blondel:archambault-1941-blondel-o-objeto-da-metafisica
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Next revision | Previous revision | ||
| blondel:archambault-1941-blondel-o-objeto-da-metafisica [30/12/2025 17:59] – created - external edit 127.0.0.1 | blondel:archambault-1941-blondel-o-objeto-da-metafisica [17/02/2026 18:34] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== BLONDEL, O OBJETO DA METAFÍSICA (1941) ====== | ||
| + | |||
| + | ARCHAMBAULT1941 | ||
| + | |||
| + | Quando, graças às percepções dos nossos sentidos, aos mecanismos do instinto, aos ensinamentos da experiência, | ||
| + | — Tudo isso se conecta e onde? Como esse conjunto de dados pode receber uma forma de organização e unidade? | ||
| + | — O que fazemos no meio desse universo de objetos, nós, sujeitos pensantes, sensíveis e atuantes? Que destino nos espera? Como devemos e podemos corresponder a esse destino? | ||
| + | A filosofia — e a metafísica é como a parte propriamente filosófica dela — é uma tentativa de resposta a essas duas questões. | ||
| + | Tradicionalmente, | ||
| + | |||
| + | 1° UMA TENTATIVA DE EXPLICAÇÃO TOTAL. | ||
| + | |||
| + | Por um lado, uma síntese racional, uma tentativa de explicação total. A filosofia começa onde, em vez de se prender a dados parciais, a problemas particulares, | ||
| + | |||
| + | 2° UMA RESPOSTA AO PROBLEMA DO DESTINO. | ||
| + | |||
| + | Por outro lado, uma resposta ao problema do destino e uma contribuição para sua realização efetiva, por meio de uma luz e uma força novas proporcionadas à alma, permitindo uma condução da vida mais lúcida e corajosa. Segundo a etimologia, como para a voz popular, o filósofo é o sábio, aquele que pratica a sabedoria por si mesmo e ajuda os outros a praticá-la. | ||
| + | Nunca essas duas preocupações — uma propriamente intelectual, | ||
| + | Na realidade, porém, não é fácil associá-las de maneira coerente, e poucas doutrinas conseguiram fazê-lo perfeitamente — umas se apegando a definições e conexões de conceitos que não deixam muito espaço para a experiência pessoal e pretendem reger de cima a prática por meio de teorias concebidas fora dela; — outras se limitando a observações, | ||
| + | Primeira manifestação de uma dualidade, de uma fissura que encontraremos ao longo do desenvolvimento do pensamento: retrospectiva e prospecção; | ||
| + | Sem esperar tapar o buraco, é preciso tentar aproximar as bordas. Isso pode nos levar a praticar simultaneamente: | ||
| + | — uma metafísica ascendente que, a partir das nossas experiências e inquietações humanas, tais como se apresentam à observação comum do psicólogo e do moralista, nos conduz pouco a pouco ao objeto próprio para nos iluminar e nos apaziguar; | ||
| + | — uma metafísica descendente que se esforça para conquistar diretamente esse objeto, por meio de procedimentos tecnicamente definidos, a fim de nos fornecer imediatamente um centro de perspectiva, | ||
| + | Essa distinção aparece particularmente clara entre o segundo e o primeiro volume de A Ação em sua redação definitiva — um dedicado a «especificar a natureza essencial da ação», o outro a «examinar o exercício ou recolher a lição da ação efetiva» (A. I, p. 26-27, 292). | ||
