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lacoue-labarthe:1986:start

Imitação dos Modernos

LACOUE-LABARTHE, Philippe; LACOUE-LABARTHE, Philippe. Le Sujet de la philosophie. Paris: Aubier : Flammarion, 1979.

Prefácio

  • O volume reúne dez conferências escritas e pronunciadas entre 1978 e 1985, das quais seis já haviam sido publicadas em revistas ou obras coletivas e quatro permaneciam inéditas.
  • A constituição do livro não correspondeu a um projeto previamente concebido, pois inicialmente se pretendia organizar, como continuação de “Tipografias 1”, um segundo volume formado por estudos já redigidos ou amplamente esboçados sobre as relações entre literatura e filosofia.
  • O desenvolvimento posterior da investigação deslocou aquele primeiro projeto para segundo plano e fez prevalecer, em continuidade mais direta com o ensaio “Tipografia”, uma pesquisa persistente em torno do problema da mímesis, cujo percurso é parcialmente restituído pelo conjunto das conferências reunidas no volume.
  • A orientação dessa investigação resultou da convergência de duas razões distintas, uma inicialmente vinculada à experiência teatral e outra propriamente filosófica.
  • A primeira razão originou-se da tradução, realizada a partir de 1977 para o Teatro Nacional de Estrasburgo, da Antígona de Sófocles-Hölderlin e da posterior colaboração em sua encenação, experiência que impôs durante dois ou três anos uma leitura intensiva dos ensaios teóricos de Hölderlin sobre o teatro e a tragédia.
  • Os escritos hölderlinianos sobre teatro e tragédia, embora reconhecidos sobretudo por sua dificuldade, permaneciam significativamente negligenciados pelo comentário heideggeriano, apesar da autoridade assumida por Heidegger na interpretação de Hölderlin.
  • Entre a confrontação com Heidegger acerca da mímesis iniciada em “Tipografia” e a interpretação de Jean Beaufret sobre Hölderlin e Sófocles, tornou-se necessário abrir um caminho através da problemática hölderliniana e, em sentido mais amplo, especulativa do trágico, capaz de alcançar contemporaneamente a realização efetiva de uma representação teatral.
  • Embora os textos reunidos não estejam dispostos segundo a ordem cronológica de sua redação, os primeiros ensaios conservam as marcas desse trabalho dramatúrgico e filosófico desenvolvido em torno de Hölderlin, da tragédia e da representação.
  • A investigação da representação e da mímesis exigiu também uma confrontação com o Paradoxo sobre o comediante, de Diderot, considerado em muitos aspectos um texto matricial para a reelaboração moderna da questão da mímesis.
  • A segunda razão assume caráter propriamente filosófico e se concentra na necessária confrontação com Heidegger, concebida como uma exigência incontornável do pensamento contemporâneo para quem ainda atribui à atividade de pensar uma significação efetiva.
  • Essa confrontação com Heidegger não assume o sentido de uma crítica externa nem implica hostilidade, mas exige que cada pensamento a realize segundo sua própria medida, suas possibilidades e aquilo que reconhece como sua obrigação intelectual, conservando a humildade correspondente à dificuldade da tarefa.
  • A confrontação concentra-se especialmente em duas questões legadas, mais ou menos silenciosamente, por Heidegger: seu engajamento político de 1933 e a persistente retomada, diante da mímesis, do gesto filosófico mais arcaico de procedência platônica.
  • A permanência desse gesto platônico diante da mímesis torna-se particularmente problemática porque o próprio Heidegger foi também aquele que tornou possível uma compreensão inteiramente diversa da mímesis a partir da technè, produzindo uma tensão interna decisiva para a investigação.
  • A questão do compromisso político de Heidegger em 1933 e a questão de sua relação filosófica com a mímesis não constituem problemas independentes, mas convergem para uma mesma região problemática em que polis e technè, e consequentemente política, arte e técnica, aparecem indissociavelmente vinculadas.
  • Todos os ensaios reunidos procuram aproximar-se dessa região em que política, arte e técnica se entrelaçam, embora cada investigação constitua apenas uma marcha de aproximação incapaz, por sua brevidade e por seus limites próprios, de penetrar integralmente o domínio interrogado.
  • A plena exploração dessa articulação entre polis, technè, política, arte, técnica e mímesis exigiria uma investigação de amplitude muito maior do que aquela permitida pelas conferências reunidas, de modo que o volume deve ser compreendido como uma série de aproximações sucessivas a uma mesma região problemática fundamental.
  • A concentração prolongada sobre um mesmo problema e a insistência em uma única questão produzem inevitavelmente repetições, intensificadas pelo próprio gênero da conferência, no qual se torna necessário reconstruir a cada ocasião os elementos fundamentais da problemática para que a exposição possa desenvolver-se.
  • As repetições não foram artificialmente eliminadas porque pertencem ao próprio movimento pelo qual a investigação procurou ingressar na questão, e ocultá-las teria significado apagar um traço constitutivo do percurso efetivamente seguido pelo pensamento.
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