| C’est justement la notion de « structure » qui apparaît aujourd’hui comme une protestation en nous du besoin de globalité et de simultanéité contre cette acceptation de la séparation, de la succession et de la distance, une revendication de la science parfaite contre l’inachèvement de la science pratique, toujours obnubilante, et sa dispersion dans la multiplicité des mots. C’est parce qu’il se produit en nous, à un moment donné, une crise de la multiplicité, que nous tirons de nous cette notion de « structure » qui à son tour tire malgré eux les mots de leur cours linéaire et les oblige à se poser ensemble, structuralement, c’est-à-dire dans un ensemble de relations immanent à toute relation et d’où toute univocité est bannie, afin que soit abolie en nous la contradiction du successif et du simultané. Dans leur statut de mots relativement isolables, les noms ne sont plus alors que des pôles de structures elles-mêmes encore partielles, annonçant la nécessité d’une structure absolue qui sera l’abolition de toute partialité mais aussi de tous les noms. S’ils demeurent en nous, c’est comme repères mémoratifs ou historiques des degrés d’ « intensité » de notre vision, étant bien compris que la notion d’intensité elle-même est une notion d’arrivée et non de parcours, et qu’on ne peut s’en servir de façon non naïve que si l’on a accédé à un mode de vision qui présentifie à jamais le rétrospectif. (R. Abellio, La structure absolue) | É precisamente a noção de “estrutura” que surge hoje como um protesto em nós contra a necessidade de globalidade e simultaneidade contra essa aceitação da separação, da sucessão e da distância, uma reivindicação da ciência perfeita contra a incompletude da ciência prática, sempre obcecante, e sua dispersão na multiplicidade das palavras. É porque ocorre em nós, em um determinado momento, uma crise da multiplicidade, que extraímos de nós mesmos essa noção de “estrutura” que, por sua vez, retira as palavras de seu curso linear e as obriga a se posicionarem juntas, estruturalmente, ou seja, num conjunto de relações imanentes a toda a relação e de onde toda a univocidade é banida, para que seja abolida em nós a contradição do sucessivo e do simultâneo. Em seu status de palavras relativamente isoláveis, os nomes não são mais do que pólos de estruturas ainda parciais, anunciando a necessidade de uma estrutura absoluta que será a abolição de toda parcialidade, mas também de todos os nomes. Se eles permanecem em nós, é como referências memorativas ou históricas dos graus de “intensidade” de nossa visão, entendendo-se bem que a própria noção de intensidade é uma noção de chegada e não de percurso, e que só podemos utilizá-la de forma não ingênua se tivermos acessado um modo de visão que atualiza para sempre o retrospectivo. (R. Abellio, La structure absolue) |