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descombes:2005:start

Edmond Ortigues

Vincent Descombes, “Edmond Ortigues et le tournant linguistique” (2005)

Quem nos dará uma visão geral da obra de Edmond Ortigues ou mesmo o esboço de uma introdução geral sobre seus trabalhos? Para realizar de forma proveitosa tal apresentação, seria necessário complementar o conhecimento direto da filosofia contemporânea com diversas competências que raramente se reúnem em uma única pessoa (estudos bíblicos, história das religiões, linguística, psicanálise, etc.). Meu objetivo a seguir é, sem dúvida, muito mais modesto: limitarei-me a reunir algumas reflexões que me vieram à mente enquanto relembrava a história das minhas (repetidas) leituras de um livro que nos fez descobrir, tanto a mim quanto a muitos outros, o pensamento e a maneira própria de filosofar de Edmond Ortigues. Em 1962, *Le Discours et le Symbole*

Edmond Ortigues, *Le Discours et le Symbole*, Paris, Aubier, 1962. Todas as referências citadas no texto remetem a esse livro. foi publicado pela editora Aubier, em uma coleção intitulada “Filosofia do Espírito”, na qual também líamos a tradução feita por Hyppolite da *Fenomenologia do Espírito*, de Hegel. Nós líamos: esse “nós” refere-se aqui a estudantes que, naquela época, descobriam o universo filosófico por meio de uma dupla formação. Por um lado, seguíamos um ensino quase exclusivamente centrado nos textos clássicos da filosofia (dos gregos até Husserl). Por outro lado, tomávamos conhecimento, por meio de revistas ou de pequenos círculos intelectuais, das controvérsias meio acadêmicas, meio ideológicas que dividiam, na época, o meio filosófico francês. Em muitos aspectos, *O Discurso e o Símbolo* causou o efeito de um meteorito caído de outro mundo, nem que fosse apenas pelo encontro, em seu vocabulário, de termos então associados à vanguarda teórica (“significante”, “simbólico”, “ estrutura ”, “ lei da troca ”) e outros provenientes de uma tradição teológica ou escolástica, sobre os quais nossos professores não nos falavam, a não ser, às vezes, para comentar os textos de Descartes ou de Spinoza.

Em retrospecto, percebe-se que esse livro poderia ter servido de guia filosófico para um leitor que o tivesse escolhido para se orientar nos desenvolvimentos da filosofia contemporânea da linguagem em todas as suas formas – ou seja, no que hoje se chama de filosofia da “virada linguística”. Essa transformação, que afetou a filosofia do século XX, é por vezes invocada como uma solução finalmente encontrada para diversas dificuldades do pensamento clássico. A virada torna-se, então, uma espécie de panaceia. Na verdade, cada escola contemporânea defende sua própria versão da virada, e essa mesma diversidade nos coloca diante de novos problemas, problemas que nos são próprios. É essa situação que podemos esclarecer graças ao livro de Ortigues.

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