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Onfray

Michel Onfray (1959)

Yves KIRCHNER. UNIVERSALIS.

Michel Onfray é um ensaísta prolífico, fenômeno editorial e personagem midiático que colocou o pensamento hedonista no centro de sua reflexão filosófica, à margem dos círculos da intelligentsia parisiense.

  • Autor de mais de trinta obras, publicou em 2005 o Tratado de ateologia, vendido em mais de 300 000 exemplares.
  • A obra suscitou reações vivas — tanto de quem o acompanha no diagnóstico de um universo preocupado demais com Deus e de menos com os homens, quanto de detratores que apontam as aproximações e imprecisões do ensaio.
  • Em 2002 criou a Universidade Livre e Popular de Caen e, em 2006, a Universidade Popular do Gosto, cujo objetivo é aprender a filosofar e não se contentar em acumular saber filosófico.

Nascido em 1º de janeiro de 1959 em Argentan, Onfray fez sua escolaridade num orfanato agrícola religioso antes de ingressar na Universidade de Caen.

  • Empreendeu um doutorado em filosofia sob a orientação de Lucien Jerphagnon e decidiu em 1983 lecionar num liceu técnico.
  • Decepcionado com a Educação Nacional, demitiu-se em 2002 para criar a Universidade Popular de Caen.
  • Em 2004 publicou o manifesto dessa universidade, La Communauté philosophique, seguido em 2006 de Une machine à porter la voix.
  • Esse “contrato” convida o leitor a viver nos “Jardins” de Epicuro em vez de na “República” de Platão: “Na República, o indivíduo existe pela coletividade; no Jardim, a comunidade existe apenas por e para o indivíduo.”
  • Na mesma obra, estigmatiza os “novos filósofos” que “liquidaram toda possibilidade de uma esquerda digna desse nome.”
  • No referendo europeu de 2005, posicionou-se contra a assinatura do tratado num texto intitulado “Contra a servidão voluntária.”

Aos sistemas, Onfray prefere as individualidades — como Nietzsche e La Mettrie —, as existências com suas forças, intensidades e energias.

  • Declara: “Gosto da filosofia encarnada, viva, de carne e osso, engajada no real, capaz de produzir efeitos imediatos, de modificar a vida cotidiana…”
  • O ensino da filosofia reside para ele nas anedotas em que Gilles Deleuze via o ponto singular onde se materializa a unidade de vida e pensamento: “a prova do filósofo é sua vida filosófica.”
  • Seu pensamento mantém relação estreita com os filósofos apreendidos em sua vida e na vida de seus corpos — em suas maneiras de sentir (Le Ventre des philosophes, 1989; La Raison gourmande, 1995), de ver (L'Œil nomade, 1993; Métaphysique des ruines, 1995; Archéologie du présent, 2003) e de pensar (La Sculpture de soi, Prêmio Médicis de ensaio em 1993; Politique du rebelle, 1997).
  • Em 2010, seu ensaio sobre Freud — Le Crépuscule d'une idole. L'affabulation freudienne — provocou violenta polêmica.

Outro de seus campos de investigação é o que denomina, tomando o termo de empréstimo a Georges Bataille por falta de melhor opção, ateologia — pois “o ateísmo é uma criação verbal dos deícolas.”

  • Onfray lança nesse campo as bases filosóficas da crítica ao monoteísmo.
  • Examina as problemáticas históricas da elaboração do cristianismo e os laços que as três religiões monoteístas teceram com o poder.
  • Disso extrai observações que ferem sua sensibilidade hedonista e fundamentam sua posição quanto às religiões: “a religião procede da pulsão de morte” — ela odeia o corpo, a sexualidade, a vida, a ciência, a liberdade de pensamento e a democracia.
  • Mais ainda do que os extremismos facilmente identificáveis, o verdadeiro obstáculo ao ateísmo reside nos vestígios do religioso que subsistem na sociedade laica e que é preciso desmascarar para poder combatê-los.
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