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rosa:1998:honneth

Axel Honneth

ROSA, Hartmut. Identität und kulturelle Praxis: Politische Philosophie nach Charles Taylor. Frankfurt am Main: Campus Verlag, 1998.

Prefácio de Axel Honneth

1. A investigação de Hartmut Rosa preenche a ausência de uma monografia sistemática sobre Charles Taylor ao reconstruir historicamente seus diversos campos de reflexão como desdobramentos de um motivo filosófico comum, articulando a interpretação de sua obra à discussão de problemas fundamentais da filosofia social contemporânea.

2. A antropologia filosófica constitui o fio condutor da obra de Taylor porque procura identificar, apesar da historicidade da existência e da diversidade cultural, condições universais da autocompreensão humana, encontrando na busca de uma vida bem-sucedida uma tarefa permanente da socialização e o critério orientador das sucessivas ampliações de sua teoria.

3. A formação bem-sucedida da identidade pressupõe uma exploração de si orientada por uma rede de conceitos avaliativos, denominada mapa moral, que permite distinguir eticamente o bom e o mau e articular desejos e necessidades para determinar quem se pretende ser como indivíduo insubstituível na comunidade, evidenciando a conexão entre linguagem, valores éticos e conceito de pessoa.

4. A aplicação da concepção de pessoa ao diagnóstico das relações sociais contemporâneas revela uma tensão entre a crescente orientação dos indivíduos para a autorrealização e o enfraquecimento da consciência das condições comunicativas indispensáveis à constituição de um sujeito autêntico, da qual decorrem consequências importantes para a compreensão da moralidade social vigente.

5. A compreensão da ação humana como determinada por autointerpretações avaliativas fundamenta uma metodologia hermenêutica das ciências sociais e políticas, na qual se reconhecem a inevitabilidade dos juízos de valor e a necessidade de esclarecer a relação entre explicação causal e interpretação histórico-conceitual, preparando a compreensão dos objetivos da investigação das fontes do sujeito moderno.

6. O diagnóstico das patologias centrais das sociedades modernas constitui um campo decisivo de aplicação da antropologia filosófica de Taylor, cuja interpretação da modernidade, examinada comparativamente com as perspectivas de Habermas e Foucault, ocupa uma posição intermediária entre a defesa universalista e a crítica culturalmente relativista.

7. A reconstrução de As fontes do self permite compreender sua investigação como uma autointerpretação tão adequada e abrangente quanto possível do mapa moral compartilhado por críticos e defensores da modernidade, avaliar se a explicitação de suas múltiplas fontes éticas pode promover uma reconciliação da modernidade consigo mesma e explorar empiricamente a permanência dessas fontes nos processos de formação da identidade, em oposição às concepções de um sujeito pós-moderno.

8. A fundamentação normativa das sociedades liberais exige esclarecer se os princípios morais são suficientes ou se dependem de valores éticos compartilhados, pois a posição comunitarista de Taylor vincula a estabilidade e a legitimidade democráticas a esses valores, suscitando o problema de sua justificação diante do pluralismo e de sua incorporação aos processos democráticos de formação da vontade, inclusive no debate sobre o multiculturalismo.

9. O pluralismo dos bens constitutivos coloca o problema de avaliar formas culturais de vida e justificar a própria forma de existência, para o qual a ideia de comensurabilidade dimensional oferece uma posição intermediária entre universalismo ético e relativismo cultural, admitindo comparações éticas apenas em relação a esferas determinadas da prática.

10. A reconstrução sistemática da teoria multifacetada e nem sempre plenamente desenvolvida de Taylor esclarece alternativas centrais de fundamentação normativa, diagnóstico do presente e metodologia, contribuindo para enfrentar problemas cuja resolução é indispensável ao desenvolvimento de uma filosofia social crítica.

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