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gusdorf:1972:start
5 Deus, a natureza e o homem no Século das Luzes
GUSDORF, Georges. Les sciences humaines et la pensée occidentale. 14 volumes. Paris: Payot, 1966–1988. Tomo V: Dieu, la nature, l'homme au siècle des Lumières (1972)
- Primeira parte: A relação com Deus — Da teologia às ciências religiosas
- Capítulo I: Ambiguidades de uma descristianização
- Degradação da energia religiosa no século XVIII europeu
- A tolerância acompanha a indiferença
- O anticlericalismo de Estado nos países católicos
- Uma mutação, mais do que uma falência do sentido religioso
- Dificuldade de definir um índice de religiosidade
- O caso de Voltaire
- A participação dos livros religiosos nas estatísticas editoriais
- Os limites dos métodos quantitativos
- A religião não está inteiramente contida nos livros religiosos
- A correlação entre a produção impressa e a vida social
- As estatísticas da sociologia religiosa não confirmariam as estatísticas editoriais
- A Europa continua a viver sob um regime de cristandade
- Preeminência do quadro religioso da sociedade tradicional
- O equívoco da descristianização
- Diderot, Voltaire e os espíritos fracos: a dupla verdade
- Religião para o povo e preservação da ordem estabelecida
- Homens da Igreja e Iluminismo: um cristianismo utilitário, sensível aos novos valores
- Declínio das ordens religiosas
- O radicalismo de certos intelectuais não impede o cristianismo de continuar a inspirar o modo de vida em seu conjunto
- Ordem religiosa e ordem pública
- O século XVIII ainda é um século cristão
- Capítulo II: O novo espírito religioso
- O anticlericalismo de origem católica no espaço francês e a organização religiosa da cultura europeia
- Recuo do triunfalismo e do absolutismo religiosos
- Do espírito de ortodoxia ao não conformismo
- A alienação na instituição
- O cristianismo do século XVIII procede de Pascal e Bayle, não de Bossuet
- O livre-pensamento em matéria religiosa não é ateísmo
- A religião passa a ser concebida no plural
- Desestabelecimento das confissões religiosas
- Descentramento e recentramento da vida religiosa
- A revitalização da religião segundo Turgot e a liberdade de consciência
- O novo espírito religioso ou o cristianismo liberal
- A crítica do despotismo religioso acompanha a crítica do despotismo político
- Morte do Deus tradicional
- Bayle: a possibilidade de conceber uma sociedade sem religião
- Dissociação entre a ordem política e a ordem religiosa
- Rumo a uma religião privada
- Emancipação da vida pessoal e do discurso científico
- A religião nos limites da razão
- O desgaste dos absolutos religiosos da Igreja, da Tradição e da Revelação
- A teologia como reflexão humana sobre as verdades de Deus
- A transformação da consciência produz um novo tipo de crentes e descrentes
- Um individualismo religioso
- O quacre como tipo ideal do século da filantropia
- A religião natural ou o bom uso do cristianismo
- Uma nova concordata entre religião e razão
- O século das Luzes como século sociniano
- Capítulo III: A internacional do coração — O pietismo europeu
- Igrejas sem cristãos e cristãos sem igrejas
- Enfraquecimento das fronteiras do mapa confessional
- A abordagem existencial ou as devoções da presença
- O mistério da fé contra as problemáticas: os casos de Pascal e Bayle
- A noção de pietismo como constante do cristianismo histórico
- A recorrência do espírito contra a letra
- Os extremistas do interior
- As teologias como matrizes das heresias
- O jovem Zinzendorf e o cardeal de Noailles
- O cosmopolitismo religioso de Madame Guyon e dos outros cristãos marginais
- Fénelon e Wesley como testemunhas de uma cristandade indivisa
- O pietismo germânico não constitui uma denominação entre outras, mas a aspiração a recuperar a autenticidade cristã obscurecida pelas teologias decadentes
- Por uma compreensão de conjunto do pietismo europeu
- A religião do Vigário Saboiano: cristão por essência, católico por acidente
- O pietismo de Rousseau
- Cristãos do semissilêncio, místicos e iluminados
- Um cristianismo em primeira pessoa
- O quietismo: Molinos, Madame Guyon e a experiência do amor puro
- Fénelon, Antoinette Bourignon e Pierre Poiret
- O pietismo protestante afirma-se no interior das igrejas estabelecidas
- Arndt e os collegia pietatis de Spener
- A obra de Hermann Francke em Halle: o programa pedagógico e a universidade
- O «sistema de Halle» como modelo de vida espiritual
- Pietismo e Aufklärung
- Rousseau e o neocristianismo
- O pietismo corresponde a uma nova antropologia e a uma nova psicologia
- Interiorização da relação com Deus
- O não racionalismo de Jacobi
- A metacrítica de Hamann e a decifração dos hieróglifos da Revelação
- A vida religiosa como vida privada
- Autobiografias, confissões e diários íntimos
- A cultura do eu e o sagrado da imanência
- Nova aliança entre a humanidade e a divindade
- Capítulo IV: A internacional deísta
- I. A inversão das relações entre filosofia e teologia
- A racionalização do mistério ou o equívoco da teologia
- A Reforma multiplica e relativiza as teologias
- O precedente galileano e a desintegração da ordem teológica
- A teologia torna-se um saber especializado
- Fim do esplêndido isolamento cristão
- A harmonia das religiões e a religião natural
- A inevitabilidade da tolerância
- O discurso filosófico reúne uma Europa dividida
- Somente a filosofia pode assegurar a unidade da humanidade
- A necessidade de distinguir liberais, descrentes e ateus
- O racionalismo cristão deve controlar os delírios do absoluto e os fanatismos de toda espécie
- A Aufklärung como segunda Reforma
- Locke: por uma ortodoxia da razão liberal
- Os latitudinários britânicos
- Complementaridade entre razão e fé
- Um cristianismo não confessional
- Os mistérios da dogmática
- Cristo como educador da humanidade, de Spinoza a Lessing e Kant
- A eliminação do mistério: Locke e Toland
- Anthony Collins e o livre-pensamento
- Religião natural
- II. A desmistificação do cristianismo: crítica do entusiasmo
- O efeito de retorno da revelação natural sobre a revelação sobrenatural
- Psicopatologia da religião que perdeu a razão
- A consciência fanática ou a religião selvagem
- O bom e o mau uso da inspiração divina segundo John Smith e os liberais de Cambridge
- O entusiasmo como ilusão religiosa segundo Locke
- O julgamento dos iluminados
- Shaftesbury: Carta sobre o entusiasmo (1708)
- Profetas e convulsionários
- Histerias coletivas, verdadeira e falsa devoção segundo Addison
- Trenchard: História natural da superstição (1709)
- Os radicais franceses e a literatura do contágio sagrado
- Voltaire e Loyola: o fanatismo do antifanatismo
- A posição crítica e matizada de Hume
- A idolatria segundo Bossuet
- Rumo à ortodoxia da razão crítica
- III. A desmitologização
- O sacerdote como manipulador da desrazão coletiva
- Da psicologia individual à psicologia social
- A dupla verdade: uma religião para o povo
- A impostura dos sacerdotes desde Varrão
- Os doutores cristãos aplicam essa análise ao politeísmo pagão
- A filologia moderna confere um novo valor aos cultos pagãos
- De religione Gentilium, de Herbert de Cherbury (1663), como fonte do anticlericalismo iluminista
- Fontenelle: História dos oráculos (1686) e Da origem das fábulas
- Os sacerdotes exploram a credulidade pública
- Todas as mitologias correspondem à mesma função fabuladora
- Os mitos como pré-história da razão
- Por uma desmitologização do fabuloso
- IV. Deísmo e teologia racional
- A desmistificação e a desmitologização também se aplicam à tradição judaico-cristã
- O Sermão dos Cinquenta como resumo da nova fé
- O deísmo desbloqueia a razão humana
- A teologia assimila a filosofia
- A afirmação de um universalismo religioso entre o radicalismo integrista e o radicalismo ateu
- Antitrinitários ou unitaristas como defensores de uma religião da razão
- O debate deísta na Inglaterra
- O ditame da consciência como núcleo da religião natural segundo Cherbury
- Matthew Tindal: O cristianismo tão antigo quanto a criação (1730)
- Evangelho histórico e evangelho eterno
- Uma religião em espírito e verdade, sem sobrecarga dogmática ou ritual
- A influência do deísmo sobre a própria ortodoxia anglicana
- O paradigma deísta inspira amplamente a sensibilidade intelectual do Iluminismo
- A apologética da concordância entre razão e fé
- Filosofia natural e teologia natural em Newton
- A físico-teologia como santa aliança entre ciência e religião
- Anticlericalismo não significa anticristianismo
- A Neologia na Alemanha a partir da ascensão de Frederico II ao trono (1740)
- A influência de Christian Wolff e o papel das faculdades de teologia
- Os neólogos em defesa de um cristianismo prático e liberal
- Lessing e os Fragmentos de Reimarus
- A religião em devir
- Capítulo V: O advento das ciências religiosas
- I. Da revolução galileana às ciências religiosas
- As ciências religiosas como elemento novo da cultura iluminista
- Um caminho aberto entre deísmo e pietismo, entre irracionalismo e racionalismo
- A ciência sagrada de direito divino enfrenta o desafio das ciências de direito humano
- A epistemologia diferencial de Pascal mantém o método de autoridade no domínio religioso
- Razão de Igreja e razão de Estado em Bossuet
- O recuo da ciência sagrada diante do progresso das ciências religiosas
- Palavra de Deus e palavra humana
- Desmantelamento do literalismo bíblico
- A Bíblia como documento fundamental, histórico e humano, reservatório de valores e significados
- O estudo da tradição judaico-cristã exige novos instrumentos intelectuais
- A constituição de um novo paradigma pressupõe uma reformulação da cultura
- O advento da crítica histórica impõe uma reinterpretação das noções de inspiração e revelação
- As ciências religiosas na Enciclopédia
- A ordem religiosa ingressa no domínio comum do saber
- II. Religiões e religião
- Do absoluto judaico-cristão de Bossuet à multiplicação dos eixos de referência
- Do particularismo judaico ao universalismo cristão
- A apologética como primeira fonte do comparatismo
- Os Padres da Igreja e a cultura pagã
- Clemente de Alexandria e a preparação evangélica
- A história das religiões encerra-se com a encarnação de Cristo
- A ideologia da cruzada
- A Renascença como reabilitação dos valores pagãos
- A Reforma como fracasso do totalitarismo cristão
- A tolerância como pluralismo de resignação
- Uma apologética da pluralidade: Nicolau de Cusa e Marsílio Ficino
- A descoberta dos outros mundos
- A controvérsia dos ritos como pressentimento de um comparatismo religioso
- A essência da religião transcende a diversidade das religiões históricas
- Dessacralização do discurso religioso
- Uma epistemologia da convergência
- O declínio dos absolutos teológicos permite o desenvolvimento das ciências religiosas
- Da afirmação do Ser à investigação do devir
- III. Da mitologia comparada à história das religiões
- Redescoberta da mitologia antiga como teologia
- A interpretação alegórica em Boccaccio
- Natalis Comes: o tesouro oculto da sabedoria mítica
- Mitos antigos e tradição bíblica
- O deísmo e a unificação das mitologias
- O monoteísmo originário segundo Herbert de Cherbury
- De religione Gentilium (1663) como ensaio de história comparada das religiões
- Spinoza evidencia os fatores mitológicos presentes na revelação judaico-cristã (1670)
- Fontenelle como divulgador das novas ideias sobre a função fabuladora
- Uma genealogia do espírito humano
- A pesquisa mitológica integra a apologética da humanidade própria do século das Luzes
- As grandes compilações mitológicas: Nicolas Boulanger, Court de Gébelin e Charles Dupuis
- O interesse dessa primeira etnologia religiosa
- Religião primitiva e estado de natureza
- O primitivismo deísta
- Insuficiência da hermenêutica intelectualista
- A era mítica como época da humanidade em desenvolvimento
- Turgot e o fetichismo segundo de Brosses
- A educação da humanidade segundo Lessing
- Vico introduz uma nova compreensão da consciência mítica, para além da abordagem intelectualista
- A Ciência Nova como analítica das culturas
- Os ricorsi como chaves de uma sociologia do conhecimento
- A hermenêutica de Herder aproxima mitologia, linguagem e poesia em uma lenda dos séculos
- Os mitos como canto profundo da humanidade universal
- Os mitólogos alemães: Heyne, Hermann e Creuzer
- A revalorização dos mitos renova a história das religiões
- Christoph Meiners: História geral e crítica das religiões (1806-1807) como fundamento de uma nova antropologia religiosa
- As ciências religiosas são ciências do homem
- IV. A hermenêutica cristã
- O cristianismo continua a reger o espaço mental do Ocidente em processo de laicização
- A relativização da mensagem cristã exige que a teologia fale a linguagem da época
- O cristianismo acompanha um movimento que já não controla
- O fim do literalismo bíblico: a história da Terra
- O desestabelecimento da revelação
- O documento bíblico e a nova exegese histórica e crítica
- Os estudos bíblicos na França após Richard Simon
- As Conjecturas de Astruc (1753) e as fontes do Gênesis: javista e eloísta
- A ausência de uma escola francesa de exegese após Astruc
- As posições antiexegéticas do padre Hardouin e do padre Berruyer
- A questão exegética é marginal para os católicos e central para as igrejas protestantes
- O papel das faculdades de teologia nas universidades
- Leitura edificante e leitura filológica
- O pietismo: ler a Bíblia biblicamente
- As Bíblias pietistas e a exegese alegórica
- O efeito de retorno da filologia clássica de F. A. Wolf
- Especialização dos estudos bíblicos: teólogos e exegetas
- A obra de J. D. Michaelis
- O neólogo J. S. Semler
- A insistência na revelação natural submete o domínio da revelação histórica à crítica
- A hermenêutica de Herder
- Meios e mentalidades bíblicas
- A autenticidade humana da Bíblia
- A letra das Escrituras e a atualidade da fé
- O Vigário Saboiano e os estudos bíblicos
- Os estudos neotestamentários
- A descoberta do Jesus histórico, libertado do hieratismo dogmático, após Grotius e Simon
- Os trabalhos exegéticos e o estabelecimento do texto
- O cânone do Novo Testamento
- J. D. Michaelis e a classificação dos escritos evangélicos
- Exegese histórica e dogmática
- J. S. Semler: o estudo científico dos textos precede toda interpretação
- Análise diferencial do conjunto neotestamentário
- Griesbach e os evangelhos sinóticos
- O Jesus histórico da hermenêutica
- Reimarus: os Fragmentos de um anônimo (1774-1778) procuram redescobrir o Jesus anterior ao cristianismo
- Os evangelhos como testemunhos dos discípulos que transfiguraram a mensagem do mestre após sua morte
- Jesus era judeu
- A polêmica sobre os textos de Reimarus e as ideias de Lessing
- O protoevangelho aramaico
- Lessing e Voltaire
- Herder como precursor da Formgeschichte
- Os evangelhos como profissões de fé e produtos da própria fé
- A investigação das origens judaico-cristãs suscita uma renovação do cristianismo
- Historicidade e atualidade da fé
- A possibilidade de uma história dos dogmas
- Os estudos bíblicos em Estrasburgo em 1792
- A história das ciências religiosas não constitui toda a história do cristianismo
- V. Conclusão
- A inversão das autoridades em matéria religiosa
- As doutrinas dogmáticas tornam-se problemáticas no contexto da renovação cultural
- Da teodiceia à antropodiceia
- A religião como confronto entre humanidade e divindade
- Do absolutismo teocrático ao relativismo cultural
- O entendimento humano, em sua limitação, como ponto de origem de toda verdade
- Em que medida o homem pode falar de Deus?
- A autonomia do sujeito implica uma nova relação com Deus
- Humanização do homem e humanização de Deus
- Dessacralização e ressacralização do domínio humano
- Rumo a um futuro do cristianismo
- Segunda parte: As ciências da vida
- Capítulo I: A história natural na cultura do Iluminismo
- O questionamento da primazia das matemáticas: Diderot
- O advento da história natural prepara o novo surgimento da ciência do homem
- Bayle contra o triunfalismo matemático
- O interesse pelas realidades concretas
- O conceito de «física» antes da dissociação entre os domínios orgânico e inorgânico
- No século XVIII, a matéria é viva
- O radicalismo matemático de d'Alembert e a exigência de um saber empírico e concreto
- Leibniz anuncia o fim das matemáticas
- Multiplicação dos esquemas epistemológicos
- Verdades matemáticas e verdades físicas segundo Buffon
- Por uma lógica do real segundo os graus da probabilidade
- A prioridade da ciência do homem atesta uma transformação da mentalidade
- Lineu e Buffon como profetas de seu tempo e de seus países
- O advento da história natural como novo olhar e novo pensamento
- O sentimento da natureza como transformação da presença no mundo
- A botânica como paixão da alma em Rousseau
- História natural e religião natural
- O novo imperativo epistemológico
- Coleção e classificação; análise e síntese; monografias e sistemas
- Do gabinete de curiosidades ao gabinete de história natural
- As coleções italianas
- O Instituto de Bolonha como microcosmo epistemológico
- As instituições inglesas: Royal Society e British Museum
- Hans Sloane e Joseph Banks
- O Jardim do Rei e o Gabinete do Rei em Paris
- Buffon como intendente do Jardim
- Capítulo II: O cenário mítico-religioso da história natural
- D'Alembert contra Buffon: a história natural não é uma ciência
- A defesa de Buffon: apologia do sistema e do gênio
- A inexistência de uma inteligibilidade newtoniana na biologia
- A síntese sempre prematura
- Superação da biologia aristotélica
- Por uma nova definição da situação do homem no mundo
- O tema da criação em Buffon e Lineu sobrevive à cosmologia aristotélica
- A distribuição escalonada da criação segundo os dias do Gênesis e a ideia transformista
- O tema da cadeia dos seres: continuidade e hierarquia das espécies desde Aristóteles
- Cadeia dos seres e classificação segundo Leibniz
- As descontinuidades da cadeia colocam o problema do elo perdido (missing link)
- O pólipo de Trembley (1740) e o caso dos zoófitos
- Voltaire contra os zoófitos e contra a cadeia dos seres
- Espécies e indivíduos na natureza: realismo das essências ou nominalismo
- Lineu: a história natural como linguagem bem construída
- O Sistema da Natureza
- Buffon contra Lineu: a classificação como esquematização abusiva
- A oposição entre Buffon e Lineu permanece limitada a diferentes usos da continuidade e da descontinuidade
- Buffon situa o homem fora da cadeia dos seres, enquanto Lineu o inclui nela
- Os problemas apresentados pelas extremidades da cadeia
- As ideias de Charles Bonnet e as fantasias de J.-B. Robinet
- Capítulo III: Natureza
- As ciências naturais positivas pressupõem a renúncia ao antropocentrismo
- A natureza do físico e a natureza do naturalista
- A ideia de natureza biológica permite rejeitar o finalismo excessivo da cadeia dos seres
- A explicação mecanicista e os fenômenos vitais
- A natureza como funcionamento autônomo
- Do mecanicismo ao dinamismo, do dualismo ao monismo
- A ideia de natureza reintroduz a finalidade no universo mecanizado da física, não sem confusão epistemológica
- A teoria das moléculas orgânicas em Buffon como tentativa de explicar mecanicamente a matéria viva por analogia com a doutrina corpuscular
- O molde interior assegura a continuidade das espécies
- As intuições de Buffon ultrapassam os limites dos dados científicos
- O materialismo do século XVIII é um vitalismo
- A especificidade da vida segundo Maupertuis e Diderot
- A vida imanente à matéria
- Os ensinamentos da dimensão microscópica: Leeuwenhoek e Senebier como comentador de Spallanzani
- Os animálculos espermáticos no pensamento biológico
- Animalculistas e ovistas; evolução e epigênese
- C. F. Wolff e a espontaneidade da natureza
- Os átomos animados realizam uma miniaturização da Providência
- O universo ou a matéria organizada segundo d'Holbach
- A matéria como oposição ao acaso
- A condição humana segundo La Mettrie
- A filosofia materialista da natureza como realismo metodológico
- Da animalidade à humanidade
- Helvétius: consciência e organização
- Da natureza à cultura
- A ambiguidade do materialismo
- A importância fundamental do reconhecimento da autonomia do dinamismo natural
- A analogia estrutural entre os seres vivos segundo Buffon
- A variedade indefinida das formas suscita a projeção da classificação no tempo
- A natureza possui uma história
- A questão dos fósseis na história do saber
- A pré-história da história natural de John Ray a Lyell: Fontenelle e Buffon
- História da Terra e história da vida
- As intuições transformistas no século XVIII
- A posição de Lineu
- Híbridos e monstros: a Peloria
- A classificação como corte transversal em um devir
- A cosmologia progressiva de Buffon e os limites de seu transformismo
- A estabilidade prevalece sobre o movimento
- Diderot: «A natureza ainda está trabalhando»
- As hipóteses de La Mettrie
- Pressentimentos da seleção natural
- O evolucionismo de Benoît de Maillet
- O organismo universal e progressivo de J.-B. Robinet
- A ideia da unidade do plano de organização em Buffon
- O protótipo de Robinet e Diderot
- A autorregulação da natureza universal segundo Rousseau e os prelúdios do darwinismo
- O hino à natureza de Goethe
- Sentido ou ausência de sentido da natureza
- Natureza e cultura
- Capítulo IV: A antropologia
- Tyson: o limiar crítico da positividade em antropologia
- A antropologia como capítulo da zoologia
- Transformação do olhar e transformação dos valores
- A «metafísica experimental» estuda o espírito em sua condição corporal
- O empirismo retira o véu das representações escatológicas
- Retirada de Deus e naturalização da natureza humana
- O ponto de vista antropológico e o papel do homem no mundo
- Da antropologia prática de Montaigne, que estuda o sujeito humano, à antropologia científica, que estuda o homem como objeto
- A naturalização da cadeia dos seres
- O lugar do homem na cadeia dos seres e a diversidade da espécie humana segundo William Petty (1677)
- A divisão das raças humanas segundo François Bernier (1684)
- Voltaire ingressa na metafísica pela descrição das raças humanas
- Blackmore (1713): o homem equador
- A cadeia dos seres, interrompida no homem, convida a uma zoologia comparada
- Os confins da realidade humana
- Lineu: o homem figura na classificação das espécies naturais desde o Systema naturae (1735)
- O lugar do Homo sapiens entre os primatas
- As variedades humanas
- As fragilidades da antropologia de Lineu
- Buffon e a ciência do homem
- A antropologia no âmbito da zoologia comparada
- A especificidade da existência humana: o incomparável e o incompreensível
- Antropologia somática e etnologia
- O selvagem absolutamente selvagem
- Natureza e cultura
- O monogenismo e o transformismo de Buffon
- As idades da vida
- A aritmética moral
- As obras de Lineu e Buffon inauguram uma nova era
- Blumenbach: De generis humani varietate nativa (1775), compêndio de antropologia somática
- «Degeneração» e transformismo
- As cinco variedades ou raças da espécie humana
- Raças e racismo
- De Lineu a Blumenbach: Peter de Hameln
- Craniologia e craniometria
- A antropologia de Kant
- As raças humanas
- Antropologia física e antropologia moral
- A fragmentação da antropologia e a perda do sentido do humano
- As pesquisas de Camper
- A contribuição da anatomia comparada
- Vicq d'Azyr
- Estática e dinâmica: a unidade de composição
- A morfologia segundo Goethe
- Constantes e variáveis nas formas vivas
- O animal primordial (Uranimal) e suas metamorfoses
- A biologia no humanismo goethiano
- Insuficiência da antropologia exclusivamente somática
- A geografia zoológica de Zimmermann
- A distribuição dos seres vivos no espaço e na história
- A distribuição dos homens sobre a Terra e o papel do meio
- Antropologia e antropogênese
- Da história natural à história da humanidade
- Henry Home: poligenismo e história da civilização
- Esboços da história do homem (1774)
- Antropologia e antropogênese
- Lord Monboddo: evolução do homem rumo à humanidade
- Estado de natureza e animalidade
- Uma metafísica evolutiva: o homem é o futuro do homem, não seu passado
- A ciência do fenômeno humano individual
- A realidade humana estudada em sua especificidade
- A antropologia empírica na Alemanha: Erfahrungsseelenkunde
- Uma encruzilhada interdisciplinar
- Conhecimento de si e constituição de si
- O tipo ideal do burguês moderno segundo Christian Thomasius
- A psicologização da ontologia
- Imprecisão do conceito
- Da antropologia somática à fisiognomonia
- Os antecedentes: La Chambre e a Antropometria de Elsholtz (1663)
- Simbolização recíproca da alma e do corpo
- As hesitações de Lichtenberg e Diderot
- A fisiognomonia de Lavater
- Da fisiognomonia de Lavater à frenologia de Gall
- A antropologia médica de Platner e suas insuficiências
- A antropologia pragmática de Kant e seu lugar na obra kantiana
- A antropologia comparada de Wilhelm von Humboldt
- Perplexidades e ambiguidades da tentativa antropológica
- Capítulo V: O progresso da consciência médica
- I. Médico e medicina
- O relevo social do médico na época do Iluminismo
- A medicina como disciplina orientadora da filosofia experimental desde Bacon
- O doutor Locke: médicos e filósofos
- A nova medicina enfrenta o conservadorismo da maior parte do corpo médico e a inércia da maioria das faculdades
- A situação nas universidades inglesas segundo Mandeville
- As novas instituições de Londres e da Escócia
- O advento da disciplina cirúrgica: os irmãos Hunter e a nova fronteira médico-cirúrgica
- A mediocridade do ensino médico na França
- Dissociação entre teoria e prática
- Os primórdios do ensino clínico: Boerhaave em Leiden
- A reforma médica em Viena
- A luta entre médicos e cirurgiões na França e as origens da Academia de Cirurgia (1731)
- As ideias de Quesnay
- Progresso de uma medicina do real
- II. Medicina e sociedade
- Da medicina de classe à medicina de massa
- O surgimento da ideia de saúde pública no contexto político e social do despotismo esclarecido
- Leibniz e a organização da medicina
- Por um serviço social de saúde sob o controle dos poderes públicos
- O Estado retoma algumas competências da Igreja
- A medicina legal (medicina forensis) segundo a Enciclopédia
- O papel do médico perito
- Doença e civilização
- Toda patologia é uma patologia social: Camper e Vicq d'Azyr
- A Medizinische Polizei (1779-1811), de Johann Peter Frank, como primeiro sistema completo de medicina social e saúde pública
- A experiência de Turgot e as origens da Sociedade Real de Medicina (1776-1778)
- Por uma administração da saúde e da higiene públicas
- O papel de Vicq d'Azyr: «administração médica» e nova consciência da função terapêutica
- A questão dos hospitais no final do Antigo Regime
- Tenon: Memórias sobre os hospitais de Paris (1788)
- A dessacralização da doença
- III. A teoria médica
- Os modestos progressos do pensamento médico no século XVIII
- O atraso da interpretação em relação à observação
- Os casos do microscópio e do termômetro
- Equipamento técnico e equipamento epistemológico
- A persistência dos «sistemas» na medicina
- O papel da anatomia patológica e da clínica
- Morgagni e as origens do método anatomoclínico
- A medicina das ideias
- A tradição do homem-máquina e os autômatos: Vaucanson
- D'Alembert: crítica do modelo mecanicista na medicina
- O mecanicismo de Boerhaave e seus limites
- Boerhaave como fundador sobretudo do método clínico
- Vitalismo e pietismo em Halle: Hoffmann
- A química pré-lavoisieriana de Stahl e sua doutrina do «organismo»
- A função da alma
- A fisiologia de Haller como anatomia animada
- O conceito de irritabilidade como propriedade fundamental da matéria viva
- Um newtonianismo da biologia
- Maupertuis
- A escola de Montpellier introduz na França o vitalismo de Stahl
- Bordeu: preeminência da fisiologia sobre a anatomia
- A unidade da vida orgânica como finalidade imanente
- O vitalismo de Barthez: Novos elementos da ciência do homem (1778)
- O princípio vital como noção experimental e a irredutibilidade da vida
- Um positivismo antimécanista
- Na Alemanha, o vitalismo de Herder abre caminho à filosofia romântica da natureza, apesar das resistências
- IV. A constituição de um campo epistemológico: a nosologia
- Independência relativa da prática médica em relação à teoria
- Por uma história dos médicos e dos tratamentos
- A atividade terapêutica pressupõe um campo epistemológico constituído segundo uma inteligibilidade unitária
- Da confusão retórica à precisão do discurso
- O progresso médico depende da constituição do catálogo da vida
- Lineu como organizador do território da vida
- A botânica como domínio orientador
- Criar uma linguagem
- Da nomenclatura botânica à nosologia
- Fenomenologia da percepção médica
- A fixação da linguagem como obra da ciência: Condillac
- Lavoisier como discípulo de Condillac
- Vicq d'Azyr e a linguagem da anatomia
- Pinel pretende ser o Lavoisier da medicina
- Nosologia e terapêutica segundo Cullen e Frank
- A nosologia como disciplina newtoniana segundo a Enciclopédia
- A Nosologia metódica de Boissier de Sauvages (1763)
- Regras para a orientação do espírito médico
- Nosologia sinóptica e nosologia sistemática
- A sistemática de Lineu e seus perigos
- A crítica de Cuvier: inexistência de um universo das essências mórbidas
- A nosologia como terreno indefinido
- Pinel contra Sauvages
- A cartografia pressupõe a conclusão da exploração
- A miragem nosológica: inteligibilidade extensiva e inteligibilidade intensiva
- Cabanis contra a nova escolástica
- Doenças ou doentes
- Por uma nosologia sem triunfalismo, associada à clínica
- Semiótica e semiologia segundo Locke, Sauvages e a Enciclopédia
- Revolução da atenção e revolução do olhar
- Rumo ao método anatomoclínico
- V. O advento da psiquiatria
- O neologismo «psiquiatria» (1800) consagra o aparecimento de uma medicina mental consciente e organizada na Europa
- O nascimento da psiquiatria corresponde a uma reavaliação da condição humana
- A loucura como realidade histórica
- A esquizofrenia não possui valor retroativo
- A loucura como doença da civilização
- Doença orgânica e doença mental
- O devir dos significados e das evidências
- A psiquiatria como criação contínua
- As dificuldades de perceber a doença mental enquanto tal
- A doença mental como doença vergonhosa
- Como a razão pode perder-se?
- O louco perturba a economia divina e humana segundo a ordem do dualismo religioso e metafísico
- A loucura como sinal de contradição
- A festa dos loucos até o surrealismo
- A psiquiatria pressupõe uma ciência unitária do ser humano
- A constituição da antropologia segundo a exigência de um monismo epistemológico abre caminho à patologia mental
- As doenças mentais antes da psiquiatria
- Locke e Condillac: a alienação como perturbação dos princípios da associação de ideias
- A medicina da unidade humana em Baglivi e Le Camus
- A confusão da patologia mental no século XVIII: a Enciclopédia, Lineu e Sauvages
- Cullen: as neuroses
- A revolução psiquiátrica está ligada à filantropia iluminista, que exige o cuidado das condições materiais e morais dos alienados
- A psicoterapia em Wilhelm Meister
- Os quacres e o Retiro de York
- A psiquiatria humanitária
- O hospital psiquiátrico como projeção arquitetônica da classificação nosológica
- Revolução psiquiátrica e Revolução Francesa: Pinel e Cabanis
- A reforma das estruturas sociais alienantes como fator de desalienação
- A função do asilo
- Na nova problemática, o monstro torna-se um doente e o inteiramente outro torna-se um semelhante
- Da repressão à terapêutica
- Direitos do louco e direitos do homem
- A tese contemporânea da antipsiquiatria
- A morte do homem seria a morte do louco
- Conclusão
- Unidade das ciências da vida
- História das ciências e história dos homens
- Articulação entre ciência e consciência
- A biologia exprime uma nova aliança entre o homem e o mundo
- O sentimento da natureza no século XVIII
- O cientista como porta-voz do inconsciente coletivo
- Para além de todo utilitarismo, a pesquisa fundamental é uma paixão da alma
- As ciências da vida ensinam um novo estilo de humanidade
- Existência e encarnação
- Sobredeterminação das ciências da vida
- As noções de clima e nostalgia exprimem a nova relação do homem com o meio
- O retorno à Terra, para além das restrições da revolução galileana
- Nova dimensão da vida
- Presença no mundo segundo a analogia da vida
- Respeito pela vida
- Por uma história do sentido da vida
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