agamben:linguagem-morte:1
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| + | ====== Jornada I ====== | ||
| + | //Giorgio Agamben. Il linguaggio e la morte. Un seminario sul luogo della negatività. Torino: Einaudi, 1982.// | ||
| + | **Primeiro dia** | ||
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| + | * Heidegger, nos parágrafos 50 a 53 de Ser e Tempo, situa a relação do Dasein com a morte como o ponto crucial para a compreensão do Dasein como totalidade, opondo-se à compreensão cotidiana que subtrai ao Dasein sua morte e nivela o morrer a um evento que certamente o concerne mas não lhe pertence propriamente; | ||
| + | * a morte é nivelada "a um evento que certamente refere-se ao Dasein, mas não pertence propriamente a ninguém" | ||
| + | * a morte mostra-se como "a possibilidade mais própria, irreferível, | ||
| + | * "sendo para a própria morte, ele morre faticamente e constantemente até que tenha chegado ao seu falecimento" | ||
| + | * o animal, o " | ||
| + | * A experiência da morte assume a forma de uma antecipação de sua possibilidade, | ||
| + | * a antecipação "não dá ao Dasein nada a realizar e nada que ele mesmo possa ser como realidade efetiva" | ||
| + | * Nos parágrafos seguintes, a antecipação da morte, até então projetada apenas como possibilidade ontológica, | ||
| + | * na ideia do " | ||
| + | * a ideia formal existencial do " | ||
| + | * sendo, o Dasein é lançado, não se trouxe a si mesmo a seu Da, sendo determinado como um poder-ser que lhe pertence sem que ele mesmo se tenha dado em posse própria | ||
| + | * não tendo posto ele mesmo o fundamento, repousa em seu peso, que a disposição afetiva (Stimmung) lhe revela como um encargo | ||
| + | * sendo fundamento, isto é, existindo como lançado, o Dasein permanece constantemente atrás de suas próprias possibilidades, | ||
| + | * a negatividade não significa de modo algum não estar presente ou não consistir, mas um Não que constitui esse ser do Dasein, seu ser-lançado | ||
| + | * tanto na estrutura do ser-lançado quanto na do projeto há uma negatividade essencial, fundamento da possibilidade da negatividade do Dasein inautêntico na decadência (Verfallen), | ||
| + | * o próprio cuidado, em sua essência, está permeado de cima a baixo pela negatividade (durch und durch von Nichtigkeit durchsetzt), | ||
| + | * a negatividade não aparece ocasionalmente no Dasein como uma qualidade obscura da qual ele também poderia se livrar caso progredisse o bastante | ||
| + | * É a partir dessa experiência de uma negatividade que se revela constitutiva do Dasein no instante mesmo em que ele acede, na experiência da morte, à sua possibilidade mais própria, que Heidegger interroga-se sobre a insuficiência das categorias com que a lógica e a ontologia, na história da filosofia ocidental, buscaram dar conta dela, colocando consequentemente o problema da origem ontológica (ontologische Ursprung) da negatividade. | ||
| + | * o sentido ontológico do caráter negativo (Nichtheit) dessa negatividade existencial permanece ainda obscuro, assim como a essência ontológica do Não em geral | ||
| + | * a ontologia e a lógica exigiram muito do Não, tornando visíveis a tratos suas possibilidades sem, contudo, desvelá-lo ontologicamente em si mesmo; a ontologia encontrou o Não e dele se serviu | ||
| + | * questiona-se se é tão evidente que todo Não signifique um Negativum no sentido de uma privação, e se sua positividade se esgota em constituir uma " | ||
| + | * pergunta-se por que toda dialética se refugia na negação sem fundamentá-la dialeticamente e sem sequer poder fixá-la como problema | ||
| + | * indaga-se se foi colocado o problema da origem ontológica da negatividade (Nichtheit) ou, antes ainda, se foram ao menos buscadas as condições sobre cujo fundamento o problema do Não, de sua negatividade e de suas possibilidades pode ser posto, e onde tais condições poderiam ser encontradas senão no esclarecimento temático do sentido do ser em geral | ||
| + | * No horizonte de Ser e Tempo essas perguntas parecem permanecer sem resposta, sendo na conferência O Que É Metafísica?, | ||
| + | * Sem pretender aqui decidir se Heidegger respondeu ou não ao problema da origem da negatividade, | ||
| + | * no parágrafo 53, ao delinear os caracteres da experiência autêntica da morte, afirma-se que "na antecipação da morte, indeterminadamente certa, o Dasein se abre a uma ameaça que provém de seu próprio Da" (p. 265) | ||
| + | * pouco antes, afirmara-se que o isolamento que a morte desvela ao Dasein é apenas um modo do abrir-se do Da à existência | ||
| + | * Para responder a essa pergunta torna-se necessário interrogar mais de perto a própria determinação do homem como Dasein, que constitui o fundamento originário de onde parte o pensamento de Heidegger em Ser e Tempo, e, antes de tudo, interrogar-se sobre o significado mesmo da palavra. | ||
| + | * No parágrafo 28, ao abordar a análise temática do Dasein como ser-no-mundo, | ||
| + | * o ente que se constituiu essencialmente através do ser-no-mundo é ele mesmo sempre o seu Da; no significado habitual, Da significa " | ||
| + | * em seu ser mais próprio esse ente tem o caráter da não-clausura, | ||
| + | * a imagem ôntica de um lúmen natural no homem não significa outra coisa senão a estrutura ontológico-existencial desse ente que é, no modo de ser, o seu Da; que ele seja " | ||
| + | * o Dasein traz consigo o seu Da desde o início (von Hause aus); sem ele não apenas não existiria de fato, como tampouco poderia ser, em geral, o ente dessa essência; o Dasein é a sua própria abertura | ||
| + | * Também numa carta a Jean Beaufret, de 23 de novembro de 1945, Heidegger reafirma esse caráter essencial do Da, explicando ali a palavra-chave Dasein. | ||
| + | * Da-Sein é uma palavra-chave de seu pensamento (ein Schlüssel Wort meines Denkens) e, por isso, também ocasião de graves mal-entendidos; | ||
| + | * Dasein significa, portanto, ser-o-Da, e, aceita a tradução já consagrada de Dasein por Esserci, dever-se-ia entender essa expressão como " | ||
| + | * o homem é chamado " | ||
| + | * No início da Fenomenologia do Espírito a negatividade surge justamente da análise de uma partícula morfológica e semanticamente ligada ao Da, o pronome demonstrativo diese (este), de modo que, assim como o pensamento de Heidegger em Ser e Tempo começa pelo ser-o-Da (Dasein), também a Fenomenologia do Espírito hegeliana se abre com a tentativa da certeza sensível de " | ||
