barbuy:barbuy-romantismo
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| Next revision | Previous revision | ||
| barbuy:barbuy-romantismo [30/12/2025 12:14] – created - external edit 127.0.0.1 | barbuy:barbuy-romantismo [17/02/2026 18:34] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== ROMANTISMO ====== | ||
| + | |||
| + | Se o romantismo tivesse sido o que pretenderam os salões galantes do século XIX e o que diz Victor Hugo no prefácio de “Cromwell”, | ||
| + | |||
| + | Os filósofos românticos do idealismo (Hegel, Fichte, Sendling, Goerres, Novalis, Schlegel) refletiram a natureza, não como corpo inerte, retalhável entre as várias ciências, mas como ser vivo, como drama teogônico, como teurgia, como alma do mundo, como correspondência simpática entre as cousas. A natureza romântica não é um objeto para onde o sujeito retorna, mas uma identificação do terrestre e do divino e a configuração de um estilo fabuloso de vida. Os murmúrios da floresta wagneriana, o eco distante dos castelos perdidos e a jornada de Sigfried no Reno se movem, como os rios de Hölderlin, numa natureza fantástica, | ||
| + | |||
| + | Mas não se pode retornar, nem mesmo à natureza hegeliana, que é um momento já ultrapassado da objetivação do Absoluto. Porque Schelling mostra que é um erro tomar o espírito por sujeito e a natureza por objeto, pois ambos são faces da mesma identidade; e a natureza, como Schelling a exprime, é a natureza romântica, sobre a qual não se trata de fazer classificações botânicas ou mineralógicas, | ||
| + | |||
| + | A natureza porém é um fazer-se e algo que pode ser feito. O romantismo não seria radical se não acreditasse na possibilidade de criar um mundo novo. Criar e não fabricar. A proposição de Leibniz segundo a qual o objeto da filosofia não é o ser, mas o possível, pode ser um ponto de partida da consciência romântica; a mesma proposição é tomada por Wolff. Se tal proposição se entende no sentido de que o ser é o atualizado e o possível o atualizável, | ||
| + | |||
| + | A natureza é uma entidade viva, que assume todas as fisionomias que lhe forem impressas pelo Espírito. O Espírito pode acordar as fadas e animar os gnomos; pode abolir o quotidiano pondo vivos no seu lugar os contos de Grimm e de Perrault. Tal a crença romântica na configuração possível de mundos inteiramente determinados pela identificação da alma com a paisagem, ou por momentos dialéticos do Espírito. A projeção do maravilhoso como realidade se tornou ainda mais crível quando as fontes irracionais do romantismo se ligaram | ||
