| 11. A perda da significação do ritmo se traduz ao olhar de qualquer observador por uma série de fenômenos, cuja evidência é inegável; as grandes cidades, onde desfilamos como expressões transitórias de massas anônimas — hóspedes passageiros de moradias coletivas — onde a confusão, o caos, a rotina, a resignação, a domesticação nos reduzem a apêndices de máquinas, a peças de engrenagens, matam em nós todo sentimento do ritmo interior e exterior. As técnicas são inimigas do ritmo, destruidoras da sabedoria da vida. As técnicas estão unicamente voltadas para o que Heidegger denomina com justeza a existência banal, subsumida no utilitário e no econômico; ainda, não é exato que as técnicas solucionem sempre os problemas do útil e do econômico; ao contrário, as técnicas em grande parte criam os problemas que se propõem depois a resolver; manifestação direta da planificação científica, as técnicas conseguem resolver problemas dificílimos pela razão muito simples de que foram elas mesmas que puseram esses problemas; quando um problema não é posto pela técnica, mas pela vida, a técnica não o resolve; e não vamos aqui entender por vida a existência artificial do homem contemporâneo, totalmente dominado pela técnica; as necessidades artificiais de um tal tipo humano requerem a intervenção dos inventos técnicos, porque são necessidades nascidas da técnica e esse mesmo tipo humano está conformado à imagem e semelhança da técnica. A técnica substitui nele o natural pelo artificial, o que se vive pelo que se usa, o que se cria pelo que se compra e se vende. Todo ritmo da vida foi recalcado na sua alma e até a visão do ritmo cósmico, das noites e dos dias, das estações do ano e de tudo o que manifesta a harmonia das esferas, desapareceu sob a técnica da eletricidade. Onde não há ritmo não pode haver sequer a ideia da duração; o sol e a chuva, as noites e os dias, a primavera e os invernos se tornam cada vez mais indiferentes às cidades, onde a vida natural — vida de natureza — é substituída pela vida artificial — vida de técnica. E dos resultados inúmeros desta destruição do sentido do ritmo e da duração, é fácil apontar exemplos visíveis, palpáveis, vulgares, qual por exemplo o declínio de todas as formas de expressão artística. | 11. A perda da significação do ritmo se traduz ao olhar de qualquer observador por uma série de fenômenos, cuja evidência é inegável; as grandes cidades, onde desfilamos como expressões transitórias de massas anônimas — hóspedes passageiros de moradias coletivas — onde a confusão, o caos, a rotina, a resignação, a domesticação nos reduzem a apêndices de máquinas, a peças de engrenagens, matam em nós todo sentimento do ritmo interior e exterior. As técnicas são inimigas do ritmo, destruidoras da sabedoria da vida. As técnicas estão unicamente voltadas para o que Heidegger denomina com justeza a existência banal, subsumida no utilitário e no econômico; ainda, não é exato que as técnicas solucionem sempre os problemas do útil e do econômico; ao contrário, as técnicas em grande parte criam os problemas que se propõem depois a resolver; manifestação direta da planificação científica, as técnicas conseguem resolver problemas dificílimos pela razão muito simples de que foram elas mesmas que puseram esses problemas; quando um problema não é posto pela técnica, mas pela vida, a técnica não o resolve; e não vamos aqui entender por vida a existência artificial do homem contemporâneo, totalmente dominado pela técnica; as necessidades artificiais de um tal tipo humano requerem a intervenção dos inventos técnicos, porque são necessidades nascidas da técnica e esse mesmo tipo humano está conformado à imagem e semelhança da técnica. A técnica substitui nele o natural pelo artificial, o que se vive pelo que se usa, o que se cria pelo que se compra e se vende. Todo ritmo da vida foi recalcado na sua alma e até a visão do ritmo cósmico, das noites e dos dias, das estações do ano e de tudo o que manifesta a harmonia das esferas, desapareceu sob a técnica da eletricidade. Onde não há ritmo não pode haver sequer a ideia da duração; o sol e a chuva, as noites e os dias, a primavera e os invernos se tornam cada vez mais indiferentes às cidades, onde a vida natural — vida de natureza — é substituída pela vida artificial — vida de técnica. E dos resultados inúmeros desta destruição do sentido do ritmo e da duração, é fácil apontar exemplos visíveis, palpáveis, vulgares, qual por exemplo o declínio de todas as formas de expressão artística. |