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Axelos

Kostas Axelos (1924-2010)

Francis WYBRANDS. UNIVERSALIS.

Kostas Axelos, nascido em Atenas em 26 de junho de 1924, não cessou, por sua vida e seu pensamento, de interrogar os horizontes do mundo, seu desdobramento e suas metamorfoses.

  • As teses que defende em Paris em 1959 são consagradas respectivamente à aurora poética e enigmática da filosofia com Heráclito (Héraclite et la philosophie, 1962) e a seu crepúsculo técnico com Marx (Marx penseur de la technique, 1961).
  • Essa investigação sobre o destino, que se jogou como Ocidente antes de se tornar destinação planetária, prosseguiu com Vers la pensée planétaire (1964).
  • Esses três primeiros livros formam uma primeira trilogia intitulada “Le Déploiement de l'errance” e constituem os pródomos de um questionamento que se desenvolveu em seis outros livros reunidos em duas trilogias: “Le Déploiement du jeu” — Contribution à la logique (1977), Le Jeu du monde (1969), Pour une éthique problématique (1972) — e “Le Déploiement d'une enquête” — Arguments d'une recherche (1969), Horizons du monde (1974), Problèmes de l'enjeu (1979).
  • Axelos trabalhou no Centre national de la recherche scientifique de 1950 a 1957, depois como encarregado de cursos na Sorbonne de 1962 a 1973.

O pensamento de Kostas Axelos, voluntariamente paradoxal e às vezes desencantado, é inteiramente movido pela paixão de questionar — questionar é antes de tudo pôr em questão, intempestivamente retirar os alicerces de uma época que se satisfaz com suas pseudocertezas.

  • Apontar para um pensamento futuro (título de uma obra publicada em 1966 em alemão sob o título Einführung in ein künftiges Denken) é tanto interrogar os lineamentos pré-filosóficos da metafísica ocidental quanto ser sensível às rupturas que a sulcam.
  • As “forças elementares” do trabalho e da luta, da linguagem e do pensamento, do amor e da morte são os materiais sobre os quais se edificam as “grandes potências” que são mitos e religiões, poesia e arte, ciência e filosofia.
  • O homem, na encruzilhada dessas forças e dessas potências, é o “jogador” — manipulando e manipulado — de um jogo do qual acredita ser o senhor e do qual, na maioria das vezes, não é senão o joguete.
  • Embora as dimensões antropológicas e lúdicas do jogo estejam presentes nas análises do autor, é na linhagem “ontológica” de Heidegger ou “cosmológica” de Fink que o jogo é aqui pensado.
  • O jogo — “centro da relação inteira mundo-e-homem” (Notices “autobiographiques”, 1997) — sem começo atribuível nem fim previsível, como recordam as Lettres à un jeune penseur (1996), permanece “o enigma impensado” para o qual as palavras faltam numa era que, tornada planetária e regida quase unicamente pela técnica, não parece mais conhecer o cuidado (Sorge) — o único capaz de permitir ao homem viver sua temporalidade própria.
  • Se a exigência de um questionamento radical deve ser mantida, não é por nostalgia de um pensamento supostamente capaz de trazer a salvação — é antes de tudo para manter abertas as possibilidades de habitar, poética tanto quanto problematicamente, o mundo.
  • Systématique ouverte (1984) e Métamorphoses (1991), depois Ce questionnement e Réponses énigmatiques: failles, percée (2001 e 2005) aprofundam as buscas sobre um mundo votado a um destino sem destinação e para o qual o sentido, mesmo que constitua sua trama, faz constantemente questão.
  • Não há resposta última à “catástrofe” — “última e primeira” — que é o mundo, assim como não há possibilidade de supor um princípio na origem de todas as coisas.
  • Sóbrio — “sem esquecer Dionísio”! —, o pensamento de Kostas Axelos aguça suas aberturas; isolado, solitário e todavia reconhecido, segue pacientemente seu curso — dentro, com e contra o mundo que se faz e se desfaz sob nossos olhos maravilhados e inquietos.

Tanto quanto por suas atividades editoriais — foi redator-chefe da revista Arguments de 1956 a 1962, depois dirigiu nas edições de Minuit, a partir de 1960, uma coleção com o mesmo nome —, Axelos não cessou de lembrar a época às exigências intempestivas do pensamento.

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