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| + | ====== LOGOS (2023) ====== | ||
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| + | AXELOS, Kōstas. The game of the world. Tradução: Justin Clemens; Tradução: Hellmut Monz. Edinburgh: Edinburgh University Press, 2023. | ||
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| + | ==== O Logos como Princípio Originário e Abismo Ontológico ==== | ||
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| + | * Instituiu-se o logos como o início, o princípio supremo e a potência, a //arche// que conduz à natureza cósmica e, através dela, à história humana e mundial, desenvolvendo o discurso que apreende o logos e o expressa, de modo que tudo começa e termina com ele, existindo antes do ser e do conhecer, embora encontrado apenas //a posteriori//, | ||
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| + | * A genealogia do logos deixa vaga a sua própria origem genealógica, | ||
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| + | * A relação entre humano e mundo, precedendo cada um dos seus dois termos e encontrando a linguagem apenas nessa copresença, | ||
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| + | * Não há pensamento e mundo, mas o pensamento do mundo, surgindo no coração partido do diálogo entre humano e mundo como uma catástrofe sobre uma espécie particular de entes, os seres humanos, que pensam a si mesmos e o ser do mundo, abrindo-se o pensamento — entendido como linguagem que fala, pensa e age — ao silêncio, à obnubilação e àquilo que o ativa e o supera. | ||
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| + | * O logos, enquanto fala e pensamento do mundo e do humano num diálogo que ultrapassa qualquer dialética, aparece como o momento e o lugar — crono-lógico e topológico — primordial, onde e a partir de onde se diz e se pensa o que se dá e se retira da linguagem e do pensamento, sendo, contudo, apenas um dos instantes e espaços daquilo que permaneceria mudo sem ele. | ||
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| + | ==== A Natureza Multifacetada e as Interpretações do Logos ==== | ||
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| + | * Historicamente, | ||
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| + | * O mundo precede o pensamento que o pensa e que pensa as coisas intramundanas, | ||
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| + | * O logos constitui a violência e a fraqueza do Ocidente, permanecendo, | ||
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| + | * Desde há dois mil e quinhentos anos, tudo o que é e vem a ser aparece à luz do logos, o qual se bifurcou rapidamente na direção das palavras e da fala, suportadas pela gramática, retórica e lógica, e na direção das figuras e números, tendendo ambos os caminhos a reencontrarem-se em formalizações e axiomatizações, | ||
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| + | * O logos opera analogicamente, | ||
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| + | ==== A Problemática da Linguagem, da Palavra e do Silêncio ==== | ||
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| + | * A linguagem e o pensamento falham em libertar-se do poder e da fraqueza das imagens, sendo a palavra sucessiva e não simultânea, | ||
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| + | * As palavras não são as coisas e as coisas não existem sem os seus nomes, ou seja, sem serem enunciadas, chamadas e ditas, congelando a experiência que as implica e que elas explicam, estando todas as palavras do dicionário, | ||
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| + | * A fala mais fértil e o pensamento mais ágil emergem do solo compacto e frágil do não dito, do impensado, do desconhecido e do inconsciente, | ||
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| + | * Com a tradução do grego para o latim iniciou-se a grande história do desenraizamento em relação à linguagem, e todo discurso fundado em si mesmo possui os limites da sua própria vontade e poder, tendendo o diálogo, que é um jogo verbal útil e fútil, à sua própria abolição, devendo o pensamento visar talvez menos o diálogo do que o eco. | ||
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| + | * É impossível dizer tudo, mas possível dizer o máximo, sendo por vezes necessário dizer o que usualmente se esconde; contudo, a modernidade passa cada vez mais do reino das ideias (idealismo) para o reino das palavras (retórica e formalismos), | ||
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| + | * O logos diz silenciando e silencia dizendo, havendo silêncios que falam e falas que calam, devendo-se aprender a respeitar os momentos em que nada mais há a dizer, pois a comunidade de fala e silêncio que habitamos não pode ser claramente dita nem calada, refugiando-se o logos no silêncio do mundo e o mundo no silêncio do logos. | ||
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| + | ==== Método, Lógica e a Dinâmica do Pensamento ==== | ||
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| + | * Nenhuma metodologia isolada abre a estrada real, devendo os métodos ser cruzados e revertidos, reconhecendo que não há método soberano e que a busca pelo // | ||
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| + | * A lógica formal e a lógica dialética mantêm relações quase inextricáveis, | ||
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| + | * O paradoxo lógico torna-se lógica paradoxal desde que Epimenides, o cretense, enunciou que todos os cretenses são mentirosos, lançando o ato de falar na errância e demonstrando que a lógica instrui e destrói segundo premissas e conclusões que pressupõe e que lhe escapam. | ||
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| + | * Todo pensamento procede por cortes, análises e totalizações, | ||
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| + | * O pensamento funciona com oposições das quais não pode prescindir nem creditar totalmente, onde antagonismo e reconciliação, | ||
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| + | ==== Conhecimento, | ||
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| + | * Todo conhecimento é um reconhecimento, | ||
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| + | * A racionalidade constrói-se sobre o não racional, que não é irracional, e a maior parte das decodificações de antigas mensagens apresenta-se como mensagens originais, enquanto a metáfora joga o jogo da metafísica, | ||
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| + | * O imaginário, | ||
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| + | * As mutações do pensamento são muito mais raras do que se supõe, procedendo todos os pensamentos através do deslizamento de sentido, e o que menos se compreende é o próprio significado de compreender, | ||
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| + | * A consciência morre a sua morte, morta pelo pensamento e pelo mundo, e aquilo que carrega o nome de consciência arrisca a sua vida para ser reconhecido pela outra consciência, | ||
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| + | ==== A Escrita, o Livro e a Técnica ==== | ||
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| + | * A civilização vive há dois mil e quinhentos anos sob a obsessão do Livro, sagrado e profano, onde tudo se encontra escrito e continua a sê-lo, confundindo-se mundos livrescos e mundos da vida, embora as duas palavras e vidas que mais profundamente marcaram a história, Sócrates e Cristo, não tenham escrito, tendo vivido e morrido as suas palavras que foram transformadas em livros pelos discípulos. | ||
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| + | * O livro total que assombra cada autor não existe, e, por meio de rasuras e adições, o livro tornar-se-ia como a reminiscência da pintura da // | ||
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| + | * O logos torna-se tecnologia e a lógica torna-se logística, onde máquinas de computar e cérebros eletrônicos funcionam segundo automatismos programados, | ||
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| + | * O jogo da escrita, preparado pelo jogo da gramática e da lógica tornando-se linguagem, inscreve-se imediatamente no mundo do jogo da técnica, e a civilização do livro e da impressão generaliza-se preparando a superação do livro, onde máquinas combinatórias abrirão outras possibilidades de jogos com a escrita, sugerindo um deslivramento. | ||
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| + | ==== O Pensamento Planetário e o Futuro ==== | ||
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| + | * O pensamento do futuro deverá sacudir de cima a baixo toda a estrutura gramatical, sintática, lógica e dialética da linguagem para melhor apreender o jogo do mundo, destinando-se o verbo ser a ser superado enquanto cópula, julgamento ou substantivo, | ||
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| + | * O mundo torna-se planetário — plano e aplainado, planificado e errante — numa rotação incessante sem centro nem circunferência, | ||
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| + | * É necessário elaborar um pensamento e uma linguagem articulados e abertos, liquefazentes e problematizantes, | ||
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| + | * Na ausência de princípio, que é precisamente a novidade, o pensamento deve pensar o que se oferece ao pensamento retirando-se dele, mantendo a suspeita no projeto e a tensão na construção, | ||
