epistemológico e cosmológico do Antropoceno. | ||
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| + | **4. Recepção Acadêmica e Eixos de Circulação** | ||
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| + | * O Renascimento da Metafísica Processual e o Debate Ambiental: | ||
| + | * A recepção de Didier Debaise insere-se no movimento de reavaliação global da metafísica especulativa no século XXI. Ao lado de pensadores como Isabelle Stengers e Donna Haraway, sua obra tornou-se uma referência incontornável para as humanidades ambientais e para a filosofia da técnica, fornecendo o arcabouço ontológico necessário para superar o antropocentrismo estéril sem cair no cientificismo redutor. | ||
| + | * Circulação no Espaço Lusófono: | ||
| + | * As teses de Debaise têm despertado crescente interesse em departamentos de Filosofia, Antropologia, | ||
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| + | **5. Eixos Metodológicos e Arquitetura Teórica** | ||
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| + | * A Crítica da Bifurcação da Natureza: A tese arquitetônica fulcral de Didier Debaise, amparada na herança de Whitehead, repousa no diagnóstico da bifurcação da natureza como a ferida originária do pensamento moderno. O cartesianismo e a física mecanicista dividiram a realidade em dois compartimentos incomunicáveis: | ||
| + | * O Pragmatismo Especulativo e a Filosofia do Organismo: Para Debaise, a especulação metafísica não é uma evasão sonhadora para fora do mundo sensível em busca de absolutos estáticos, mas um método pragmático de abertura e intensificação da experiência. Inspirado na filosofia do organismo de Whitehead e no empirismo de William James, o filósofo assevera que a tarefa da cosmologia consiste em conceber o universo não como um mecanismo de engrenagens mortas, mas como uma rede infinita de organismos vivos em processo contínuo de individuação. Cada evento físico é uma ocasião de experiência que herda o passado, realiza uma síntese afetiva e abre-se criativamente para novas possibilidades de devir. | ||
| + | * A Preensão e o Sentimento Cósmico como Agência Universal: Contra o primado moderno do sujeito cognoscente que observa passivamente objetos exteriores mudos, Debaise reabilita a categoria de " | ||
| + | * O Acontecimento contra a Substância: | ||
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