| Le mouvement des mathématiques implique sûrement un progrès, ne serait-ce que celui du pouvoir d’abstraction, mais il s’agit de savoir si ce progrès n’est quand même pas situé au pôle d’en bas, dans l’élémentaire, dans la multiplicité, et surtout dans la répétition, comme celui de la petite fille du cinéma, intégrant spontanément des détails, mais des détails fort matériels et dont il est capital de remarquer qu’ils se situent au niveau du lieu commun. On fabrique ainsi des êtres de travail de la quatrième caste et non des êtres de connaissance de la première. Ce qui me gêne pour reconnaître au mouvement des mathématiques le droit de signifier un progrès absolu, c’est que les mathématiques restent et resteront toujours une technique, forcément engagée, en tant que telle, dans le multiple et le matériel, et que la conscience à laquelle elles font appel, comme la conscience de cette petite fille, c’est encore la conscience « naturelle », et non la conscience « transcendantale ». A l’autre pôle, je vois pour ma part des modes de communication moins démocratisés et pas du tout technicisés, et qui impliqueraient entre vous et moi, par exemple, une complicité plus sélective. Mais alors le magnétophone entre nous serait de trop. Une communication par le regard ou même la simple présence. Une certaine qualité du silence. Alors vraiment les livres seraient inutiles, et aussi les images... | O movimento da matemática implica certamente um progresso, nem que seja apenas no poder de abstração, mas trata-se de saber se esse progresso não se situa, afinal, no polo inferior, no elementar, na multiplicidade e, sobretudo, na repetição, como o da menina do cinema, que integra espontaneamente detalhes, mas detalhes muito materiais e dos quais é importante notar que se situam no nível do lugar-comum. Assim, fabricam-se seres de trabalho da quarta casta e não seres de conhecimento da primeira. O que me impede de reconhecer ao movimento da matemática o direito de significar um progresso absoluto é que a matemática continua e continuará sempre sendo uma técnica, necessariamente comprometida, como tal, com o múltiplo e o material, e que a consciência à qual ela apela, como a consciência dessa menina, ainda é a consciência “natural”, e não a consciência “transcendental”. No outro extremo, vejo, por minha parte, modos de comunicação menos democratizados e nada tecnicizados, que implicariam entre você e eu, por exemplo, uma cumplicidade mais seletiva. Mas então o gravador entre nós seria supérfluo. Uma comunicação pelo olhar ou mesmo pela simples presença. Uma certa qualidade do silêncio. Então, realmente, os livros seriam inúteis, e também as imagens... |