| 12. A monotonia nasce da planificação científica do tempo, da insensibilidade para o ritmo e a duração. Ela explica a soturna resignação das massas urbanas, a passividade das filas uniformes, engendra o coletivismo e esclarece a ruptura intermitente de violências irreprimíveis: a monotonia explica as guerras internacionais, como explosões inevitáveis; tal a necessidade incoercível de quebrar a monotonia, para saltar fora do círculo de ferro da igualdade de todos os momentos. É estreita a correlação entre a explosão das guerras internacionais e o universal aborrecimento, que é consequência da monotonia. Por parodoxal que pareça, essas explosões irracionais significam ainda uma vontade de viver, que se dissolve inteiramente quando a monotonia final estende sobre todas as cousas o silêncio da morte irremediável. As guerras precisamente, ou irrompem nos centros de condensação histórica ou em função desses centros, porque é neles que se torna mais insuportável o conflito entre a cultura e a monotonia. Tal é o extravasamento da luta entre a reminiscência do heroico e o quotidiano da existência planificada; na superfície aparecem como guerras econômicas ou ideológicas; mas, na profundeza, é o lance para gerar algum acontecimento numa época que tende a apagar até o sentido da acontecimento; quando se unirem todos os pontos do espaço matematizado, os fatos formarão uma rotina previsível, nada mais acontecerá e então a própria monotonia não poderá ser quebrada; mas enquanto houver um alento, este se converterá em desespero e o desespero em conflito. É por isso que os conflitos que irromperam e os que irromperem neste século estarão em função da problemática interior europeia, onde se levanta o apelo de um sentido para a vida contra a subordinação do ser ao fazer. E este apelo se levanta pela densidade de uma cultura que é também uma densidade da história; mas a história deixará de existir quando nada mais acontecer e quando os fatos se tornarem objeto de estatística, não de poemas e sinfonias. | 12. A monotonia nasce da planificação científica do tempo, da insensibilidade para o ritmo e a duração. Ela explica a soturna resignação das massas urbanas, a passividade das filas uniformes, engendra o coletivismo e esclarece a ruptura intermitente de violências irreprimíveis: a monotonia explica as guerras internacionais, como explosões inevitáveis; tal a necessidade incoercível de quebrar a monotonia, para saltar fora do círculo de ferro da igualdade de todos os momentos. É estreita a correlação entre a explosão das guerras internacionais e o universal aborrecimento, que é consequência da monotonia. Por parodoxal que pareça, essas explosões irracionais significam ainda uma vontade de viver, que se dissolve inteiramente quando a monotonia final estende sobre todas as cousas o silêncio da morte irremediável. As guerras precisamente, ou irrompem nos centros de condensação histórica ou em função desses centros, porque é neles que se torna mais insuportável o conflito entre a cultura e a monotonia. Tal é o extravasamento da luta entre a reminiscência do heroico e o quotidiano da existência planificada; na superfície aparecem como guerras econômicas ou ideológicas; mas, na profundeza, é o lance para gerar algum acontecimento numa época que tende a apagar até o sentido da acontecimento; quando se unirem todos os pontos do espaço matematizado, os fatos formarão uma rotina previsível, nada mais acontecerá e então a própria monotonia não poderá ser quebrada; mas enquanto houver um alento, este se converterá em desespero e o desespero em conflito. É por isso que os conflitos que irromperam e os que irromperem neste século estarão em função da problemática interior europeia, onde se levanta o apelo de um sentido para a vida contra a subordinação do ser ao fazer. E este apelo se levanta pela densidade de uma cultura que é também uma densidade da história; mas a história deixará de existir quando nada mais acontecer e quando os fatos se tornarem objeto de estatística, não de poemas e sinfonias. |